Dia do Economista: uma profissão essencial para o desenvolvimento da Amazônia

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Por Prof. Doutorando Francisco de Assis Mourão Junior (@mouraoeconomista)

No dia 13 de agosto, o Brasil celebra o Dia do Economista. Mais do que uma data comemorativa, este é um momento para refletirmos sobre a importância de uma profissão diretamente relacionada às grandes decisões que determinam os caminhos de uma sociedade.

A escolha da data está relacionada à Lei nº 1.411, de 13 de agosto de 1951, que regulamentou a profissão de economista no Brasil. Em 2026, portanto, completam-se 75 anos da regulamentação da profissão.

Durante essas mais de sete décadas, o Brasil mudou profundamente. A economia se industrializou, o país se urbanizou, novas tecnologias surgiram, o sistema financeiro se modernizou e nossa integração com a economia mundial aumentou significativamente.

Mas uma questão fundamental permanece: como utilizar recursos limitados diante de necessidades praticamente ilimitadas?

É exatamente nesse espaço que atua o economista.

Muito além dos números

Existe uma percepção equivocada de que o economista é apenas o profissional que acompanha inflação, juros, dólar, Produto Interno Bruto ou mercado financeiro.

Tudo isso faz parte da Economia, mas nossa profissão vai muito além.

O economista estuda escolhas.

Analisa recursos, custos, investimentos, produção, emprego, renda, consumo, desigualdade, políticas públicas e desenvolvimento.

Em uma empresa, pode analisar a viabilidade econômica de um novo investimento. No governo, pode contribuir para a elaboração e avaliação de políticas públicas. No mercado financeiro, interpreta cenários, oportunidades e riscos. Na universidade, produz conhecimento e forma novas gerações. Na indústria, avalia produtividade, competitividade e investimentos.

No planejamento regional, ajuda a compreender por que determinadas regiões conseguem transformar suas potencialidades em desenvolvimento enquanto outras permanecem enfrentando profundas desigualdades.

Por isso, quando falamos de desenvolvimento econômico, estamos necessariamente falando também da importância do trabalho do economista.

Crescimento não é sinônimo de desenvolvimento

Essa distinção é fundamental.

Uma economia pode crescer sem necessariamente proporcionar desenvolvimento para toda a sociedade.

O crescimento econômico normalmente aparece nos números: aumento do Produto Interno Bruto, expansão da produção, crescimento das vendas, investimentos ou elevação das exportações.

O desenvolvimento é mais amplo.

Ele precisa chegar às pessoas.

Desenvolvimento significa crescimento acompanhado de melhoria da renda, educação, saúde, infraestrutura, produtividade, oportunidades de trabalho e qualidade de vida.

Esse entendimento é especialmente importante quando olhamos para uma região como a Amazônia.

Temos uma das maiores riquezas naturais do planeta e, ao mesmo tempo, enormes desafios sociais, econômicos, logísticos e estruturais.

Essa aparente contradição precisa estar no centro do debate econômico regional.

O economista e o desafio amazônico

Pensar a Amazônia apenas como uma grande reserva ambiental é insuficiente.

A Amazônia também é território, economia, produção, ciência, tecnologia, cidades e, principalmente, pessoas.

Milhões de brasileiros vivem na região e precisam de emprego, renda, educação, saúde, infraestrutura e oportunidades.

Preservação ambiental e desenvolvimento econômico não podem continuar sendo apresentados como escolhas necessariamente opostas.

O grande desafio do século XXI será justamente encontrar mecanismos capazes de conciliar essas duas dimensões.

E é nesse ponto que a atuação do economista se torna ainda mais importante.

Precisamos construir modelos econômicos capazes de atribuir valor à floresta preservada, desenvolver cadeias produtivas sustentáveis, estimular a bioeconomia, ampliar a inovação tecnológica e transformar o conhecimento produzido na Amazônia em oportunidades econômicas e sociais.

Não basta possuir biodiversidade.

Precisamos transformar biodiversidade em conhecimento, conhecimento em inovação e inovação em desenvolvimento.

A Zona Franca de Manaus e o desenvolvimento regional

Quando discutimos Economia no Amazonas, inevitavelmente precisamos falar da Zona Franca de Manaus, um dos principais instrumentos de desenvolvimento regional do Brasil e a principal base econômica do Estado do Amazonas.

