PF conclui que presidente cometeu crime ao vazar investigação sigilosa sobre tentativa de ataque hacker ao TSE

A delegada federal Denisse Dias Rosas, responsável pelo inquérito, enviou nesta quarta-feira, 2/2, o relatório final com as conclusões da PF ao Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, ela minimiza a ausência de Bolsonaro no depoimento e diz que “não trouxe prejuízo ao esclarecimento dos fatos”. A delegada reafirma ter visto crime na conduta do presidente, mas não pediu o indiciamento em razão do foro

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A Polícia Federal decidiu concluir o inquérito sobre o vazamento de uma investigação sigilosa da corporação, a respeito de uma tentativa de ataque hacker aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mesmo sem colher o depoimento do presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele era o principal investigado no caso e faltou ao interrogatório na última sexta-feira, 28.

A delegada federal Denisse Dias Rosas, responsável pelo inquérito, enviou nesta quarta-feira, 2/2, o relatório final com as conclusões da PF ao Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, ela minimiza a ausência de Bolsonaro no depoimento e diz que “não trouxe prejuízo ao esclarecimento dos fatos”.

A delegada reafirma ter visto crime na conduta do presidente, do deputado bolsonarista Filipe Barros (PSL) e do ajudante de ordens presidencial Mauro Cid, mas não pediu o indiciamento em razão do foro.

A investigação sigilosa da PF foi tornada pública por Bolsonaro nas redes sociais em agosto do ano passado. O objetivo, conclui Denisse, foi alimentar o debate sobre a chamada PEC do Voto Impresso, que acabou rejeitada na Câmara.

“Todas as pessoas ouvidas que promoveram a divulgação confirmam suas condutas e a consciência de que o fornecimento de cópia do inquérito policial em andamento ao deputado federal Filipe Barros foi feito originalmente com o fim específico de subsidiar as discussões relativas à PEC no 135/2019”, diz um trecho do relatório.

O documento ainda relaciona a atuação do presidente, do assessor e do deputado ao inquérito das milícias digitais. “O modo de agir é correlato”, escreve a delegada.

A íntegra da investigação sigilosa sobre a tentativa de invasão aos sistemas do TSE foi obtida por Filipe Barros, a partir de um pedido formal na qualidade de relator do PEC do Voto Impresso, junto ao delegado federal Victor Neves Feitosa Campos.

Em depoimento, o parlamentar admitiu que compartilhou o material com o presidente e com o assessor dele. Também reconheceu que, no dia da live presidencial, soube que Bolsonaro poderia “abordar os fatos contidos no inquérito policial”.

Para a delegada, houve desvio de finalidade no pedido do deputado, sobretudo porque ele sabia que a investigação corria sob sigilo. “Se a finalidade indicada fosse para subsidiar uma live presidencial, a entrega da cópia do inquérito policial teria sido indeferida”, afirma.

Ausência em depoimento –  O advogado-geral da União Bruno Bianco teria recomendado que o presidente Jair Bolsonaro (PL) ignorasse o determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e faltasse ao depoimento na Polícia Federal (PF) sobre o inquérito das fake news na última sexta-feira 28/1.

“Segui orientações do advogado-geral da União Bruno Bianco. Tudo que foi tratado por esse advogado, que nos defende, eu cumpri à risca. E com toda a certeza, agora, o plenário do STF vai decidir sobre essa questão”, disse Bolsonaro em entrevista à Rede Record nesta segunda-feira, 31/1.

O presidente frisou que a decisão de optar por não depor presencialmente “foi do advogado” e que ele teria encarado a orientação como uma recomendação médica.

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Da Redação com informações do Estadão

Foto: Divulgação

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