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segunda-feira, julho 22, 2024

Uso de ‘laranjas’ pode provocar mudanças na Câmara Municipal de Manaus

Se confirmada a acusação, os vereadores João Carlos, Capitão Carpê Andrade e Marcio Tavares (Republicanos); Joelson Silva, Ivo Neto e Dione Carvalho (Patriota); Fransua (PV) e Peixoto (PTC) devem perder os mandatos

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O PSL, então partido do presidente Jair Bolsonaro, é a lembrança mais recente que se tem do laranjal político, ou seja, sobre o uso de candidaturas fictícias para desviar recursos eleitorais. Do mesmo crime terão de se defender vereadores eleitos pelo Republicanos, Patriota, PV e PTC caso o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) aprove a representação do Ministério Público Eleitoral (MPE).

Conforme denúncia apresentada ao TRE, os partidos não teriam cumprido a obrigatoriedade de destinar 30% das vagas para o preenchimento da cota de gênero. Se confirmada a acusação, os vereadores João Carlos, Capitão Carpê Andrade e Marcio Tavares (Republicanos); Joelson Silva, Ivo Neto e Dione Carvalho (Patriota); Fransua (PV) e Peixoto (PTC) devem perder os mandatos.

Os promotores conseguiram depoimentos de mulheres que foram convidadas a se candidatarem mediante promessas financeiras que não foram cumpridas. Chamou atenção o fato delas não obterem nenhum ou pouquíssimos votos. Diante disso, o MP deu início à investigação sobre candidaturas de laranjas.

Entre as candidatas que não tiveram nenhum voto nas últimas eleições municipais estão Marcia Soares (PV), Irmã Paizinha (PTC), Dominique Araújo (Patriota) e Nidy Souza (Republicanos). PMB e PDT são legendas que não chagaram a eleger nenhum vereador e também estão sendo investigadas. Os partidos podem ser multados. Todas as mulheres que tiveram os nomes inscritos para disputar a eleição e obtiveram votação mínima foram chamadas a depor. A maioria se disse enganada.

Conforme duas candidatas que não quiseram se identificar, o Patriotas ofereceu dinheiro, santinhos, perfurados e combustível para que elas usassem na campanha, mas nada foi realmente entregue. “Nos ofereceram várias coisas para fazer a campanha, mas na hora não recebemos nada. Só quiseram usar nossos nomes para alcançar a cota de gênero. Infelizmente é assim que acontece”, afirmou uma delas.

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) possui apenas quatro vereadoras na 18ª Legislatura: Glória Carratte (PL), Professora Jaqueline (Podemos), Thaysa Lippy (PP) e Yomara Lins (PRTB).

Na defensiva – Antes que o partido se defendesse, o coronel reformado do Exército e ex-candidato a prefeito de Manaus, Alfredo Menezes enviou nota à imprensa para informar não ser o “dono” do Patriota e jogou no colo do presidente regional do partido, o deputado estadual Felipe Souza a responsabilidade sobre a investigação da Justiça Eleitoral acerca de candidaturas laranjas.

Menezes disse que é “um filiado, disputou as eleições municipais de Manaus pela legenda, em 2020, e não exerce nenhum cargo diretivo no partido”.

“Quero deixar claro que não sou dono de partido algum e nunca afirmei isso. Pelo contrário, sou apenas um filiado. Esses sites inescrupulosos que trabalham para um determinado político do Estado distorcem as informações”, disse Menezes, ao observar que já declarou inúmeras vezes que irá para o partido que o presidente Jair Bolsonaro for.

Laranjal – Para Menezes, todas as denúncias feitas por candidatas das eleições de 2020 sobre o esquema de fraudes relacionadas ao preenchimento da cota de gênero do partido devem ser apuradas com rigor. “Isso é o que se espera”, concluiu.

O presidente regional do Patriota, o deputado estadual Felipe Souza negou que a legenda tenha se valido do recurso de candidaturas laranjas para completar a cota de 30% destinada, exclusivamente, a mulheres. Segunda ele, todas as candidatas receberam recursos e material e nenhuma delas comunicou sobre a desistência.

“Já vencemos a questão na Justiça Eleitoral. Não há mais problemas com o partido. Agora são os candidatos que estão se defendendo. Todas as candidatas receberam pelo menos R$ 1 mil e material. E também participaram do horário eleitoral. Somos um partido com pouquíssimos recursos, mas fizemos o que estava ao nosso alcance. Agora, desempenho nas urnas é outra coisa. Vai de quem trabalha mais ou menos”, concluiu.

A Executiva Municipal do Partido Republicanos informou, em nota, que “sempre age e agiu dentro dos ditames legais que a Lei Eleitoral preconiza. Consequentemente, nas Eleições de 2020 foi obedecido o critério de indicação mínima de 30% de mulheres afiliada ao Partido Republicanos. De modo que foi destinado corretamente os 30% do montante do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), também conhecido como Fundo Especial, para ampliar as campanhas de suas candidatas”.

Deste modo, a Executiva Municipal do Partido Republicanos, nega a ocorrência de manipulação no repasse dos valores oriundos do FEFC a suas candidatas e candidatos.

Os partidos Verde (PV) e Trabalhista Cristão (PTC) não retornaram os contatos feitos pelo Portal O Convergente acerca do assunto.

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Da Redação

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