Governo Lula entra em alerta após EUA discutirem classificar PCC e CV como organizações terroristas

Chanceler Mauro Vieira tratou do tema em ligação com o secretário de Estado Marco Rubio ao discutir visita de Lula à Casa Branca

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, conversou por telefone com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, para tratar da possível visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington. Durante a conversa, o governo brasileiro também levantou preocupações sobre a possibilidade de facções criminosas brasileiras serem classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

A intenção do Palácio do Planalto é organizar uma viagem oficial à Casa Branca, com reunião entre Lula e o presidente Donald Trump. A previsão inicial indicava encontro ainda em março, mas as agendas dos dois governos ainda não permitiram a definição de uma data.

O chanceler brasileiro também abordou outro ponto considerado sensível pelo governo federal: a possibilidade de os Estados Unidos classificarem facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras.

Fontes do governo brasileiro indicaram que o tema foi incluído na conversa como uma das preocupações da diplomacia brasileira. Integrantes do governo Trump que atuam no Brasil afirmaram que a proposta circula dentro da administração norte-americana e tem apoio do secretário Marco Rubio.

A iniciativa pode ser encaminhada ao Congresso dos Estados Unidos nos próximos dias para análise e ratificação.

A legislação norte-americana prevê instrumentos que autorizam medidas diretas contra organizações classificadas como terroristas estrangeiras. O secretário de Estado pode realizar essa designação após consultas com o Departamento de Justiça e o Departamento do Tesouro.

Com a classificação formal, Washington passa a aplicar sanções financeiras, restrições de entrada no país e outras medidas administrativas contra membros ou colaboradores dos grupos listados.

A legislação também permite o uso de recursos militares e de inteligência do Departamento de Defesa contra organizações enquadradas como terroristas.

Durante o governo Trump, autoridades norte-americanas passaram a discutir a inclusão de cartéis latino-americanos de drogas nesse tipo de lista. A medida abre caminho para operações direcionadas contra grupos definidos por Washington como envolvidos com o chamado “narcoterrorismo”.

(Foto: Arquivo/Ricardo Stuckert/PR)

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