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sábado, fevereiro 24, 2024

Brasil chega à Cúpula do Clima sob cobrança e descrédito

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O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido), chega à Cúpula do Clima, convocada por Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, tentando afastar do país o título de pária ambiental, para conseguir recursos financeiros.

O evento virtual que se inicia nesta quinta-feira, 22/4 reúne 40 líderes mundiais e marca o retorno oficial dos EUA ao Acordo de Paris, um tratado no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) que determina metas de redução de emissão de gases do efeito estufa, a fim de conter o aquecimento global.

Em meio ao contexto de descrédito mundial, fruto da gestão marcada pelo desmatamento recorde, desmonte de órgãos de fiscalização e graves acusações contra Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, Bolsonaro deve enfrentar resistência dos demais países.

Na tentativa de abrir diálogo com Biden e contornar a situação, o brasileiro enviou uma carta ao norte-americano uma semana antes do encontro, na qual prometeu acabar com o desmatamento ilegal no Brasil até 2030, desde que haja investimento internacional para tal.

Enquanto Salles estima que o país precise de 10 bilhões de dólares por ano em investimentos estrangeiros para alcançar a neutralidade das emissões de carbono até 2050, outra meta assumida pelo presidente sem maiores detalhes, a Casa Branca exige políticas concretas e imediatas de combate ao desmatamento ilegal para liberar o dinheiro.

Mas, mesmo com a pressão internacional e cobranças diretas de John Kerry, diplomata especial para o Clima do governo Biden, representantes de organizações ambientais não enxergam a mudança de rota na política ambiental como uma possibilidade real.

“O Brasil está se colocando, desde o primeiro dia do governo Bolsonaro, como inimigo do meio ambiente e da agenda climática. Chega na Cúpula com a pior perspectiva possível, sendo um país que hoje faz parte nitidamente do problema e não da solução”, avalia Márcio Astrini, secretário-geral do Observatório do Clima.

Astrini complementa que a Cúpula deve destacar as metas dos Estados Unidos e da China, principais países emissores de gases do efeito estufa, o que fará com que o Brasil ocupe um papel coadjuvante no encontro.

Para ele, a tentativa de Biden ao sinalizar as negociações é “tirar o governo Bolsonaro dessa ‘posição de arrumar problemas’. “Mas duvido muito, não acho que serão essas negociações que farão mudar o comportamento de Bolsonaro”.

Acordo – Um possível acordo ambiental entre os dois países é considerado o primeiro teste da relação bilateral após Donald Trump, apoiado incondicionalmente por Bolsonaro, deixar a Casa Branca.

No início do mês, cerca de 200 entidades brasileiras enviaram uma carta ao governo de Joe Biden pedindo que os Estados Unidos não façam nenhum acordo climático com Bolsonaro a portas fechadas, já que as propostas do governo não têm legitimidade junto a sociedade civil e povos tradicionais.

O secretário-executivo do Observatório do Clima afirma ainda que o governo Bolsonaro atua como um “sequestrador de florestas” ao colocar o investimento financeiro como condição para a execução de ações de proteção ambiental, o que não funciona em negociações internacionais.

A longo prazo – Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente, compartilha da opinião de que Bolsonaro não conseguirá financiamento internacional após participação na Cúpula do Clima e tentativas de aproximação com o governo Biden, sem mudar efetivamente a política ambiental.

“Eles não vão, agora, ir na lorota e conseguir dinheiro. Para conseguir algo, vão ter que mudar o comportamento, mas isso não é fácil. Eles tiraram as melhores pessoas do Ibama, do ICMbio”, afirma, criticando a militarização do órgão que agora é dirigido por cinco policiais militares.

A análise de Minc diferencia-se em um ponto: Ele acredita que o aumento de pressões internas e externas fará com que Bolsonaro ceda e recue em algum nível, com possível afastamento de Salles do cargo já que o ministro “está de baixo de bombardeio no Senado e na Câmara”, como aconteceu com Ernesto Araújo.

“Algo vai mudar. Mas não vai ser rápido e nem eles vão conseguir convencer nesta reunião. De pronto não vão conseguir vender a ideia, mas vão ter que mudar. Acho, inclusive, que Salles vai acabar caindo. Ainda neste primeiro semestre”, aposta o ex-ministro.

Foto: Divulgação

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