Presidente da Conafer é preso pela PF após ficar foragido no caso dos descontos do INSS

Carlos Roberto Ferreira Lopes tinha prisão preventiva determinada pelo ministro André Mendonça, do STF, e está entre os 48 indiciados no primeiro inquérito da Operação Sem Desconto

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O presidente da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso pela Polícia Federal na noite desta quarta-feira (12), após permanecer foragido desde novembro de 2025. A prisão foi noticiada nesta quinta-feira (13) pelo UOL.

Lopes é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Contra ele havia um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em novembro do ano passado. A medida foi determinada a pedido da Polícia Federal e contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na decisão, o STF informou que Carlos Lopes é apontado pela investigação como “líder e mentor intelectual” do núcleo criminoso relacionado à Conafer. A entidade está entre as organizações investigadas por suposta participação nas cobranças realizadas diretamente sobre benefícios previdenciários.

PF indiciou 48 pessoas em inquérito sobre a Conafer

A prisão ocorre cerca de um mês após a Polícia Federal concluir o primeiro inquérito da Operação Sem Desconto. Essa etapa da investigação é concentrada na atuação da Conafer e terminou com 48 pessoas indiciadas.

Além de Carlos Lopes, aparecem entre os indiciados o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e outros investigados.

De acordo com a investigação, Lopes teria exercido papel central no funcionamento do grupo. A PF sustenta que ele controlava transferências financeiras, participava da definição da destinação dos recursos e atuava na articulação política relacionada ao esquema. Lopes foi indiciado por organização criminosa, lavagem de dinheiro em caráter majorado e reiterado e corrupção ativa majorada.

As conclusões da Polícia Federal representam uma etapa da investigação e não significam condenação. Após o relatório policial, cabe à Procuradoria-Geral da República avaliar eventual oferecimento de denúncia ou a necessidade de novas diligências.

Esquema movimentou bilhões em descontos

A Operação Sem Desconto foi deflagrada para investigar cobranças de mensalidades associativas feitas sem autorização válida de aposentados e pensionistas.

Segundo dados oficiais da Controladoria-Geral da União (CGU), as entidades investigadas realizaram cerca de R$ 6,3 bilhões em descontos associativos entre 2019 e 2024. O valor se refere ao conjunto das entidades investigadas e não exclusivamente à Conafer.

A Polícia Federal e a CGU vêm realizando diferentes fases da operação desde abril de 2025, com prisões, buscas e apreensões e bloqueio de patrimônio de investigados.

Prisão pode mudar cenário da investigação

A prisão de Carlos Lopes acrescenta um novo elemento às apurações por envolver um investigado apontado pela própria Polícia Federal como uma das principais figuras do núcleo relacionado à Conafer.

Segundo fontes que acompanham o caso, a nova situação jurídica de Lopes pode abrir caminho para uma eventual discussão sobre colaboração premiada.

Até o momento, entretanto, não há confirmação pública de que a defesa de Carlos Lopes esteja negociando um acordo de colaboração com a Polícia Federal ou com a Procuradoria-Geral da República.

Uma eventual negociação também não significa que um acordo será firmado. Para que uma colaboração avance, as informações apresentadas pelo investigado precisam ter interesse para a investigação e ser submetidas aos procedimentos legais previstos para esse tipo de acordo.

Lopes já havia sido preso durante CPMI

Antes da ordem de prisão preventiva, Carlos Lopes chegou a ser preso em flagrante em setembro de 2025, enquanto prestava depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

A prisão foi determinada pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana, sob suspeita de falso testemunho. Lopes foi liberado posteriormente após o pagamento de fiança. Durante o depoimento, ele negou participação em fraudes envolvendo descontos de aposentados.

Com o cumprimento do mandado nesta quarta-feira, a investigação passa a ter sob custódia um dos nomes apontados pela PF como centrais no núcleo da Conafer.

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