A Frente Parlamentar Católica manifestou repúdio, nesta sexta-feira (18), às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, sobre o celibato sacerdotal e a participação das mulheres na estrutura da Igreja Católica. As falas foram feitas na quarta-feira (16), durante encontro com lideranças protestantes brasileiras e estrangeiras no Palácio do Planalto.
Durante o encontro, Lula comparou aspectos das estruturas católica e evangélica e relacionou o crescimento das igrejas protestantes à maior participação feminina em parte dessas denominações. O presidente também defendeu mudanças nas regras da Igreja Católica relacionadas ao celibato e à ordenação de mulheres.
Lula afirmou ter tratado anteriormente do assunto com o papa Francisco. Segundo o presidente, enquanto a Igreja Católica mantiver o celibato e não admitir mulheres no sacerdócio, a instituição continuará enfrentando dificuldades. Ele apontou como uma vantagem das igrejas evangélicas a possibilidade, em algumas denominações, de mulheres ocuparem funções de liderança religiosa.
Frente pede respeito à autonomia religiosa
Em reação, a Frente Parlamentar Católica divulgou nota defendendo que questões internas das instituições religiosas sejam respeitadas pelo poder público. O posicionamento foi divulgado pelo deputado Luiz Gastão (PSD-CE), integrante do grupo parlamentar.
Na manifestação, a frente argumentou que o ministério ordenado e o celibato sacerdotal fazem parte da tradição e da organização da Igreja Católica e possuem fundamentos próprios. O grupo também pediu respeito à autonomia das comunidades religiosas para estabelecer suas convicções.
A reação ocorreu dois dias após o encontro de Lula com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e representantes religiosos estrangeiros. Na ocasião, além de abordar questões religiosas, o presidente falou sobre outros temas políticos e sociais.
O que é o celibato
Na Igreja Católica de rito latino, o celibato sacerdotal é uma disciplina ligada ao exercício do sacerdócio, pela qual os padres não se casam e assumem o compromisso de continência. A prática não é classificada como um dogma da fé católica, mas integra a tradição e a disciplina eclesiástica da instituição.
A declaração de Lula representa uma avaliação do próprio presidente sobre as razões para as mudanças no perfil religioso brasileiro. As igrejas evangélicas, por sua vez, reúnem diferentes denominações, com regras distintas sobre a participação de mulheres em funções como pastoras e bispas.
*Com informações da CNN
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