Rejeição de Messias expõe força do Senado e acirra disputa com STF

Nos bastidores, ministros do Supremo interpretam resultado como demonstração de força do Legislativo e derrota política do Planalto

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A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF) foi interpretada por integrantes da Corte, em caráter reservado, como um movimento político do Senado que sinaliza a atual correlação de forças no Congresso Nacional. A leitura predominante entre ministros ouvidos sob reserva é de que o resultado evidencia a capacidade da maioria legislativa de impor dificuldades ao Supremo.

Nos bastidores, integrantes da Corte avaliam que, em um cenário político mais tensionado, o Congresso poderia avançar sobre temas mais sensíveis, incluindo a permanência de ministros, em referência à possibilidade de abertura de processos de impeachment.

O episódio também foi visto como uma derrota política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com relatos, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teve papel central na articulação que resultou na rejeição do indicado.

Segundo interlocutores, Alcolumbre atuou diretamente para consolidar votos entre parlamentares de direita e influenciar o placar final da votação.

A avaliação interna no STF é de que houve falha na articulação política do governo federal. Lula não teria conduzido negociações diretas com o presidente do Senado, delegando a interlocução a aliados, o que teria enfraquecido a candidatura de Messias no momento decisivo.

Desde a abertura da vaga na Corte, em outubro de 2025, com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, Alcolumbre já demonstrava resistência ao nome de Messias. O senador defendia que a indicação fosse direcionada ao senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).

A expectativa inicial entre magistrados era de uma votação apertada. No entanto, o resultado — 42 votos contrários e 34 favoráveis — foi interpretado como uma demonstração clara de força política do Senado e um recado direto ao Supremo.

O desfecho também foi considerado um revés para o ministro André Mendonça, que atuava nos bastidores como um dos principais articuladores da indicação dentro da Corte.

Em 2021, quando foi indicado ao STF pelo então presidente Jair Bolsonaro, Mendonça enfrentou resistência de Alcolumbre, que retardou sua sabatina por mais de quatro meses.

A rejeição ocorre em meio a um ambiente já tensionado entre o Supremo e o Senado. Decisões recentes de ministros, especialmente relacionadas à atuação de CPIs e ao uso de informações sigilosas, têm contribuído para o desgaste na relação com parlamentares.

Nos bastidores, a avaliação é de que o resultado reflete esse acúmulo de atritos e representa um movimento de afirmação do Legislativo na disputa institucional entre os Poderes.

Um ministro ouvido sob reserva afirmou que o cenário atual pode ter efeitos diretos sobre o futuro da Corte. Segundo ele, a atual maioria parlamentar tem força para barrar indicações ao STF e, em um contexto político diferente, poderia avançar sobre a permanência de ministros.

*Com informações do jornal O Globo

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