Eleição proporcional antes do voto na urna, a Matemática da Chapa

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Por Renato Bagre – consultor político e estrategista de comunicação, MBA em ESG e mestrando em Ciência Política – IDP

Já tem candidato proporcional andando o Estado inteiro.
Interior, capital, comunidade, calha de rio, ramal.
Agenda cheia de sorrisos e apertos de mão. Vídeos bonitinhos. Time improvisando.
E, pasmem: ainda assim, pode não se eleger.
Não é por falta de voto.
É por falta de saber fazer conta.

Anota aí: toda eleição proporcional começa na montagem da chapa.

Em 2022, o quociente eleitoral ficou na casa dos 130 mil votos — é a partir daí que um partido começa a eleger alguém.
Portanto, não é só o candidato.
É o conjunto.
É a soma.
É o time.
Aí entra o primeiro erro de leitura: eleição não é corrida individual.
Não é.
É prova por equipe.
Você pode fazer 25, 30, 40 mil votos…
e ficar de fora.
E alguém com menos entra. Bem menos.
Porque estava no lugar certo.
Na chapa certa.
Na conta certa.
Agora olha o que ninguém fala com clareza:

Deputado não troca de partido por acaso.

Não é afinidade.
Não é discurso.
Não é ideologia.
É cálculo. É sobrevivência.
É olhar para frente e perguntar:

“Essa chapa bate quociente?”

Se a resposta for não…
pode ter uma caçamba de votos.
E tem mais.
Quando as chapas começam a se formar, automaticamente o jogo começa a eliminar gente.
Sim, tem candidatura que morre na montagem.
Porque entrou numa chapa pesada demais.
Ou leve demais.
Ou mal distribuída.
O lance é o caboco ser bom de conta e entender o seguinte:

A eleição acontece em três momentos: quando montam as chapas, quando o eleitor vota e quando a conta fecha.

A maioria só enxerga o segundo.
E é por isso que se surpreende com o resultado.
Aqui no Norte, isso ganha ainda mais peso.
Porque o voto é espalhado, o custo de campanha é alto, o interior desequilibra qualquer previsão — até da mãe Diná — e a política ainda é muito estruturada em grupos liderados por caciques.

Ou seja: quem entende a matemática… larga na frente.

Quem ignora… nada e morre na praia.
Ou nem na praia chega.

Renato Bagre
- CEO Unidade Criativa
Consultor Político Estratégico e Criativo

Sobre o autor

Renato Bagre é consultor político e estrategista de comunicação com mais de três décadas de experiência profissional. Graduado em Comunicação Social, pós-graduado pela ESPM-Rio, com MBA em ESG e mestrando em Ciência Política -IDP, atua na condução estratégica de campanhas eleitorais, posicionamento institucional e gestão de imagem pública, especialmente na região Norte do Brasil.

Instagram: @renatobagre

 

Ilustração: Ranyere Frota

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