Os números ajudam a dimensionar a importância desse modelo.

Em 2025, o Polo Industrial de Manaus alcançou faturamento anual de aproximadamente R$ 227,7 bilhões, demonstrando a dimensão econômica da atividade industrial instalada em plena Amazônia.

O impacto da Zona Franca, entretanto, não pode ser medido apenas pelo faturamento das empresas.

O modelo possui uma dimensão social extremamente relevante.

A Zona Franca de Manaus é responsável por uma ampla cadeia de geração de emprego e renda, alcançando indústria, comércio, serviços, logística, fornecedores e milhares de famílias amazonenses.

Além dos efeitos indiretos e induzidos sobre a economia regional, o próprio Polo Industrial de Manaus mantém mais de 130 mil empregos diretos.

Os primeiros resultados de 2026 também demonstram a força da atividade industrial.

Entre janeiro e maio de 2026, o Polo Industrial de Manaus registrou faturamento de aproximadamente R$ 99,64 bilhões, enquanto a média mensal de mão de obra no período alcançou 130.605 empregos.

Estamos falando de aproximadamente R$ 100 bilhões movimentados em apenas cinco meses, acompanhados pela manutenção de mais de 130 mil postos de trabalho diretos no coração da Amazônia.

Esses resultados mostram algo que muitas vezes se perde no debate nacional sobre a Zona Franca: não estamos falando simplesmente de incentivos fiscais.

Estamos falando de produção, investimento, tecnologia, emprego, renda e desenvolvimento regional.

Ao longo de décadas, o modelo contribuiu para a formação de uma importante estrutura industrial em plena Amazônia, demonstrando que é possível produzir em grande escala, gerar empregos e incorporar tecnologia.

Entretanto, o futuro exige uma nova etapa.

Precisamos preservar e fortalecer aquilo que já construímos no Polo Industrial de Manaus, mas também ampliar os investimentos em ciência, tecnologia, inovação, bioeconomia, infraestrutura, qualificação profissional, economia de baixo carbono e sustentabilidade.

A Amazônia não pode depender exclusivamente das vantagens competitivas construídas no passado.

Precisamos construir as vantagens competitivas do futuro.

E essa transformação exige planejamento econômico.

O papel da SEDECTI no desenvolvimento econômico do Amazonas

Quando discutimos desenvolvimento econômico no Amazonas, também precisamos reconhecer o papel estratégico da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação – SEDECTI.

A Secretaria ocupa posição importante na articulação das políticas estaduais relacionadas ao desenvolvimento econômico, à atividade industrial, aos incentivos fiscais, ao planejamento, à ciência, à tecnologia e à inovação.

Atualmente, a SEDECTI é comandada pelo secretário de Estado economista Gustavo Adolfo Igrejas Filgueiras, profissional com experiência nas discussões relacionadas à Zona Franca de Manaus, ao Polo Industrial de Manaus e ao desenvolvimento econômico regional.

Sua atuação está relacionada ao acompanhamento de indicadores econômicos, investimentos, geração de empregos, projetos industriais e políticas de desenvolvimento do Amazonas. Essa experiência é particularmente relevante em um Estado no qual a política industrial possui enorme impacto sobre a economia, a arrecadação e o mercado de trabalho.

Ao seu lado, merece destaque o economista Anderson Barroso Grimm, atual Secretário Executivo da SEDECTI, profissional formado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Amazonas – UFAM e com longa trajetória técnica dentro da própria Secretaria.

Sua atuação está diretamente relacionada às políticas industriais e ao acompanhamento dos incentivos fiscais concedidos às empresas instaladas no Amazonas. Esse trabalho técnico também recebeu o reconhecimento da categoria profissional: Anderson Grimm já foi homenageado pelo CORECON-AM/RR com a comenda de Economista do Ano, destacando sua contribuição profissional e sua atuação em favor do desenvolvimento econômico regional.

Em 2026, Anderson Grimm assumiu a função de Secretário Executivo da SEDECTI, ampliando sua responsabilidade na formulação e execução das políticas voltadas ao desenvolvimento econômico do Estado.

Por meio de instrumentos como o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas – CODAM, o Estado analisa projetos capazes de gerar novos investimentos, produção, empregos e renda, fortalecendo a atividade econômica e industrial.

