Sete candidatos disputam o governo do Amazonas com propostas para saúde, segurança e desenvolvimento do interior

Na reta final para o primeiro turno, especial reúne trajetórias, compromissos de campanha, pesquisa Pontual e recursos declarados à Justiça Eleitoral

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O Amazonas chega aos últimos dias antes do primeiro turno das eleições de 2026 com sete candidatos ao governo: Cabo Daciolo, David Almeida, Gilberto Vasconcelos, Isael Munduruku, Maria do Carmo, Omar Aziz e Roberto Cidade. Na consulta ao DivulgaCandContas realizada em 1º de outubro, todos apareciam como concorrendo. A votação está marcada para domingo, 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

A cobertura do O Convergente, os registros eleitorais e os canais das campanhas mostram propostas que se aproximam na ampliação do atendimento de saúde e na oferta de serviços ao interior. As diferenças aparecem nos modelos de atendimento, na organização da segurança pública e nas prioridades para educação, emprego e economia.

Os compromissos apresentados pelos candidatos são propostas de campanha. Sua execução, caso sejam eleitos, dependerá de orçamento, planejamento e, em determinadas iniciativas, de articulação com municípios, União e Poder Legislativo.

Pesquisa Pontual mostra diferenças entre capital e interior

A pesquisa Pontual divulgada pelo O Convergente em 30 de setembro apresentou Omar Aziz com 29,5% das intenções de voto no cenário estimulado, seguido por Roberto Cidade, com 26,9%. Maria do Carmo registrou 18%, e David Almeida, 14,5%.

Candidato Amazonas Manaus Interior
Omar Aziz 29,5% 24,0% 35,6%
Roberto Cidade 26,9% 24,1% 30,0%
Maria do Carmo 18,0% 21,6% 14,0%
David Almeida 14,5% 17,0% 11,8%
Cabo Daciolo 2,2% 2,9% 1,4%
Isael Munduruku 0,8% 0,8% 0,7%
Gilberto Vasconcelos 0,2% 0,2% 0,2%

No resultado estadual, votos brancos e nulos somaram 4,2%, e indecisos, 3,7%. O levantamento ouviu presencialmente 3 mil eleitores entre 23 e 29 de setembro: 1.578 em Manaus e 1.422 em 13 municípios do interior. A margem de erro informada é de 1,79 ponto percentual, com confiança de 95%. A publicação identifica o registro AM-00847/2026.

Omar apresentou liderança numérica no estado, mas os intervalos de margem de erro dele e de Cidade se sobrepõem. A pesquisa retrata o período da coleta e não antecipa o resultado das urnas.

Trajetórias e propostas dos sete candidatos

Cabo Daciolo — Mobiliza, número 33

Benevenuto Daciolo Fonseca dos Santos é militar reformado, conforme seu registro eleitoral. Ex-deputado federal pelo Rio de Janeiro, também disputou a Presidência da República em 2018. Em 2026, concorre ao governo amazonense pelo Mobiliza, sem coligação.

Foto: Divulgação

Seu programa apresenta propostas para educação em tempo integral, atendimento de saúde aos servidores e desenvolvimento econômico. O documento inclui a criação de um hospital do servidor e defende atividades ligadas à bioeconomia e às vocações produtivas dos municípios. Essas iniciativas aparecem como compromissos do plano de governo, sem equivaler a serviços já implantados.

David Almeida — Avante, número 70

David Antônio Abisai Pereira de Almeida nasceu em Manaus e construiu sua trajetória política com três mandatos de deputado estadual. Presidiu a Assembleia Legislativa, assumiu interinamente o governo em 2017 e foi eleito prefeito de Manaus em 2020, com reeleição em 2024. Em sua biografia de campanha, relata a infância no Morro da Liberdade e experiências profissionais anteriores à política.

David Almeida – Reprodução/Internet

Concorre pelo Avante, na coligação Pra Cima Amazonas. Entre suas propostas estão um programa de atendimento ampliado, denominado Corujão, com contratação de serviços, consultas, exames e cirurgias; expansão da estrutura hospitalar; e aumento do auxílio estadual de R$ 150 para R$ 300, com atendimento anunciado para 300 mil famílias. Seu canal de campanha também apresenta apoio à estruturação de guardas municipais no interior.

Gilberto Vasconcelos — PSTU, número 16

Gilberto Vasconcelos da Silva é professor e tem formação em Letras pela Universidade Federal do Amazonas. Sua trajetória inclui atuação sindical e participação na CSP-Conlutas. Presidente estadual do PSTU, já participou de outras disputas eleitorais, incluindo eleições para a Prefeitura de Manaus.

