Bastidores de 2026: presidentes de partidos aceleram articulações para formar alianças, chapas e nominatas no Amazonas

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Faltando poucos meses para o início oficial do calendário eleitoral de 2026, os bastidores da política amazonense seguem em plena movimentação. Presidentes de partidos, dirigentes estaduais e lideranças políticas intensificam reuniões reservadas, negociações e estratégias para definir alianças, montar nominatas competitivas para deputado estadual e federal e consolidar candidaturas majoritárias ao Governo do Amazonas e ao Senado.

Embora os discursos públicos ainda sejam cautelosos, nos corredores partidários o cenário é de intensa articulação. A disputa pelas duas vagas ao Senado, a formação de federações partidárias e a construção de palanques para a eleição presidencial devem influenciar diretamente os acordos locais.

Um dos principais articuladores nesse processo é o governador Wilson Lima (UB), que se coloca como pré-candidato ao Senado e também exerce papel estratégico como presidente estadual do União Brasil e da Federação União Progressistas no Amazonas. A missão de Lima envolve fortalecer a federação, atrair aliados e estruturar chapas capazes de ampliar a representação do grupo político na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados.

Nos bastidores, lideranças ligadas ao governo avaliam que a construção de uma nominata forte para deputado federal será determinante para garantir influência política após o fim do atual mandato estadual. Além disso, a definição do candidato do grupo ao Governo do Amazonas é vista como uma das principais peças do tabuleiro eleitoral.

Até o momento, não há ainda confirmação de quem Wilson Lima deve apoiar ao governo do Amazonas. Contudo, as movimentações indicam que Roberto Cidade (UB), que atualmente é o governador desse mandato tampão do Estado, é um forte nome para a disputa eleitoral.

Cidade terá a chance de concorrer ao pleito nas eleições de outubro deste ano. O governador, por outro lado, tem afirmado que “está focado em trabalhar” e pouco toca no assunto pré-candidatura. Nas pesquisas eleitorais, por outro lado, Roberto Cidade tem crescido cada vez mais.

Ex-governador Wilson Lima (Arthur Castro/Secom)

À reportagem, a assessoria de comunicação do ex-governador Wilson Lima disse, por meio de nota, que a Federação União Progressista segue “fortalecendo suas bases e construindo nominatas competitivas e representativas.

“Como a maior força política organizada do Amazonas, reunindo o governador do estado, prefeitos, deputados estaduais, deputados federais e vereadores, a Federação União Progressista segue fortalecendo suas bases e construindo nominatas competitivas e representativas. O presidente da federação, Wilson Lima, destaca que este é um momento natural do processo político e que a ampla capilaridade e a sólida estrutura partidária da federação em todo o estado garantem as condições necessárias para a consolidação das alianças e da composição das chapas dentro do calendário eleitoral”, disse a assessoria de Wilson Lima.

O PL

No PL, o ex-ministro Alfredo Nascimento conduz as articulações da legenda no estado. Com forte ligação ao campo conservador e ao eleitorado de direita, o partido trabalha para consolidar candidaturas proporcionais competitivas e ampliar sua presença nos municípios. Dirigentes da sigla admitem que as conversas sobre possíveis alianças ainda estão em fase preliminar, mas reconhecem que a formação de chapas fortes será prioridade ao longo dos próximos meses.

Ao governo, o PL já tem nome definido: o da empresária e professora Maria do Carmo Seffair (PL), que já recebeu apoio público da família Bolsonaro, inclusive o ex-presidente Jair Messias e o atual pré-candidato ao cargo de presidente, Flávio Bolsonaro.

Bastidores: cotado para as eleições de 2024, Alfredo Nascimento pode ser um dos nomes do PL
Alfredo Nascimento (Divulgação)

Além disso, a legenda tem pré-candidatos consolidados pelo eleitorado nas últimas eleições, como o deputado federal Alberto Neto, que disputará uma vaga ao Senado, e o vereador Sargento Salazar, pré-candidato a deputado federal e também possível nome a ser indicado como vice de Maria do Carmo.

PT,  PSD e MDB

Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores busca fortalecer sua estrutura visando a disputa de 2026. Presidente estadual da legenda, Sinésio Campos tem liderado reuniões com lideranças municipais e movimentos sociais para ampliar a presença do partido no interior do Amazonas. O PT também acompanha de perto as definições nacionais, que poderão influenciar diretamente a composição de alianças locais.

Vale destacar que Sinésio Campos é amigo pessoal do próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e tem prestígio nacionalmente no Partido dos Trabalhadores.

A legenda no Amazonas trabalha também para recolocar nomes do partido na Câmara Federal, como o vereador Zé Ricardo (PT), que se lançou pré-candidato a deputado federal, posto que já ocupou anteriormente.

Já para o governo, o PT já comunicou: o nome a receber apoio da legenda será o senador Omar Aziz (PSD). Para o Senado, a sigla tem o próprio pré-candidato: o ex-deputado federal Marcelo Ramos, também do Partido dos Trabalhadores.

Omar Aziz, Sinésio Campos e Lula (Foto: Divulgação)

 

Omar Aziz, inclusive, é considerado nome central nas negociações. O senador é presidente estadual do PSD e líder da bancada da sigla no Congresso Nacional. Com influência tanto em Brasília quanto no Amazonas, Omar é apontado por aliados como peça-chave na construção de um amplo bloco político para a próxima eleição.

O PSD trabalha simultaneamente na formação de nominatas e na avaliação dos cenários para a disputa majoritária. Além disso, Omar também conta com o apoio do presidente Lula para o governo do Amazonas.

