Governo do Amazonas reúne órgãos para definir ações contra impactos da estiagem

Estiagem prevista para os próximos meses deve seguir rigorosa

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O governador Roberto Cidade coordenou, nesta sexta-feira (14), uma reunião do Comitê de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais do Amazonas para alinhar ações de prevenção e resposta aos efeitos da estiagem no Estado.

O encontro ocorreu no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e reuniu órgãos estaduais envolvidos no monitoramento e atendimento às áreas afetadas pela redução do nível dos rios.

Segundo Roberto Cidade, entre as medidas previstas estão o envio de alimentos, combustível, kits de higiene, proteína e outros insumos para comunidades que podem ficar isoladas durante o período de estiagem.

“Hoje fizemos uma reunião geral com quase todas as secretarias do Governo do Amazonas e cada uma destacou como pode colaborar para que a gente possa chegar mais rápido lá na ponta”, afirmou.

Desde abril, o governo estadual realiza reuniões técnicas e ações de planejamento com órgãos públicos, instituições privadas e municípios. Em junho, o Estado decretou situação de emergência climática e ambiental em caráter preventivo.

Preparação para a estiagem

A Defesa Civil do Amazonas informou que os 62 municípios do Estado já receberam capacitações sobre planos de contingência, procedimentos para decretos de situação de emergência e outras medidas de prevenção.

Como parte do monitoramento dos rios, 16 municípios receberam réguas linimétricas. O sistema de alerta registrou 328 ocorrências, sendo 103 alertas hidrológicos, 134 geológicos e 91 meteorológicos.

Na área de segurança hídrica, 243 purificadores de água foram entregues em 2026. Os equipamentos foram distribuídos pelas calhas do Alto Solimões, Médio Solimões, Baixo Solimões, Juruá, Purus, Madeira, Médio Amazonas, Baixo Amazonas e Negro.

O Planejamento Humanitário Operacional será executado em quatro fases. A primeira, entre agosto e outubro, atenderá municípios das calhas do Alto Solimões, Juruá e Purus. A segunda, entre agosto e novembro, contemplará Madeira, Médio Solimões e Baixo Solimões.

A terceira fase, entre setembro e novembro, atenderá as calhas do Médio Amazonas e Baixo Amazonas. A quarta, prevista entre novembro e fevereiro, será direcionada à calha do Rio Negro.

A assistência prevê a distribuição de cestas básicas, kits de higiene e limpeza, carne e frango, além de ações de abastecimento e segurança hídrica, com caixas-d’água de 500 litros e purificadores.

Combate a incêndios e queimadas

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) também intensificou as ações de prevenção e combate a incêndios florestais e queimadas.

Entre 2025 e 2026, o número de municípios atendidos por bases permanentes passou de 11 para 25. O efetivo da corporação também aumentou de 692 militares, em 2019, para 1.537 servidores em 2025.

A Operação Amazonas Mais Verde 2026 mantém, segundo o CBMAM, uma média diária de quase 500 militares nas ações, com apoio logístico de cerca de 150 viaturas.

De acordo com o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleiso Muniz, foram registradas menos de 600 ocorrências de incêndios no interior do Estado até o momento. A corporação também planeja implantar quartéis em mais sete municípios.

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) atuam no monitoramento ambiental, fiscalização e prevenção de incêndios, queimadas e outros impactos relacionados à estiagem.

As ações também envolvem a Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), a Polícia Militar e a Polícia Civil. Entre as operações estão a Protetor dos Biomas e a Tamoiotatá, esta última com atuação nos municípios de Humaitá e Apuí.

Saúde

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP) monitoram os possíveis efeitos da estiagem sobre a população.

Entre os pontos acompanhados estão doenças relacionadas ao calor extremo, à escassez de água e à piora da qualidade do ar provocada pela fumaça das queimadas.

Segundo o secretário de Saúde, Luis Alberto Saraiva, a pasta ampliou a quantidade de médicos nas unidades estaduais durante o período e orientou a rede sobre os efeitos da exposição à fumaça e ao calor.

A FVS-RCP informou que distribuiu mais de 3 milhões de frascos de hipoclorito de sódio aos municípios do Amazonas. O produto é utilizado no tratamento da água destinada ao consumo humano.

A fundação também elaborou planos de contingência e notas técnicas para orientar os 62 municípios sobre medidas de preparação e resposta durante a estiagem.

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