Nesse processo, a atuação dos economistas é fundamental.

São necessários profissionais capazes de avaliar indicadores, impactos econômicos, investimentos previstos, geração de postos de trabalho, competitividade industrial e os efeitos das políticas de incentivo sobre a economia regional.

A experiência da SEDECTI demonstra, portanto, algo que defendemos ao longo deste artigo: o economista também é um profissional essencial para a formulação, execução e avaliação das políticas públicas de desenvolvimento.

No Amazonas, essa responsabilidade ganha uma dimensão ainda maior.

O desafio é fazer com que incentivos, investimentos, ciência, tecnologia e inovação se traduzam cada vez mais em produção, emprego, renda e desenvolvimento para a sociedade amazonense.

Economistas que ajudaram a pensar o Amazonas

Celebrar o Dia do Economista no Amazonas também significa reconhecer aqueles que ajudaram a construir — e aqueles que continuam construindo — a história da profissão em nosso Estado.

A economia amazonense passou por profundas transformações ao longo das últimas décadas. Da consolidação da Zona Franca de Manaus aos atuais debates sobre industrialização, desenvolvimento regional, bioeconomia, sustentabilidade e inovação, diferentes gerações de economistas participaram dessa caminhada.

Entre tantos profissionais que contribuíram para esse processo, podemos destacar Serafim Fernandes Corrêa, Rodemarck de Castello Branco, José Laredo, Francisco de Assis Mourão, Sylvio Mário Puga Ferreira, Nelson Azevedo dos Santos, Jeferson Praia, José Ricardo Wendling, Marcus Anselmo da Cunha Evangelista e Martinho Luís Gonçalves Azevedo.

São trajetórias construídas em diferentes espaços: na iniciativa privada, na consultoria econômica, na universidade, na administração pública, na política, na indústria e nas instituições representativas da profissão.

É importante registrar, entretanto, que esses nomes representam apenas uma parte dessa história.

Ao longo das décadas, muitos outros economistas amazonenses deram contribuições relevantes para o fortalecimento e a valorização da profissão, especialmente por meio de sua participação no Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima – CORECON-AM/RR.

Foram presidentes, vice-presidentes, conselheiros efetivos e suplentes, delegados, colaboradores e profissionais que dedicaram parte de suas trajetórias à construção institucional do Conselho, à defesa do exercício profissional e, sobretudo, à valorização do economista perante a sociedade.

Cada gestão, cada conselho e cada geração deixou sua contribuição.

Por isso, ao mencionar alguns nomes neste artigo, faço também uma homenagem e manifesto meu reconhecimento a todos os economistas que passaram pelo CORECON-AM/RR e ajudaram a construir a história da nossa profissão no Amazonas e em Roraima.

Serafim Fernandes Corrêa construiu uma trajetória que une Economia e gestão pública. Economista formado pela Universidade Federal do Amazonas, presidiu o Sindicato dos Economistas do Amazonas e o Conselho Regional de Economia, além de ocupar importantes funções públicas. Sua atuação está relacionada aos debates sobre finanças públicas, Zona Franca de Manaus e desenvolvimento econômico do Amazonas.

Rodemarck de Castello Branco, economista, professor e consultor, representa uma geração de profissionais com participação nas discussões sobre os caminhos da economia regional e os desafios enfrentados pelo modelo econômico amazonense.

José Laredo consolidou sua trajetória especialmente na consultoria econômica, aproximando o conhecimento técnico das necessidades das empresas e das discussões sobre o desenvolvimento regional.

Francisco de Assis Mourão, reconhecido como Economista do Ano pelo CORECON-AM em 2002, integra essa geração de profissionais que ajudaram a fortalecer a presença do economista nas discussões empresariais e econômicas do Amazonas.

Sylvio Mário Puga Ferreira, economista, professor e ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas, representa a contribuição da academia, do conhecimento e da formação de profissionais para o desenvolvimento econômico e social da região.

Nelson Azevedo dos Santos, economista formado pela Universidade Federal do Amazonas, possui trajetória marcada pela atuação profissional, empresarial e institucional. Com forte presença no setor industrial amazonense e nas discussões relacionadas à Zona Franca e ao Polo Industrial de Manaus, também contribuiu diretamente para o fortalecimento da profissão, tendo exercido a presidência do CORECON-AM e recebido o reconhecimento de Economista do Ano em 1996.

