A disputa pelas duas vagas ao Senado pelo Amazonas em 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, com a consolidação de pré-candidaturas de nomes já considerados tradicionais da política local. O cenário reúne lideranças com histórico de mandatos no Executivo e no Legislativo, além de figuras que já protagonizaram eleições majoritárias recentes no estado. A configuração atual indica uma disputa polarizada, com possíveis impactos diretos na corrida pelo Governo do Amazonas.
Além dos projetos individuais, a movimentação partidária e as articulações nacionais têm influenciado diretamente o tabuleiro estadual. Federações e alianças estratégicas passam a desempenhar papel central na definição das candidaturas, sobretudo diante da necessidade de composição para fortalecer chapas majoritárias e garantir palanques competitivos.
Entre os pré-candidatos colocados até o momento estão o governador Wilson Lima (União Brasil), o deputado federal Alberto Neto (PL), o senador Eduardo Braga (MDB), o ex-vice-prefeito de Manaus Marcos Rotta (Avante), além de nomes como Marcelo Ramos (PT) e o senador Plínio Valério (PSDB).
Wilson Lima: mudança de rota e estratégia da federação
Entre os nomes mais aguardados estava o de Wilson Lima. Em 2025, o governador afirmou diversas vezes que pretendia “ir até o fim” do mandato, em 2026. No entanto, no último dia 12 de fevereiro, a Federação União Progressista confirmou, por meio das redes sociais do União Brasil, a estratégia para lançar Wilson ao Senado.
“A filiação integra a estratégia política para a disputa da reeleição no governo do Estado e para a candidatura de Wilson Lima ao Senado, pelo União Brasil. A Federação União Progressista segue unindo forças para ampliar resultados e construir soluções concretas para a população”, diz trecho da publicação.
União Brasil confirma estratégia para lançar governador Wilson Lima como candidato ao Senado
Caso confirme a candidatura, Wilson precisará se desincompatibilizar do cargo até seis meses antes do pleito, abrindo espaço para que o vice-governador Tadeu de Souza assuma o governo. Segundo já afirmou ao O Convergente a advogada Denise Coelho, especialista em Direito Eleitoral, o prazo deve ser observado rigorosamente, conforme prevê a legislação.
“Em relação à intenção do Governador Wilson Lima em candidatar-se ao Senado, sob a perspectiva jurídica, o indicativo principal que ele deve preservar está relacionado ao prazo de desincompatibilização”, já explicou a advogada Denise Coelho.
O União Brasil integra a Federação União Progressista, que, no Amazonas, possui a maior bancada na Assembleia Legislativa (Aleam) e na Câmara Municipal de Manaus, ampliando a musculatura eleitoral do grupo.
Alberto Neto: aposta da direita bolsonarista
Pelo PL, Alberto Neto está em pré-campanha desde 2025 e intensificou agendas no interior do estado. Alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o deputado deve contar com o apoio do ex-chefe do Executivo nacional, o que pode dificultar eventual aproximação de Wilson Lima com o bolsonarismo.
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Alberto tem reforçado pautas conservadoras, feito críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e participado de manifestações em defesa de Bolsonaro. Ele conta com o apoio da pré-candidata ao governo do Amazonas, Maria do Carmo Seffair (PL), e já disputou cargo majoritário em 2024, quando foi ao segundo turno na eleição para a Prefeitura de Manaus.
Eduardo Braga: rumo à reeleição?
O senador Eduardo Braga confirmou, no início do ano, que disputará a reeleição. Experiente e com histórico de boas votações, Braga enfrenta, no entanto, um cenário político delicado.
Até recentemente, ele integrava uma aliança com o senador Omar Aziz (PSD) e com o prefeito David Almeida (Avante), tendo Omar como nome do grupo ao governo. O cenário mudou após o lançamento da pré-candidatura de David, que pode enfrentar Omar nas urnas.
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Alinhado ao presidente Lula, Braga ainda não definiu publicamente com qual palanque caminhará. Questionado recentemente pela imprensa amazonense, o senador afirmou que estará “com Deus, em primeiro lugar, e com o povo”, sem indicar apoio formal.
Marcos Rotta: aliado do prefeito
O ex-vice-prefeito de Manaus Marcos Rotta também confirmou pré-candidatura ao Senado. Atualmente secretário-chefe da Casa Civil do Amazonas, ele anunciou que deixará o cargo no dia 31 de março para disputar as eleições.
Rotta já exerceu mandatos como deputado estadual, deputado federal e vice-prefeito. O nome foi confirmado pelo Avante em 2025, após reunião com o presidente nacional da sigla, Luis Tibé.
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Rotta é aliado do prefeito David Almeida, que faz parte do mesmo partido político que ele, o Avante. Além disso, o ex-vice é considerado nos bastidores como nome forte pela base de Almeida e sua aliança imprescindível.
Outros nomes no radar
Marcelo Ramos (PT), ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, também é cotado para a disputa. Filiado ao PT desde 2024, quando concorreu à Prefeitura de Manaus com apoio do próprio Lula, Ramos se lançou pré-candidato ao Senado ainda no ano passado. Ele, inclusive, chegou a realizar um churrasco com a imprensa e aliados próximos para divulgar sua intenção em concorrer.
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Já o senador Plínio Valério (PSDB) confirmou ainda em 2025 que buscará a reeleição. Crítico do governo Lula, ele afirma não se considerar bolsonarista, embora tenha votado favoravelmente a pautas que beneficiaram o ex-presidente Bolsonaro, como a redução de penas relacionadas aos atos de 8 de janeiro.
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Cenário aberto
Com dois assentos em disputa, o Amazonas deve ter uma das corridas mais competitivas ao Senado em 2026. O cenário mistura governistas, oposição, direita bolsonarista e aliados do presidente Lula, além de ex-aliados que hoje podem estar em palanques distintos.
As definições sobre alianças estaduais, especialmente nas chapas ao governo, serão determinantes para consolidar os palanques e redesenhar o tabuleiro político amazonense nos próximos meses.


