O Republicanos confirmou, nesta terça-feira (4), que permanecerá neutro na disputa pela Presidência da República no primeiro turno das Eleições 2026. A decisão foi aprovada durante a convenção nacional do partido e representa uma derrota para as articulações políticas de Flávio Bolsonaro, que tentava atrair a legenda para sua coligação.
Segundo o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira, 17 diretórios estaduais defenderam a neutralidade. Outros nove se manifestaram favoravelmente a uma aliança com o PL, enquanto apenas um preferia o apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A convenção também aprovou formalmente que o partido não lançará candidatura própria à Presidência. Com isso, o Republicanos não apoiará nacionalmente Lula nem Flávio Bolsonaro durante o primeiro turno.
A direção nacional, no entanto, recebeu autorização para reavaliar o posicionamento em um eventual segundo turno. A sigla também poderá liberar seus diretórios estaduais para formar alianças diferentes conforme as disputas locais.
Partido prioriza unidade interna
A neutralidade foi defendida como uma forma de preservar a unidade do Republicanos e evitar que a disputa presidencial prejudique as candidaturas proporcionais da legenda.
De acordo com o deputado Celso Russomanno, o apoio formal a Flávio Bolsonaro poderia provocar divisões internas e comprometer principalmente a eleição de deputados federais em estados do Nordeste.
A convenção contou com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, considerado um dos principais defensores da neutralidade. O parlamentar pretende construir na Paraíba uma campanha estadual ao lado de aliados de Lula.
Os senadores Hamilton Mourão e Damares Alves, ligados ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, também participaram do encontro, mas não se manifestaram durante a aprovação da decisão.
Negociações com Flávio não avançaram
O Republicanos era uma das principais alternativas do PL para ampliar a coligação presidencial de Flávio Bolsonaro. As negociações envolviam acordos estaduais e a possibilidade de a legenda indicar o nome para a vaga de vice-presidente.
A economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, era uma das opções defendidas pelo grupo de Flávio para completar a chapa.
A legenda, entretanto, decidiu não integrar a coligação. Com a negativa, o PL deverá procurar um nome entre os próprios filiados, aumentando a possibilidade de uma chapa pura na eleição presidencial.
Flávio também tentou atrair a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. A articulação incluía o convite à senadora Tereza Cristina para ocupar a vice, mas a federação igualmente decidiu permanecer neutra.
Decisão amplia isolamento político
Sem Republicanos, União Brasil e PP, Flávio Bolsonaro fica mais próximo de disputar a Presidência apoiado exclusivamente pelo PL.
O Podemos ainda aparece como uma possível alternativa, mas dirigentes da legenda também defendem a neutralidade e a concentração de recursos nas eleições para a Câmara dos Deputados. Segundo a Folha de S.Paulo, a tendência é que o partido rejeite a coligação com o PL até quarta-feira (5).
A falta de alianças também afeta o espaço da candidatura no horário eleitoral gratuito. Caso conte apenas com o PL, Flávio deverá ter aproximadamente 4 minutos e 20 segundos em cada bloco de propaganda.
Lula, sustentado por uma coligação mais ampla, poderá alcançar cerca de 5 minutos e 32 segundos. Nesse cenário, Flávio teria aproximadamente 20% menos tempo de televisão e rádio que o candidato petista.
A divisão considera que 10% do horário eleitoral é repartido igualmente entre os candidatos habilitados. Os outros 90% são distribuídos conforme o número de deputados federais eleitos pelos partidos que integram cada coligação.
PL mantém maior fundo individual
Apesar do isolamento partidário, não é possível afirmar que Flávio Bolsonaro terá necessariamente menos recursos financeiros que Lula.
O PL possui a maior parcela individual do Fundo Especial de Financiamento de Campanha de 2026, com cerca de R$ 881,6 milhões. O PT recebeu aproximadamente R$ 615,3 milhões.
Lula, entretanto, poderá reunir recursos dos demais partidos de sua coligação. Já Flávio dependerá principalmente das decisões internas do PL, que também precisará financiar candidaturas aos governos estaduais, ao Senado, à Câmara dos Deputados e às assembleias legislativas.
A confirmação da neutralidade do Republicanos consolida, portanto, a dificuldade de Flávio Bolsonaro em transformar seu desempenho nas pesquisas em uma aliança partidária nacional. Com o encerramento das convenções marcado para quarta-feira (5), o PL tem pouco espaço para reverter o isolamento antes do início oficial da campanha.