Jeferson Praia construiu sua contribuição transitando entre Economia, universidade, debate público e vida política, participando ativamente das discussões sobre desenvolvimento regional, Amazônia e Zona Franca de Manaus. Também teve importante atuação na representação da categoria como presidente do CORECON-AM, período em que ocorreu uma conquista marcante para a instituição: a aquisição da nova sede própria do Conselho Regional de Economia. Mais do que um patrimônio físico, a sede representa um símbolo do fortalecimento institucional, da valorização e da consolidação da profissão de economista no Amazonas, constituindo um legado para as gerações seguintes.

José Ricardo Wendling, economista formado pela Universidade Federal do Amazonas, possui trajetória na iniciativa privada, consultoria econômica, Conselho Regional de Economia e vida pública, com participação nos debates sobre Zona Franca de Manaus, diversificação econômica e desenvolvimento regional. Em 2025, foi reconhecido pelo CORECON-AM/RR como Economista do Ano.

Marcus Anselmo da Cunha Evangelista possui trajetória ligada à representação profissional dos economistas. Em diferentes momentos esteve à frente do CORECON-AM, promovendo iniciativas voltadas à valorização da categoria, à capacitação profissional e à aproximação do Conselho com a sociedade e com o debate econômico regional.

Martinho Luís Gonçalves Azevedo também exerceu a presidência do CORECON-AM, participando de debates e iniciativas relacionadas à profissão, à Zona Franca de Manaus e ao desenvolvimento regional sustentável da Amazônia.

Cada um seguiu caminhos diferentes.

Mas existe um ponto de encontro entre essas trajetórias:

o desenvolvimento do Amazonas e a valorização da profissão de economista.

E, ao lado deles, existem muitos outros economistas que talvez não estejam nominalmente citados neste artigo, mas que deixaram suas marcas na história do nosso Conselho, nas universidades, nas empresas, na administração pública, na consultoria e na construção do desenvolvimento econômico regional.

A todos eles, fica registrado o nosso reconhecimento.

Nenhuma geração começa do zero.

O conhecimento econômico é construído ao longo do tempo. Cada geração recebe experiências, instituições e desafios da geração anterior e assume a responsabilidade de avançar um pouco mais.

O presente e a continuidade dessa história

Ao homenagearmos aqueles que ajudaram a construir a trajetória da Economia no Amazonas, também é necessário reconhecer quem hoje assume a responsabilidade de dar continuidade a esse legado.

Atualmente, o CORECON-AM/RR é presidido pelo economista Márcio Paixão Ribeiro, profissional com trajetória na gestão pública e privada e atuação relacionada ao desenvolvimento regional.

A atual gestão assume a responsabilidade de continuar aproximando o Conselho dos economistas, das universidades, das empresas, do poder público e, principalmente, da sociedade.

Fortalecer o CORECON-AM/RR significa também ampliar a presença dos economistas nos grandes debates sobre desenvolvimento, geração de emprego, investimentos, sustentabilidade, bioeconomia e futuro da Zona Franca de Manaus.

Neste ano de 2026, merece destaque também o economista Marcelo Pereira, escolhido como Economista do Ano de 2026.

Economista, especialista em Gerência Financeira, mestre em Desenvolvimento Regional e doutor em Sustentabilidade na Amazônia, Marcelo Pereira possui uma trajetória profissional diretamente relacionada ao desenvolvimento regional e à Zona Franca de Manaus, tendo exercido, entre outras importantes funções, o cargo de superintendente da Suframa.

Sua trajetória representa muito do que defendemos ao longo deste artigo: a necessidade de compreender a Amazônia não apenas por suas riquezas naturais, mas também por sua capacidade de produzir conhecimento, formular políticas, planejar seu desenvolvimento e construir alternativas econômicas sustentáveis.

A homenagem ao Economista do Ano simboliza algo maior: o reconhecimento de uma profissão que permanece necessária e estratégica para o futuro da região.

Do legado das gerações anteriores ao trabalho desenvolvido pela atual presidência do CORECON-AM/RR e pelos economistas que hoje recebem o reconhecimento de seus pares, existe uma linha que conecta passado, presente e futuro.