A candidatura, sem coligação, apresenta uma agenda voltada aos trabalhadores, à defesa dos serviços públicos e à organização sindical. Na cobertura do O Convergente sobre sua pré-candidatura, a defesa dos direitos trabalhistas e o posicionamento contrário à escala de trabalho 6×1 aparecem entre suas bandeiras. A alteração dessa escala envolve legislação federal, além do debate político estadual.

Isael Munduruku — Rede, número 18

Isael Franklin Gonçalves está registrado como advogado e indígena da etnia Mundurukú. Disputa o governo pela Rede Sustentabilidade, integrante da Federação PSOL Rede.

Seu programa vincula desenvolvimento econômico à proteção ambiental, aos direitos dos povos indígenas e às comunidades tradicionais. Apresenta propostas para economia comunitária, produção com a floresta em pé, serviços de saúde regionalizados e educação relacionada às necessidades dos territórios.

No debate de 29 de setembro, defendeu ações preventivas com participação de associações comunitárias, articulação com o governo federal para habitação e políticas voltadas aos efeitos das mudanças climáticas.

Maria do Carmo — PL, número 22

Maria do Carmo Seffair Lins de Albuquerque está registrada como empresária. Sua trajetória pública está ligada à educação e à gestão de instituições de ensino. Em vídeo divulgado nas redes sociais e repercutido pelo O Convergente, apresentou experiências pessoais e profissionais como parte da construção de sua candidatura. Concorre pelo PL, na coligação Mudar é Urgente, formada com o Novo.

Na saúde, propõe seis hospitais regionais, em Tabatinga, São Gabriel da Cachoeira, Itacoatiara, Tefé, Humaitá e Eirunepé, além de concursos para compor equipes. Na educação, apresenta ensino integral, formação de professores e parcerias com municípios para creches. Suas propostas econômicas incluem atividades relacionadas à Zona Franca, à indústria naval e à piscicultura.

Também anunciou Praças Digitais com acesso gratuito à internet no interior: 15 unidades no primeiro ano e alcance dos 62 municípios até o fim do mandato, segundo a previsão divulgada pela campanha.

Omar Aziz — PSD, número 55

Omar Aziz é engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Amazonas. Sua trajetória inclui mandatos de deputado estadual, vice-prefeito de Manaus, vice-governador, governador entre 2010 e 2014 e senador. Disputa a eleição pelo PSD, na coligação Força Amazonas, composta também por Republicanos, MDB e Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV.

Entre os compromissos apresentados no interior estão hospitais regionais, maternidades e transporte de pacientes para tratamento. Em agendas em Coari e Nhamundá, anunciou estruturas de saúde e apoio à formação de guardas municipais. Também apresentou uma proposta de parceria público-privada para a aviação regional.

No último debate televisionado, defendeu reforço do efetivo policial, delegacias funcionando 24 horas e ações educacionais no contraturno, incluindo a retomada do programa Jovem Cidadão.

Roberto Cidade — União Brasil, número 44

Roberto Maia Cidade Filho reúne experiências no setor empresarial e em cargos públicos. Foi vereador, deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. No registro de candidatura de 2026, sua ocupação aparece como governador. Concorre pelo União Brasil, na coligação União pelo Amazonas, composta por PSB, Federação União Progressista — União Brasil e PP — e Podemos.

O candidato divulgou um plano com 44 compromissos, envolvendo saúde, segurança, emprego e desenvolvimento. Na saúde, anunciou 11 Unidades de Pronto Atendimento, funcionamento dos SPAs durante 24 horas, cinco barcos-hospital e hospitais voltados à mulher, ao idoso e à Universidade do Estado do Amazonas.

Em agendas no Médio Solimões, apresentou propostas para ampliar a presença da UEA no interior, com cursos presenciais e híbridos, laboratórios relacionados às vocações regionais e concursos para servidores.

Onde as propostas se aproximam e se diferenciam

A expansão dos serviços de saúde é um ponto recorrente. Maria do Carmo apresenta uma rede de seis hospitais regionais. Omar Aziz propõe estruturas hospitalares e transporte para tratamento. Roberto Cidade combina unidades fixas, atendimento contínuo e barcos-hospital. David Almeida enfatiza ampliação de horários e contratação de serviços para consultas, exames e cirurgias. As propostas têm objetivos próximos, mas adotam diferentes formas de organizar o atendimento.

