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quarta-feira, junho 12, 2024

Rendimento médio do brasileiro tem queda recorde em 2021 e atinge menor valor em 10 anos

No segundo ano de crise provocada pela pandemia houve queda generalizada entre as diversas fontes de renda no país. Norte e Nordeste registram menores valores e também maiores perdas entre 2020 e 2021

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Dados divulgados nesta sexta-feira, 10/6, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a renda do brasileiro se deteriorou diante da crise provocada pela pandemia do coronavírus. O rendimento médio mensal domiciliar por pessoa caiu 6,9% em 2021, de R$ 1.454 em 2020 para R$ 1.353. Esse é o menor valor da série histórica, iniciada em 2012.

Apesar de disseminada entre as classes sociais, a queda na renda foi maior entre as pessoas com menor rendimento. A pesquisa mostra que, entre os 5% de menor renda (R$ 39), o recuo foi de 33,9%. Entre os de 5% a 10% (R$ 148) caiu 31,8%. Já entre o 1% com maior renda (R$ 15.940) caiu 6,4%.

“Ou seja, em 2021, o 1% da população brasileira com renda mais alta teve rendimento 38,4 vezes maior que a média dos 50% com as menores remunerações”, diz a pesquisa.

Norte e Nordeste registraram os menores valores, R$ 871 e R$ 843, respectivamente, e também as maiores perdas entre 2020 e 2021, de 9,8% e 12,5%, diz o instituto.

Sul e Sudeste se mantiveram com os maiores rendimentos, de R$ 1.656 e R$ 1.645, respectivamente.

“Esse resultado é explicado pela queda do rendimento médio do trabalho, que retraiu mesmo com o nível de ocupação começando a se recuperar, e também pela diminuição da renda das outras fontes, exceto as do aluguel”, explica Alessandra Scalioni, analista da pesquisa, em nota.

A especialista ressalta a mudança nos critérios de concessão do auxílio-emergencial ocorridas em 2021 como uma das principais causas da queda no rendimento de outras fontes.

O percentual de pessoas com algum rendimento, de qualquer tipo, na população também chegou ao menor da série, indo de 61% para 59,8%.

Todas as regiões registraram redução, com destaque para o Norte, onde esse percentual chegou a 53%. Nordeste também é destaque negativo, com 56,3%. A maior estimativa é do Sul (64,8%), que mantém a liderança desde o início da série.

Desigualdade volta a crescer – A pesquisa também mostra um aumento da desigualdade em 2021, após queda no indicador em 2020 e estabilidade em 2019. Esse movimento é medido pelo índice de Gini, que retomou o patamar de dois anos antes (0,544). Quanto maior o Gini, maior a desigualdade. Em 2020 e 2019, o índice era de 0,524 e 0,544, respectivamente.

Todas as regiões tiveram piora nesse número entre 2020 e 2021, com destaque negativo para Norte e no Nordeste.

“São regiões onde o recebimento do auxílio-emergencial atingiu maior proporção de domicílios durante a pandemia e que, por isso, podem ter sido mais afetadas com as mudanças no programa ocorridas em 2021”, diz a especialista do IBGE.

A Região Nordeste se manteve com o maior índice de Gini em 2021 (0,556), enquanto a Região Sul apresentou o menor (0,462), diz o instituto.

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Da Redação com informações do IBGE e CNN

Foto: Marcelo Casal Júnior/Agência Brasil

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