Presidentes mudam. Conselheiros se renovam. Novas gerações chegam às universidades e ao mercado de trabalho. Os desafios econômicos também se transformam.

Mas permanece uma responsabilidade comum: fortalecer a profissão de economista e colocar o conhecimento econômico a serviço do desenvolvimento do Amazonas, de Roraima e de toda a Amazônia.

Economia também é política pública

Outro campo fundamental de atuação do economista está no setor público.

Uma política pública não deveria nascer apenas de uma boa intenção.

Ela precisa responder perguntas fundamentais: quanto custa? Quem será beneficiado? Qual será o impacto econômico e social? Existem recursos disponíveis? Qual será o retorno para a sociedade? Essa política será sustentável no longo prazo?

É justamente por isso que planejamento, orçamento, avaliação de investimentos e análise de políticas públicas são tão importantes.

Recursos públicos são limitados.

As necessidades sociais, não.

Governar também significa escolher prioridades.

E boas escolhas exigem informação, planejamento, análise e responsabilidade econômica.

Na Amazônia, onde as distâncias, a logística e as desigualdades regionais tornam a prestação dos serviços públicos ainda mais complexa, utilizar corretamente os recursos disponíveis torna-se uma questão estratégica para o desenvolvimento.

A profissão diante da inteligência artificial

A revolução tecnológica também está transformando nossa profissão.

Inteligência artificial, big data, automação e novas ferramentas de análise permitem processar uma quantidade de informações que seria inimaginável há poucas décadas.

Isso não significa o desaparecimento do economista.

Significa a transformação da profissão.

As máquinas podem processar milhões de dados em segundos.

Mas dados, sozinhos, não tomam boas decisões.

Alguém precisa interpretar os resultados, compreender o contexto econômico, avaliar riscos, formular cenários e analisar as consequências econômicas e sociais das decisões.

O economista do futuro precisará combinar teoria econômica, tecnologia, análise de dados, sustentabilidade e capacidade estratégica.

A tecnologia muda as ferramentas.

O pensamento econômico continua indispensável.

Formar economistas também é pensar o futuro

Como professor de Economia, considero que existe ainda outra responsabilidade fundamental: formar as próximas gerações de economistas.

No Amazonas, essa missão passa pelas instituições de ensino superior que contribuem para a formação e o desenvolvimento do pensamento econômico regional, com destaque para a Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Universidade do Estado do Amazonas – UEA e Universidade Nilton Lins.

Essas universidades desempenham um papel que vai muito além da sala de aula. São espaços de produção de conhecimento, pesquisa, extensão, formação profissional e discussão dos grandes problemas econômicos e sociais da Amazônia.

Ao longo das décadas, a UFAM teve papel histórico na formação de gerações de economistas que posteriormente ocuparam importantes funções nas universidades, empresas, consultorias, instituições financeiras, órgãos públicos e entidades representativas da profissão.

A UEA, como instituição pública estadual, também possui papel estratégico na produção e disseminação do conhecimento, contribuindo para ampliar a capacidade técnica e científica do Estado e para preparar profissionais comprometidos com os desafios econômicos e sociais da Amazônia.

A Universidade Nilton Lins igualmente participa desse processo de formação, preparando profissionais de Ciências Econômicas para compreender tanto os fundamentos da ciência econômica quanto as particularidades da realidade amazônica, da Zona Franca de Manaus e do desenvolvimento regional.

Essas instituições possuem, portanto, uma responsabilidade comum: formar economistas capazes de interpretar o mundo sem perder de vista a realidade em que vivem.

A universidade não pode simplesmente ensinar teorias desenvolvidas no passado.

Precisa ensinar o estudante a compreender o presente e, principalmente, pensar o futuro.

O economista que estamos formando hoje enfrentará questões extremamente complexas: mudanças climáticas, inteligência artificial, reforma tributária, transição energética, transformação do mercado de trabalho, novas relações comerciais internacionais, bioeconomia e uma crescente disputa mundial por recursos naturais, tecnologia e conhecimento.

Na Amazônia, essa responsabilidade é ainda maior.

Precisamos formar profissionais capazes de compreender nossa realidade regional e, ao mesmo tempo, dialogar com a economia nacional e global.

