A Bolívia enfrenta uma onda de protestos e bloqueios de estradas que já dura quase duas semanas e tem provocado impactos no abastecimento de alimentos, combustíveis e suprimentos médicos em diversas regiões do país. Nesta segunda-feira, 18, apoiadores do ex-presidente Evo Morales marcharam pelas ruas de La Paz, ampliando a pressão sobre o governo do presidente de direita Rodrigo Paz.
Segundo as informações da CNN, as manifestações começaram no início de maio com greves organizadas por sindicatos e movimentos sociais, mas se transformaram em um protesto nacional envolvendo trabalhadores do transporte, mineiros, professores e grupos indígenas e rurais. Os manifestantes cobram medidas contra o aumento do custo de vida, pedem reajustes salariais e criticam reformas agrárias que, segundo eles, favorecem grandes proprietários de terras. Parte dos grupos também defende a renúncia do presidente Rodrigo Paz.
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Os bloqueios nas rodovias têm causado transtornos em diferentes regiões do país. Segundo autoridades bolivianas, caminhões ficaram parados nas estradas e pacientes enfrentaram dificuldades para chegar aos hospitais. Diante da crise no abastecimento, a Argentina enviou uma aeronave militar com carregamentos de alimentos a pedido do governo boliviano.
O presidente Rodrigo Paz afirmou que as medidas de austeridade adotadas pelo governo são necessárias para estabilizar a economia, que enfrenta dificuldades desde antes de sua posse, em novembro do ano passado. O governo anunciou um pacote de reformas econômicas que prevê a redução gradual dos controles de preços dos combustíveis e incentivos à produção nacional de energia. Além das negociações com sindicatos, cerca de 3.500 agentes de segurança foram mobilizados para desbloquear estradas, e 57 pessoas foram presas, segundo as autoridades.
Evo Morales, que governou a Bolívia entre 2006 e 2019, declarou apoio aos protestos e afirmou que as manifestações continuarão enquanto o governo não apresentar soluções para problemas como inflação, escassez de combustível e alimentos. Analistas avaliam que a crise aumentou a tensão política e social no país e alertam para os riscos de agravamento da instabilidade econômica em meio à crescente polarização política boliviana.
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