A disputa pelo Governo do Amazonas terá, neste domingo (9), o primeiro confronto televisionado entre candidatos nas eleições de 2026. A Band Amazonas realiza, a partir das 19h, o primeiro debate da corrida estadual, que colocará frente a frente cinco nomes que disputam o comando do Estado.
Participam do encontro David Almeida (Avante), Isael Munduruku (Rede/Psol), Maria do Carmo (PL), Omar Aziz (PSD) e Roberto Cidade (Federação União Progressista). O jornalista Neto Cavalcante será o mediador.
Com duração aproximada de duas horas, o debate será dividido em cinco blocos. Os candidatos passarão por perguntas programáticas, confronto direto entre adversários, questionamentos de jornalistas e perguntas feitas por eleitores. O último bloco será destinado às considerações finais.
A lista divulgada para o debate não inclui Gilberto Vasconcelos (PSTU). A emissora adotou como critério a representatividade partidária no Congresso Nacional. Já Cabo Daciolo teve a candidatura ao Governo do Amazonas homologada pelo Mobiliza na quarta-feira (5), após a definição das regras e dos participantes divulgados para o encontro, e também não consta na relação do debate deste domingo.
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Primeiro teste diante do eleitor
Além de colocar os candidatos frente a frente, o primeiro debate ao Governo do Amazonas pode funcionar como uma oportunidade para que parte do eleitorado tenha contato mais direto com as propostas e com o desempenho de cada concorrente.
Para o cientista político Helso Ribeiro, a exposição do primeiro encontro pode deixar marcas importantes ao longo da campanha.
“Existe aquele ditado de que, muitas vezes, a primeira impressão é a que fica. Então, o primeiro debate vai servir como um abre-alas. Boa parte da população vai ter acesso às ideias dos candidatos e, se a performance deles for boa, já gera uma expectativa que pode ser transformada em votos”, avaliou.
O especialista pondera, entretanto, que diferentes perfis de eleitores acompanham esse tipo de confronto. Enquanto uma parcela assiste ao programa já identificada com determinado candidato, outra ainda busca elementos para definir o voto.
Por isso, segundo Helso, o eleitor que ainda não tomou uma decisão deve concentrar a atenção principalmente na viabilidade das propostas apresentadas.
“Tem uma parte que é torcedor e está vendo o debate querendo que o seu candidato engula o outro. Mas também há quem ainda não tenha uma escolha. Para esse eleitor, é importante analisar quais propostas são factíveis, quais podem ser realizadas de fato e quais são fantasiosas”, afirmou.
Helso também considera importante observar o histórico dos candidatos que já exerceram funções públicas.
“O candidato já teve oportunidade de realizar algo? Ele fez? É a primeira vez que se coloca como candidato? Até que ponto as propostas são viáveis? Acho que é isso que um eleitor neutro e crítico precisa observar”, acrescentou.
Visibilidade para candidatos
O debate também pode representar uma vitrine importante para nomes que possuem menor exposição pública ou menos espaço na propaganda eleitoral.
De acordo com Helso Ribeiro, embora os debates não sejam acompanhados por todo o eleitorado, eles permitem que candidatos menos conhecidos apresentem suas ideias diretamente ao público.
“Para quem não é muito conhecido, para quem não vai ter muito tempo de televisão e rádio, acredito que é um excelente momento para se mostrar para o eleitor. É por isso que, muitas vezes, as pessoas até entram na Justiça para participar de debates”, explicou.
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Saúde, segurança e educação
Quando o assunto são as prioridades que deveriam aparecer no confronto, Helso aponta questões sociais e estruturais que continuam presentes no cotidiano da população amazonense.
O cientista político destaca especialmente educação, saúde, segurança pública, inclusão social, defesa do Polo Industrial de Manaus e a BR-319.
“O Amazonas tem uma característica: é um estado que arrecada bem, está entre as unidades federativas que mais arrecadam, mas, ao mesmo tempo, alguns municípios têm um IDH péssimo, comparado aos piores do Brasil”, afirmou.
Na saúde, Helso citou as dificuldades históricas enfrentadas pela população do interior e lembrou problemas expostos durante a pandemia de Covid-19.
“Temas como inclusão social e educação sempre estarão presentes. Há também a questão dos hospitais. A Covid desnudou isso. Não tinha uma UTI no interior. Isso é vergonhoso para um estado que tem o dinheiro do Amazonas”, disse.
