O ex-governador do Acre, Gladson Cameli, voltou a enfrentar novos desdobramentos judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Apenas dias após ser condenado a 25 anos e nove meses de prisão por crimes relacionados à organização criminosa e corrupção, Camelí se tornou réu em uma nova ação penal envolvendo suspeitas de irregularidades em contratos públicos no estado.
A decisão foi tomada por unanimidade pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, que aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) no âmbito do chamado “Caso Colorado”. A investigação apura possíveis fraudes na contratação das obras de duplicação da rodovia AC-405, em Cruzeiro do Sul, no interior acreano.
Com o recebimento da denúncia, o ex-governador passa a responder formalmente pelos crimes de fraude em procedimento licitatório e desvio de recursos públicos. Segundo a acusação, o esquema teria sido articulado em 2020, no início do primeiro mandato de Camelí, e envolvia o favorecimento à construtora Colorado em um contrato avaliado em mais de R$ 46 milhões.
Durante o julgamento, a subprocuradora-geral da República, Luiza Frischeisen, sustentou que há indícios de atuação direta do então governador para direcionar o processo licitatório e assegurar a vitória da empresa na concorrência pública.
De acordo com o Ministério Público Federal, embora a construtora estivesse registrada oficialmente em nome de um primo do ex-governador, a empresa seria controlada, na prática, por Eládio Cameli, pai de Gladson Camelí. O g1 informou não ter conseguido contato com representantes da construtora citada no processo.
A assessoria do ex-governador informou que Camelí não irá se pronunciar sobre a nova denúncia. O caso amplia a pressão judicial sobre o político acreano, que já enfrenta condenações e investigações relacionadas à gestão estadual.
Agora, com a abertura formal da ação penal, o STJ dará sequência à fase de instrução processual, quando serão analisadas provas, depoimentos e demais elementos apresentados pela acusação e pela defesa.
*Com informações do G1
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