Como evitar golpes imobiliários: especialista revela cuidados antes de comprar um imóvel

Especialista em regularização imobiliária aponta os principais golpes do mercado e orienta consumidores a evitar prejuízos durante negociações

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Comprar um imóvel continua sendo um dos maiores objetivos de milhares de famílias amazonenses. No entanto, a busca pela casa própria ou por uma oportunidade de investimento tem sido marcada por um problema crescente: os golpes imobiliários.

Com criminosos cada vez mais preparados para aplicar fraudes, especialistas alertam que a falta de atenção à documentação e a busca por negócios aparentemente vantajosos têm causado prejuízos significativos a compradores e locatários.

Entre os golpes mais frequentes estão a venda de imóveis por falsos proprietários, a comercialização de loteamentos irregulares e os anúncios fraudulentos publicados em plataformas digitais.

Fraudes acompanham a evolução da criminalidade

O advogado e especialista em Regularização Imobiliária Rafael Barbosa explica que os golpes imobiliários evoluíram nos últimos anos e passaram a utilizar métodos cada vez mais sofisticados.

Rafael Barbosa, Advogado e Especialista em Regularização Imobiliária. Sócio da Sousa Barbosa Advocacia Imobiliária & Sucessória e Sócio da Jungle Soluções Imobiliárias – JSI

Segundo ele, os criminosos exploram principalmente o desconhecimento técnico de quem deseja adquirir um imóvel.

“Assim como a criminalidade se atualiza constantemente, os golpes imobiliários também vêm assumindo novas formas. Em muitos casos, os golpistas se aproveitam da falta de conhecimento técnico e do forte desejo do brasileiro de adquirir um imóvel”, afirma.

Um dos golpes mais comuns, segundo o advogado especialista, é a venda de imóveis por pessoas que não são as verdadeiras proprietárias.

“Nesses casos, o fraudador se apresenta como dono do bem, negocia com o interessado e, muitas vezes, recebe valores sem ter qualquer legitimidade sobre o imóvel”, explica.

Outro problema recorrente envolve loteamentos irregulares, que são comercializados sem as aprovações e registros exigidos pela legislação.

“Muitas vezes o negócio parece vantajoso. Porém, quando os compradores tentam regularizar o lote, descobrem que isso não é possível porque o loteamento foi constituído de forma irregular”, acrescenta.

Anúncios falsos fazem novas vítimas

Além das fraudes documentais, os anúncios falsos em plataformas digitais também estão entre as principais preocupações.

De acordo com Rafael Barbosa, criminosos costumam anunciar imóveis com preços muito abaixo do valor de mercado para atrair interessados rapidamente.

Após conquistar a confiança da vítima, exigem pagamentos antecipados como forma de garantir a suposta negociação.

“Quando a pessoa tenta visitar o imóvel ou avançar no processo de compra, descobre que o anúncio sequer era verdadeiro”, alerta.

Moradores relatam prejuízos após negociações fraudulentas

A auxiliar administrativa J.F, de 34 anos, afirma que perdeu R$ 15 mil após acreditar em um anúncio de venda de imóvel publicado na internet.

Segundo ela, o valor abaixo do mercado acabou transmitindo uma falsa sensação de oportunidade.

“O imóvel parecia perfeito e o preço estava muito abaixo dos outros anúncios. O vendedor pediu um sinal para garantir o negócio. Depois do pagamento, ele desapareceu e descobri que a casa nem estava à venda”, relata.

Já o motorista C.M, de 42 anos, conta que investiu em um lote que prometia futura regularização, mas enfrentou dificuldades quando buscou formalizar a documentação.

“Quando procurei informações para fazer a documentação, descobri que o loteamento não tinha autorização legal. Foi um prejuízo enorme para minha família”, afirma.

Os dois casos refletem situações que especialistas apontam como cada vez mais frequentes no mercado imobiliário.

Como verificar se um imóvel está regularizado

Antes de fechar qualquer negócio, Rafael Barbosa recomenda confirmar se quem está vendendo realmente possui legitimidade sobre o imóvel.

A principal ferramenta para isso é a certidão atualizada da matrícula emitida pelo Cartório de Registro de Imóveis.

“É nesse documento que conseguimos enxergar toda a vida do imóvel. Nele aparecem o verdadeiro proprietário, possíveis dívidas, penhoras e restrições judiciais”, explica.

O especialista destaca ainda que a situação fundiária de Manaus exige atenção redobrada dos compradores.

“A gente sabe que, na prática, nem tudo é tão simples. Em Manaus, mais de 80% dos imóveis ainda estão irregulares, sem registro certinho. Por isso, o conselho que sempre dou é para a pessoa não fazer isso sozinha e procurar um profissional que entenda do assunto”, afirma.

Documentação é fundamental para uma compra segura

Além da matrícula atualizada, outros documentos devem ser analisados antes da assinatura de qualquer contrato.

Entre os principais estão:

* Certidão narrativa ou matrícula atualizada;
* Escritura pública ou título definitivo;
* Certidão de estado civil dos vendedores;
* Certidões negativas de débitos do imóvel;
* Comprovantes de quitação de IPTU e condomínio;
* Certidões negativas dos vendedores;
* Averbação da construção junto ao registro do imóvel.

Segundo Rafael Barbosa, a análise completa desses documentos reduz significativamente os riscos da negociação.

“No fim das contas, o segredo é o mesmo: documentação em dia e bem analisada evita problemas lá na frente”, ressalta.

O que fazer ao cair em um golpe imobiliário

Caso a fraude já tenha acontecido, a orientação é agir rapidamente.

O primeiro passo é registrar um boletim de ocorrência para formalizar o caso e possibilitar a adoção das medidas cabíveis nas esferas criminal e cível.

“O primeiro coisa a fazer, assim que a pessoa percebe que caiu em um golpe, é registrar um boletim de ocorrência. Isso é fundamental para formalizar a situação e começar a buscar seus direitos”, orienta.

O especialista também alerta para os riscos das negociações informais.

“Precisamos desmistificar essa ideia do jeitinho brasileiro, de querer resolver tudo na base da confiança e sem documentação. É justamente aí que mora o perigo”, afirma.

Em um cenário de golpes cada vez mais sofisticados, especialistas reforçam que a cautela continua sendo a principal aliada dos consumidores.

Pesquisar a situação do imóvel, verificar a documentação e buscar orientação profissional antes de fechar qualquer negócio pode evitar prejuízos financeiros e longas disputas judiciais.

Quando o assunto é patrimônio, a prevenção continua sendo o caminho mais seguro.

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