O vereador Rodrigo Guedes (Podemos) defendeu, nesta terça-feira , 24, que o prefeito David Almeida (Avante) seja formalmente intimado a prestar esclarecimentos às autoridades após as declarações feitas contra a Operação Erga Omnes, deflagrada pela Policia Civil do Amazonas (PC-AM).
Durante sessão na Camara Municipal de Manaus (CMM), Guedes afirmou que as críticas públicas do chefe do Executivo à investigação têm gravidade institucional e não podem permanecer apenas no campo político.
Segundo Rodrigo Guedes, ao questionar a legitimidade da operação policial e insinuar irregularidades, o prefeito precisa apresentar provas que sustentem suas afirmações. Caso contrário, na avaliação do vereador, as declarações podem configurar responsabilidade jurídica.
“É muito grave. Mais do que nunca, ele [o prefeito] precisa ser ouvido”, declarou Rodrigo Guedes.
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O parlamentar defendeu que o delegado-geral da Polícia Civil e a Justiça adotem providências para ouvir o prefeito, a fim de esclarecer se há fundamentos concretos para as acusações feitas contra a condução da investigação.
“Vou conclamar aqui, fazer o pedido ao delegado-geral do Estado do Amazonas para que intime o prefeito a depor na delegacia geral. A Justiça também precisa imediatamente intimar o prefeito a depor, porque as declarações que ele fez ontem são gravíssimas. Ou ele prova e mostra que existe um sistema todo corrompido contra ele, cujo objetivo único é prejudicá-lo, ou ele precisa ser judicialmente responsabilizado”, declarou.
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A manifestação do vereador ocorre após entrevista coletiva concedida por David Almeida na segunda-feira, 23, quando anunciou pré-candidatura ao Governo do Amazonas e criticou publicamente a Operação Erga Omnes.
Na ocasião, o prefeito questionou a efetividade da ação policial e afirmou: “Que operação é essa que não prendeu um traficante, não apreendeu um carro, um quilo de droga?! Essa operação é tão autêntica quanto uma nota de 300”.
A operação investiga um suposto “núcleo político” do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. Entre os alvos está a investigadora Anabela Cardoso de Freitas, que atuava na Prefeitura de Manaus e integrava a Comissão de Licitação do município. Até 2023, ela exerceu o cargo de chefe de gabinete de David Almeida.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado contaria com pessoas que ocupavam cargos ou teriam influência em órgãos públicos para facilitar a atuação da facção criminosa. Foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas. O caso ganhou repercussão política após as declarações do prefeito e as reações no Legislativo municipal.


