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quarta-feira, abril 24, 2024

‘Quais os limites da comunicação?’

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Nas últimas semanas em todos os veículos de comunicação possíveis, notícias relacionadas a casos como o da atriz Klara Castanho, do médico anestesista Giovanni Quintella, e de crimes envolvendo violência política, viralizaram e dividiram opiniões dos leitores.

Até que ponto um furo vale a pena? Até onde vão os limites de expor a imagem, o nome, a vida de alguém? Quantas vezes nós como leitores consumimos conteúdos irresponsáveis? Seja no Instagram, Twitter ou até mesmo sites renomados.  Li e acredito que a seriedade da missão do jornalista reside justamente nessa capacidade de “captar” e de traduzir o mundo à sua volta, mas o que fazer quando o mundo, direitos fundamentais e qualquer noção de humanidade se encontram parcialmente deturpado.

Na política, não vamos muito longe, com o aumento de casos de violência política, com os diversos discursos de ódio vinculados em veículos de comunicação. Presenciamos em todos os meios de comunicação social, matérias relacionadas ao acontecimento do último dia 9 de julho, com o guarda municipal e tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT), Marcelo Aloizio, que por “divergências políticas” foi assassinado pelo policial penal federal Jorge Guaranho, apoiador do Presidente Jair Bolsonaro. Quais os motivadores? Seriam as incansáveis Fake News? Os vídeos, fotos, ou postagens com discurso de ódio e promoção de violência? Quando teria a vida se tornado com tão pouco valor.

Magaly Prado, pós-doutoranda na USP e autora do livro ‘‘Fake News e Inteligência Artificial – O poder dos algoritmos na guerra da desinformação’’ comenta como a deepfake eleva a desinformação a outro patamar, mais enganoso e que causa mais danos. ‘‘Não temos mais só desinformação em texto e imagens.”

Estamos aqui como agentes ativos sociais, que buscam refletir e criticar o meio em que estamos inseridos, lhe faço algumas perguntas, você consumiria um jornalismo responsável? Tem espaço no mercado? Você saberia viver em um meio de comunicação que não vincule Fake News, imagens ou vídeos de cenas de estupro, ou qualquer conteúdo que venha a denegrir a integridade de alguém?

‘Nunca houve tantos atalhos, nunca houve tanta técnica como agora, nunca houve tanto volume de informação e o campo da informação, vai se abrindo cada vez mais amplamente e ao mesmo tempo há o movimento contrário. Quer dizer, todo mundo diz cada vez mais as mesmas coisas. Eu, como tantos outros pesquisadores, imaginava há vinte anos que, quanto mais canais houvesse, mais diversidade teríamos, maior seria o leque de possibilidades. E o que ocorre é justamente o fenômeno contrário. Quanto mais canais novos aparecem, menor é a abrangência, mais restrito o que é noticiado. Há um afunilamento, todos copiam o que o vizinho faz. É sempre mais do mesmo. Isso é o fracasso. Por isso, é preciso que os jornalistas reajam contra esse estado de coisas. Foi exatamente por isso que reforcei, há pouco, colocando em primeiro lugar uma formação com ampla cultura geral. O jornalista irá precisar muito dela, para criar uma narrativa crítica sobre a realidade (Costa; Oliveira; Chapel, 2013, p. 20).’

Seria este o “cerne da questão”, a falta da narrativa crítica sobre a sociedade que estamos inseridos? Após analisarmos diferentes cenários, diferentes casos, abordarmos questões como o ataque aos direitos humanos, direito de imagem, assim como a falta de ética jornalística, discurso de ódio, proliferação de Fake News, violência política, e tudo isso englobando um ano de grande relevância nacional, o ano eleitoral. Em que pé estaria o jornalismo brasileiro? Em quais valores estariam baseados o meio que não apenas informa, mas forma o caráter de muitos brasileiros? Ou estaríamos apenas reproduzindo a realidade vivida, uma sociedade intrínseca.

Parafraseando Karl Marx. Não é a consciência do ser humano que lhe determina o ser, mas, ao contrário, o seu ser social que lhe determina a consciência.

 

Por Letícia Barbosa

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