O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que a ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada em 2018, estava “peitando os interesses de milicianos” à época do crime. A declaração foi feita durante sessão da Primeira Turma do Supremo que julga os acusados de planejar o homicídio.
Ao proferir seu voto na Ação Penal (AP) 2434, Moraes mencionou a delação do ex-sargento Ronnie Lessa, apontado como executor do assassinato. Segundo o ministro, o delator afirmou que os mandantes do crime não demonstravam preocupação com a repercussão do caso.
“Marielle era uma mulher preta e pobre que estava peitando os interesses de milicianos […] Na cabeça misógina e preconceituosa de mandantes e executores, quem iria ligar para isso? Uma cabeça de 100 anos, 50 anos atrás: ‘Ah, vamos eliminá-la e isso não terá repercussão’”, declarou Moraes durante o julgamento.
A Primeira Turma do STF retomou nesta quarta-feira (25) a análise da ação penal contra os acusados de planejar o homicídio de Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves. O crime ocorreu em março de 2018, no Rio de Janeiro.
A sessão foi retomada com o voto do relator, Alexandre de Moraes. Na sequência, devem votar, por ordem inversa de antiguidade no colegiado, os ministros Cristiano Zanin, Carmen Lucia e Flavio Dino, que, na condição de presidente da Turma, coordena os trabalhos e será o último a se manifestar.