Na educação, Cidade destaca a interiorização do ensino superior; Maria do Carmo apresenta ensino integral e formação docente; Daciolo inclui escolas em tempo integral. Isael relaciona a oferta educacional às necessidades das comunidades e dos territórios. Gilberto coloca a defesa dos serviços públicos e dos trabalhadores entre os eixos de sua candidatura.

A agenda econômica também apresenta enfoques distintos. Maria do Carmo menciona atividades industriais e piscicultura; Isael enfatiza economia comunitária e proteção da floresta; Daciolo inclui bioeconomia e vocações municipais. Essas propostas precisam ser avaliadas considerando competências do governo estadual, fontes de financiamento e condições de execução.

Interior aparece nas agendas e nos planos

A cobertura consultada registra visitas de Omar Aziz a Coari e Nhamundá, com apresentação de propostas locais para saúde e segurança. Para Roberto Cidade, há registros de passagem por Coari, Uarini e Tefé, com compromissos relacionados ao ensino superior.

O site de Maria do Carmo apresenta registros de atividades em municípios como Beruri, Boca do Acre, Borba e Canutama. Já as agendas divulgadas pelo O Convergente incluíram compromisso anunciado de David Almeida em Itacoatiara e de Isael Munduruku em Iranduba. Uma agenda anunciada indica programação de campanha; isoladamente, não comprova a realização da visita.

As fontes consultadas não oferecem uma relação completa e comparável dos municípios visitados pelos sete candidatos. Por isso, os registros disponíveis permitem identificar exemplos de agendas, mas não estabelecer um ranking de presença no interior.

Recursos declarados à Justiça Eleitoral

As contas disponíveis no DivulgaCandContas mostram diferenças na arrecadação e nas despesas informadas pelas campanhas. Os valores abaixo foram consultados em 1º de outubro. Cada demonstrativo tinha uma data própria de atualização.

Candidato — registro no TSE Recursos recebidos Despesas contratadas Despesas pagas Atualização das contas
Cabo Daciolo⁠ R$ 10.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 13/09
David Almeida⁠ R$ 4.300.000,00 R$ 4.553.257,59 R$ 1.123.902,79 11/09
Gilberto Vasconcelos⁠ R$ 31.002,00 R$ 12.500,00 R$ 3.500,00 11/09
Isael Munduruku⁠ R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 11/09
Maria do Carmo⁠ R$ 4.530.000,00 R$ 6.039.061,74 R$ 3.954.845,08 29/09
Omar Aziz⁠ R$ 6.120.000,00 R$ 5.780.356,67 R$ 1.985.934,75 12/09
Roberto Cidade⁠ R$ 5.119.376,70 R$ 4.925.780,00 R$ 672.500,00 22/09

O limite legal de gastos apresentado nos registros é de R$ 7.115.522,46 para o primeiro turno e R$ 3.557.761,23 para eventual segundo turno.

Arrecadação, despesas contratadas e despesas pagas representam informações diferentes: os recursos recebidos podem incluir valores financeiros e bens ou serviços estimáveis; as despesas contratadas correspondem a compromissos registrados; e as pagas indicam pagamentos informados. Esses demonstrativos não constituem o orçamento final das candidaturas.

Valores zerados significam ausência de lançamentos na categoria exibida no demonstrativo consultado. Não permitem concluir, isoladamente, que uma campanha não tenha realizado atividades ou que exista irregularidade.

Em reportagem publicada em 30 de setembro, o O Convergente identificou militância, serviços advocatícios e produção audiovisual entre os principais grupos de despesas das campanhas.

Debates e decisão nas urnas

O debate da Rede Amazônica realizado em 29 de setembro reuniu David Almeida, Isael Munduruku, Maria do Carmo, Omar Aziz e Roberto Cidade. Saúde, infraestrutura, segurança e desenvolvimento estiveram entre os assuntos abordados. As propostas apresentadas naquela transmissão complementam os programas de governo e os compromissos divulgados ao longo da campanha.

Em análise publicada pelo O Convergente em 30 de setembro, o diretor da Pontual Pesquisa, Eric Barbosa, destacou a incerteza sobre o comportamento do eleitor na reta final. “São fatos imponderáveis, só vai ser respondido no domingo, no dia da eleição”, afirmou.

No domingo, os eleitores escolherão entre as sete candidaturas. Caso ninguém alcance mais da metade dos votos válidos, excluídos brancos e nulos, os dois candidatos mais votados disputarão o segundo turno.

Leia mais: Amazonas prepara votação eletrônica em 62 municípios; seca exige rotas especiais para comunidades distantes

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