Registros de parcelamentos no CREA-AM levantam dúvidas sobre critérios de negociação de anuidades

Consulta ao sistema público do Conselho aponta parcelamentos em até 20 vezes, enquanto profissionais relatam condições mais restritas para regularização de débitos

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Informações disponíveis no sistema público do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CREA-AM) estão gerando questionamentos entre profissionais registrados sobre os critérios adotados para parcelamento de anuidades.

A situação chamou atenção após consultas identificarem profissionais classificados como adimplentes mesmo vinculados a parcelamentos que superam a quantidade de parcelas relatada por outros registrados que procuram regularizar pendências financeiras junto ao órgão.

Entre os registros observados estão parcelamentos em 10, 18 e até 20 prestações, números que levantaram dúvidas sobre as regras utilizadas para concessão dessas condições.

Registros públicos mostram diferentes modalidades

Entre os casos identificados no sistema está o de José Cláudio da Silva Pereira, presidente do Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado do Amazonas (SINTEST-AM), associado ao registro “2026 (1/10) – Adimplente”.

Também aparecem Francisco Oliveira Lira, com anotação “2026 (1/18) – Adimplente”, e Salomão Bohadana da Silva Leite, vinculado ao registro “2026 (1/20)”.

Os dados despertaram questionamentos porque profissionais que buscam renegociar débitos afirmam receber orientação de que os parcelamentos disponíveis normalmente possuem limite inferior.

Dessa forma, surgem dúvidas sobre a existência de programas específicos ou condições diferenciadas aplicadas em determinadas situações.

Normas permitem condições especiais em situações específicas

O Sistema Confea/Crea prevê mecanismos para parcelamento de anuidades e recuperação de créditos, inclusive por meio de programas especiais quando autorizados por normas próprias.

Entretanto, não foi localizada divulgação ampla de eventual programa extraordinário referente ao exercício de 2026 que explique, de maneira clara e acessível, os parcelamentos mais extensos identificados na consulta pública.

Por essa razão, profissionais defendem maior transparência quanto às regras aplicadas e aos critérios utilizados para adesão a essas modalidades.

Debate envolve transparência e acesso às informações

Além dos questionamentos sobre a legalidade e o enquadramento administrativo dos parcelamentos, a situação também reacendeu discussões sobre transparência e isonomia dentro do sistema profissional.

Segundo relatos encaminhados à reportagem, muitos profissionais desconhecem a existência de modalidades mais amplas de parcelamento e afirmam não ter recebido informações sobre condições semelhantes.

Por isso, representantes da categoria defendem esclarecimentos públicos sobre os procedimentos adotados e os requisitos necessários para obtenção dessas condições.

CREA-AM não respondeu aos questionamentos

A reportagem procurou o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas para esclarecer os critérios utilizados na concessão dos parcelamentos identificados no sistema público.

Entre os questionamentos enviados estavam a existência de programas especiais de recuperação de crédito, a fundamentação normativa dos parcelamentos observados e a possibilidade de acesso às mesmas condições por todos os profissionais registrados.

O pedido de posicionamento foi encaminhado à assessoria de comunicação e ao gabinete da presidência do CREA-AM.

No entanto, até o fechamento desta reportagem, o Conselho não havia respondido aos questionamentos enviados.

O espaço segue aberto para manifestação da instituição e eventual atualização desta matéria.

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