Além disso, o especialista acredita que segurança pública deverá ocupar espaço relevante nas discussões. A defesa do Polo Industrial de Manaus e a situação da BR-319 também devem aparecer entre os assuntos do encontro.
Histórico também entra em debate
A trajetória administrativa dos candidatos que já ocuparam cargos públicos também poderá ser utilizada pelos adversários durante os confrontos.
Na avaliação de Helso Ribeiro, promessas apresentadas por políticos que já estiveram no Executivo tendem a ser confrontadas com o que efetivamente foi realizado durante suas administrações.
“Uma pessoa que já foi governador ou prefeito pode ouvir: ‘você poderia ter melhorado isso e não fez’. É nesse momento que algumas realidades se desnudam. Cabe até aos próprios candidatos fazer essa cobrança: quando você esteve lá, não fez e agora está dizendo que vai fazer”, analisou.
A presença de políticos com experiência no Executivo e no Legislativo, portanto, amplia a possibilidade de comparação entre propostas atuais e resultados de gestões anteriores.
O que diz o eleitor
Nas ruas, as expectativas para o debate passam principalmente por problemas presentes no cotidiano da população.
Para o professor da rede pública João Mendes, de 44 anos, a segurança pública deveria ocupar posição central na discussão entre os candidatos.
“Com certeza, a segurança pública. Não dá mais para viver com medo de sair de casa. Manaus está violenta demais, e o interior também sofre com facções. Sem segurança, não adianta falar em turismo, emprego ou educação, porque ninguém consegue viver em paz”, afirmou.
Já a estudante de Direito Camila Torres, de 22 anos, acredita que a atuação dos candidatos durante um debate pode interferir na própria avaliação sobre a disputa.
“Para mim, influencia muito. Sou jovem e uso as redes sociais, mas o debate é o momento em que eles não podem editar ou apagar. Vejo quem realmente sabe argumentar e quem só repete frases prontas. Um bom desempenho pode me fazer confiar mais em um candidato que antes eu não considerava”, relatou.
O empresário Roberto Almeida, de 52 anos, espera ouvir compromissos mais específicos ligados à educação, qualificação profissional e geração de oportunidades.
“Quero ouvir metas claras para reduzir o analfabetismo, aumentar o número de vagas no ensino superior público e criar programas de estágio e primeiro emprego com foco em tecnologia e bioeconomia, porque o futuro do Amazonas passa pela floresta em pé, mas com ciência”, disse.
As respostas mostram que, para além do confronto político, parte dos eleitores espera que o debate apresente propostas concretas para problemas que atingem Manaus e os municípios do interior.
Como assistir
O primeiro debate ao Governo do Amazonas começa às 19h deste domingo (9) e terá transmissão da Band Amazonas para os 62 municípios do Estado.
O público também poderá acompanhar pelo canal 413 HD da Sky, pelo canal da Band Amazonas no YouTube, pelo aplicativo BandPlay e pela Rádio BandNews FM Difusora Manaus, na frequência 93,7 FM.
No primeiro bloco, os candidatos responderão a perguntas programáticas. Em seguida, haverá confronto direto. O terceiro bloco terá perguntas de jornalistas, enquanto o quarto abrirá espaço para questões elaboradas por eleitores. Por fim, cada concorrente terá um minuto e meio para as considerações finais.
O encontro ocorre poucos dias após o encerramento das convenções partidárias e abre uma nova etapa da corrida pelo Governo do Amazonas. Diante das câmeras e sem o formato controlado dos atos partidários, os candidatos terão o primeiro teste direto para defender propostas, responder a cobranças e apresentar ao eleitor as razões pelas quais pretendem comandar o Estado a partir de 2027.
Sobre Helso Ribeiro
Helso do Carmo Ribeiro Filho é cientista político, advogado e professor universitário. É graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Filosofia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), além de possuir doutorado em Ciência Política pela Université de Montpellier, na França.
O especialista preside a Comissão de Relações Internacionais da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM), integra a Academia de Ciências e Letras Jurídicas do Amazonas e atua como comentarista da CBN Amazônia. Helso também é articulista político do O Convergente e participa frequentemente de análises sobre o cenário político estadual e nacional.



