PF mira familiares de senador em nova fase da operação que investiga fraudes no INSS

Os investigadores chegaram às novas suspeitas após analisar dados encontrados no celular do senador

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A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (4) uma nova fase da Operação Sem Desconto, investigação que apura um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A ação desta vez busca identificar como o dinheiro obtido com as fraudes teria sido movimentado e ocultado.

Ao todo, 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), além do advogado Willer Tomaz.

O senador não foi alvo dos mandados cumpridos nesta terça-feira, mas continua sendo investigado no caso. Ele já havia sido alvo de uma operação anterior, realizada em dezembro do ano passado.

Em nota, Weverton afirmou que todas as movimentações financeiras citadas na investigação são resultado de atividades profissionais e empresariais e que foram declaradas à Receita Federal.

PF aponta possível esquema de lavagem de dinheiro

De acordo com a Polícia Federal, os investigadores encontraram indícios de uma estrutura usada para movimentar valores que poderiam ter origem nas fraudes contra aposentados e pensionistas.

Segundo a investigação, o senador Weverton Rocha teria desempenhado um papel relevante nesse esquema de movimentação de dinheiro. A PF afirma que ele teria feito pedidos, indicado pessoas que receberiam valores, cobrado repasses e participado de negociações envolvendo imóveis e outros bens.

As informações fazem parte de uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou a nova etapa da operação.

Os investigadores chegaram às novas suspeitas após analisar dados encontrados no celular do senador. Segundo a PF, foram identificadas movimentações de milhões de reais envolvendo contas pessoais, familiares e empresas, além de pagamentos em dinheiro vivo e operações envolvendo bens de alto valor.

Ainda conforme a investigação, uma estrutura ligada ao advogado e empresário Willer Tomaz teria sido utilizada para oferecer suporte financeiro e patrimonial a pessoas investigadas. Entre os recursos citados estão empresas, imóveis, aeronaves, pilotos e operadores financeiros.

Fraudes no INSS podem chegar a R$ 6,3 bilhões

A Operação Sem Desconto foi iniciada após a PF identificar um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.

As fraudes teriam ocorrido entre 2019 e 2024. De acordo com as investigações, o prejuízo causado pelos descontos irregulares pode chegar a R$ 6,3 bilhões.

A nova fase busca esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados pelos investigados. A PF também pretende identificar o motivo dos repasses e definir a participação de cada pessoa envolvida no caso.

Advogado nega envolvimento com as fraudes

A defesa de Willer Tomaz afirmou que ele não é investigado diretamente no esquema de descontos ilegais do INSS.

Segundo a defesa, o advogado foi alvo de busca e apreensão porque é proprietário de uma aeronave que teria sido utilizada pelo senador Weverton Rocha em uma viagem. A defesa afirma que o uso do avião ocorreu de forma particular e amistosa e não teria relação com as fraudes investigadas.

Sobre os valores recebidos pela esposa do senador, a defesa afirmou que ela trabalha como advogada associada ao escritório de Tomaz e que os pagamentos são referentes a honorários por serviços profissionais prestados.

A defesa declarou ainda que os valores têm origem lícita e que poderão ser comprovados às autoridades, caso necessário.

Senador afirma que operação tem motivação política

Em nota, Weverton Rocha afirmou que não ficou surpreso com a nova fase da operação e disse acreditar que sua atuação política o tornou alvo de ataques.

O senador declarou que ficou indignado com o fato de familiares e apoiadores políticos terem sido incluídos na operação, mas afirmou estar tranquilo e que não tem nada a esconder.

Ele também reiterou que as movimentações mencionadas na investigação são resultado de atividades profissionais e empresariais e foram informadas à Receita Federal. Segundo o parlamentar, o Ministério Público Federal teria se manifestado contra as buscas realizadas contra seus familiares e apoiadores.

(*)Com informações do G1

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