Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro reagiram às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que associou a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) a milicianos durante uma agenda oficial no Rio de Janeiro.
A fala aconteceu no sábado (23), durante um evento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), na capital fluminense. Na ocasião, Lula afirmou que, se dependesse da Alerj indicar um governador para o estado, “viria um miliciano”.
A declaração provocou reação imediata de parlamentares bolsonaristas e da própria Assembleia Legislativa do Rio.
Alerj divulgou nota e cobrou respeito institucional
Em nota oficial, a Alerj afirmou que “respeita as instituições da República” e espera o mesmo comportamento por parte das autoridades do país, incluindo o presidente da República. Além disso, a Casa classificou como “inaceitável” qualquer tentativa de generalizar ou criminalizar os deputados estaduais fluminenses.
O presidente da Assembleia, deputado Douglas Ruas (PL), aliado político do grupo bolsonarista, também criticou a fala de Lula. Nas redes sociais, ele afirmou que o presidente “desrespeitou o povo do Rio de Janeiro” ao fazer ataques generalizados contra o Legislativo estadual.
Além disso, parlamentares ligados ao PL passaram a compartilhar críticas ao discurso presidencial, alegando que Lula extrapolou os limites do debate político.
Declaração ocorreu durante crise política no Rio
A fala de Lula aconteceu em meio ao cenário de instabilidade política no Rio de Janeiro. Atualmente, o estado vive uma situação excepcional na linha sucessória do governo estadual.
Durante o discurso, Lula elogiou o governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto, e afirmou que tinha receio sobre uma eventual escolha feita pela Assembleia Legislativa. Foi nesse contexto que o presidente declarou que “viria um miliciano” caso a indicação partisse da Alerj.
Além disso, Lula também cobrou medidas mais duras contra milícias e organizações criminosas no estado.
Bolsonaristas acusam Lula de atacar a democracia
Entre os aliados de Bolsonaro, a reação ganhou força principalmente nas redes sociais. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, afirmou que Lula atacou a democracia e desrespeitou parlamentares eleitos pela população fluminense.
Já integrantes da oposição passaram a usar a declaração para reforçar críticas ao governo federal e ao PT.
Por outro lado, apoiadores de Lula defenderam a fala do presidente e argumentaram que o Rio de Janeiro enfrenta há anos denúncias envolvendo milícias e influência do crime organizado na política local.
Debate reacende discussão sobre milícias no Rio
A repercussão também reacendeu o debate sobre a atuação de milícias no estado do Rio de Janeiro. Nos últimos anos, investigações policiais e operações do Ministério Público apontaram ligações entre grupos paramilitares e agentes públicos em diferentes regiões fluminenses.
Além disso, especialistas em segurança pública avaliam que o tema continua sendo um dos principais desafios do estado.
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