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sexta-feira, setembro 18, 2026
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Lula diz que Igreja Católica enfrentará dificuldades sem rever celibato e papel das mulheres

Presidente comparou a participação feminina nas igrejas católica e evangélicas durante encontro com líderes religiosos no Palácio do Planalto

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Foto: Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a Igreja Católica poderá continuar enfrentando dificuldades caso não reveja o celibato dos padres e amplie a participação das mulheres em posições de liderança religiosa.

A declaração foi dada na quarta-feira (16), durante um encontro com lideranças protestantes brasileiras e norte-americanas no Palácio do Planalto, em Brasília. Um trecho do discurso passou a circular nas redes sociais e provocou reações entre católicos e evangélicos.

Durante a fala, Lula relatou uma conversa que teria mantido com o papa Francisco. Segundo o presidente, ele disse ao então pontífice que, “enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato”, a instituição continuaria enfrentando dificuldades.

Lula também defendeu que mulheres possam exercer funções atualmente reservadas aos homens dentro da estrutura da Igreja Católica, como o sacerdócio e o episcopado.

“A gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades”, declarou o presidente.

Lula relaciona crescimento evangélico à participação feminina

No discurso, Lula comparou a estrutura da Igreja Católica com a de denominações evangélicas que permitem que mulheres atuem como pastoras, bispas e dirigentes religiosas.

Para o presidente, a maior presença feminina em posições de liderança ajudaria a explicar o crescimento das igrejas evangélicas no Brasil.

“A mulher pode ser o que ela quiser”, afirmou.

A declaração representa uma avaliação pessoal de Lula. Os dados disponíveis mostram a redução proporcional do número de católicos e o crescimento dos evangélicos no país, mas não estabelecem que a ordenação de mulheres seja, isoladamente, a causa dessa mudança.

O campo evangélico também não possui uma regra única sobre o tema. Enquanto algumas denominações ordenam mulheres como pastoras e bispas, outras restringem os principais cargos religiosos aos homens.

Número de católicos diminuiu no Brasil

Os números do Censo Demográfico de 2022 confirmam uma mudança no perfil religioso brasileiro. A proporção de católicos caiu de 65,1% em 2010 para 56,7% em 2022. No mesmo período, a população evangélica passou de 21,6% para 26,9%.

Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025. Apesar da redução, o catolicismo continua sendo a religião declarada pela maioria da população brasileira.

O avanço evangélico, no entanto, envolve diferentes fatores sociais, culturais e territoriais. Pesquisadores também relacionam o crescimento à expansão das igrejas nas periferias, à atuação comunitária e à capacidade de comunicação com diferentes segmentos da população.

Presidente não pode mudar regras da Igreja

A declaração de Lula não representa uma medida de governo. O presidente da República não possui autoridade para alterar normas internas da Igreja Católica, que são definidas pela própria instituição e pelo Vaticano.

Na Igreja Católica de rito latino, o celibato é a regra geral para a ordenação de padres. Já a ordenação sacerdotal é reservada aos homens, conforme a doutrina atualmente adotada pela instituição.

As duas questões também possuem naturezas diferentes. O celibato é uma disciplina eclesiástica relacionada ao exercício do sacerdócio, enquanto a ordenação exclusivamente masculina é apresentada oficialmente pela Igreja como uma questão doutrinária.

Vídeo apresenta trecho verdadeiro

A verificação do conteúdo mostra que o trecho divulgado nas redes sociais é autêntico e corresponde à declaração feita por Lula no encontro realizado no Planalto.

A legenda da publicação resume corretamente a crítica feita pelo presidente, mas não informa que a declaração ocorreu diante de lideranças evangélicas e fazia parte de uma comparação entre as duas vertentes do cristianismo.

No mesmo encontro, Lula afirmou considerar a religião “uma coisa sagrada” e disse respeitar o direito de cada pessoa escolher a própria crença. O presidente também declarou que evita realizar discursos políticos dentro de igrejas.

A fala ocorre em um período de aproximação do governo com setores evangélicos, grupo que ganhou importância crescente no debate público e nas disputas eleitorais brasileiras.

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