O mesmo pelo MDB, onde o senador Eduardo Braga mantém o protagonismo histórico da legenda nas articulações eleitorais do estado. Presidente estadual do partido, Braga participa de conversas com diferentes grupos políticos e busca fortalecer a presença do MDB nas eleições proporcionais.

Integrantes da legenda afirmam que a estratégia passa pela formação de uma chapa competitiva e pela manutenção do espaço político conquistado nas últimas eleições. Braga também é aliado de Lula e mantém proximidade com o PT no Amazonas.

Disputa por nomes e estruturas

Além das alianças, um dos principais desafios enfrentados pelos dirigentes partidários é a montagem das nominatas. Com as regras eleitorais exigindo desempenho mínimo para eleger parlamentares, partidos e federações disputam lideranças regionais, vereadores, ex-prefeitos e figuras com potencial eleitoral para compor suas chapas.

Nos bastidores, dirigentes admitem que a busca por candidatos competitivos já começou em diversas regiões do Amazonas. O objetivo é evitar chapas fragilizadas e aumentar as chances de alcançar o quociente eleitoral.

Carlos Santiago, advogado, sociólogo e analista político, destacou à reportagem que neste período eleitoral o foco dos pré-candidatos é voltado para construção “de grandes alianças políticas que envolvam maior tempo de rádio e TV”. Ainda segundo ele, os recursos dos partidos para campanhas eleitorais também estão em jogo.

“É claro que neste período de pré-campanha, os dirigentes partidários, os pré-candidatos e pré-candidatas a cargos marjoritários estão se movimentando de construir grandes alianças políticas eleitorais, que envolvam maior tempo de rádio e TV, mais recursos para as campanhas eleitorais e também apoios de lideranças na cidade de Manaus e interior do Estado, inclusive administradores municipais”, declarou Carlos Santiago.

Carlos Santiago (Reprodução)

O especialista afirmou que o objetivo claro dos postulantes é vencer as eleições. “Mas, ainda é muito tímida essa movimentação. Ainda há muito mais divergências do que convergências. O Partido Liberal, por exemplo, tem muito problema interno e dificulta, inclusive, buscar novos apoios e novas siglas. Assim, como o grupo do atual governador [Roberto Cidade] e ex-governador Wilson Lima”, disse.

O advogado afirmou que Roberto Cidade e Wilson Lima comandam uma federação que agregam outros partidos, mas que, até o momento, por conta de uma indefinição, ainda não se tem grandes convergências. “Ao contrário, muitos partidários do ex-governador Wilson Lima estão convergindo para apoiar outras candidaturas fora do cargo de apoio de aliança de Wilson e Roberto Cidade”, enfatizou Santiago.

Apoios

Sobre apoios políticos, Carlos Santiago citou os pré-candidatos ao governo Omar Aziz (PSD) e David Almeida (Avante), que ainda não sabem se podem contar com alianças com atuais aliados, na avaliação do especialista.

“Há sim uma movimentação no sentido de agregar mais lideranças, mais apoios políticos, um desdobramento de aumentar o tempo de televisão, de rádio, e também trazer mais votos para os pré-candidatos que estão lançados”, reforçou.

Até as conversões partidárias, disse Carlos Santiago, muito ainda pode acontecer no cenário político local. “Muitas coisas podem mudar. Até o dia 5 de agosto, poderá, inclusive, mudar muito o cenário político do Amazonas. Depende muito da disposição de Roberto Cidade de ser candidato à reeleição, assim como do ex-prefeito David Almeida agregar mais apoios, e do PL resolver o seu problema interno, e movimentando o arco de alianças”, frisou.

“Do ponto de vista proporcional, ainda há muita indefinição por conta da formação das chapas nas siglas partidárias. Há uma expectativa em que as oito vagas para a Câmara dos Deputados sejam muito disputadas, assim como as 24 vagas para a Assembleia Legislativa do Amazonas. Há intensa movimentação, mas também não há tanto consenso como em outras oportunidades na política local. Por isso, a campanha de 2026 talvez seja ou será a mais disputada do século XXI”, pontou Carlos Santiago.

Eleitor acompanha movimentações

Enquanto as lideranças políticas intensificam as negociações, parte do eleitorado observa com atenção os movimentos que antecedem a campanha.

Para muitos eleitores, mais importante do que conhecer os candidatos é entender quais grupos políticos estão por trás das futuras candidaturas e quais compromissos estão sendo construídos antes mesmo do início oficial da disputa.

“Eu acho importante saber quem está apoiando cada candidato e quais acordos estão sendo feitos. Muitas vezes a campanha mostra uma coisa, mas as alianças já foram definidas muito antes. O eleitor precisa acompanhar isso para entender melhor o cenário político”, avalia o servidor público Carlos Henrique, de 42 anos.

O soldador Roberto Almeida, de 47 anos, também comentou sobre o cenário eleitoral. “Com certeza é importante saber sim de alianças, quem está apoiando quem. Até porque eles serão os nossos representantes, não é. Me diga com quem tu andas que direi quem tu és”, disse.

Com pouco mais de três meses para o início das convenções partidárias que definirão candidaturas e alianças, a tendência é que as articulações se intensifiquem. Até lá, reuniões reservadas, negociações e estratégias de bastidores continuarão moldando o cenário que será apresentado aos eleitores amazonenses em 2026.

Outro lado

A reportagem entrou em contato com os pré-candidatos citados e os dirigentes dos partidos políticos. Somente Wilson Lima, por meio da assessoria, retornou. O espaço segue aberto para todas as devidas manifestações.

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