Economistas que conheçam a Zona Franca de Manaus e o Polo Industrial de Manaus, mas que também estejam preparados para discutir bioeconomia, economia verde, inovação, infraestrutura, logística, desigualdade regional, desenvolvimento do interior, políticas públicas e sustentabilidade.

Precisamos formar profissionais capazes de olhar para os números sem esquecer das pessoas.

Porque formar um economista não significa apenas entregar um diploma.

Significa preparar um profissional que poderá participar das decisões de empresas, governos e instituições e, consequentemente, influenciar os caminhos do desenvolvimento regional.

Nesse sentido, UFAM, UEA e Universidade Nilton Lins, cada uma com sua história e contribuição, possuem papel relevante na construção do capital humano necessário para o futuro econômico do Amazonas.

Formar bons economistas hoje é também investir no desenvolvimento da Amazônia de amanhã.

A mulher economista e a força da representatividade

Ao falar sobre o futuro da profissão, também é necessário reconhecer a crescente importância da presença feminina na Economia.

Durante muito tempo, assim como ocorreu em diversas outras áreas profissionais, a Economia foi um espaço predominantemente masculino. Essa realidade vem mudando com a presença cada vez maior de mulheres nas universidades, empresas, instituições financeiras, consultorias, órgãos públicos, entidades de classe e espaços de tomada de decisão.

Na visão da economista Bianca de Alencar Mourão, profissional atuante no Amazonas, ampliar a representatividade feminina na Economia significa também ampliar a diversidade de experiências, perspectivas e formas de interpretar os desafios econômicos da sociedade.

A mulher economista ocupa hoje diferentes espaços e demonstra diariamente sua capacidade de contribuir para o planejamento, a gestão, a análise econômica, a formulação de políticas públicas e o desenvolvimento empresarial e regional.

Essa presença precisa ser reconhecida, estimulada e ampliada.

Não se trata apenas de ocupar espaços.

Trata-se de participar efetivamente das decisões.

No Amazonas, mulheres economistas vêm construindo suas trajetórias na iniciativa privada, no setor público, na academia, na consultoria e em diversas outras áreas profissionais, contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social da região.

Para Bianca Mourão, valorizar a participação feminina na profissão também representa incentivar as novas gerações de mulheres que ingressam nos cursos de Ciências Econômicas a compreender que podem ocupar posições de liderança, participar dos grandes debates econômicos e contribuir decisivamente para o futuro do Amazonas e da Amazônia.

A representatividade possui exatamente essa força: quando uma jovem encontra mulheres ocupando espaços profissionais relevantes, ela também consegue enxergar novas possibilidades para sua própria trajetória.

Por isso, falar sobre o Dia do Economista é também falar sobre as mulheres economistas.

Mulheres que estudam, pesquisam, empreendem, ensinam, administram, planejam, analisam e participam das decisões econômicas todos os dias.

O desenvolvimento que defendemos para a Amazônia precisa ser construído com conhecimento, competência e diversidade.

A presença das mulheres economistas não é apenas uma conquista da profissão. É parte essencial da construção de uma Economia mais representativa, moderna e preparada para os desafios do futuro.

O economista como agente do desenvolvimento

O economista não possui respostas mágicas para todos os problemas da sociedade.

Nenhuma profissão possui.

Mas existe algo fundamental em nossa formação: somos preparados para analisar escolhas e suas consequências.

Quando uma empresa decide investir, existe Economia.

Quando um governo define prioridades para seu orçamento, existe Economia.

Quando uma família organiza sua renda, existe Economia.

Quando discutimos emprego, inflação, juros, desenvolvimento, pobreza, indústria, sustentabilidade ou políticas públicas, estamos discutindo Economia.

Quando analisamos se uma indústria deve ampliar sua produção, se determinada política pública gera resultados ou como transformar a biodiversidade amazônica em uma atividade econômica sustentável, também estamos fazendo Economia.

Por isso, valorizar o economista não significa apenas valorizar uma categoria profissional.

Significa reconhecer a importância do planejamento, da análise técnica e da racionalidade econômica nas decisões que afetam a sociedade.

Conclusão — desenvolver é transformar potencial em oportunidades

No Dia do Economista, minha reflexão é especialmente direcionada à Amaz

ônia.

Nossa região possui uma oportunidade histórica.

Temos biodiversidade, recursos naturais, conhecimento científico, uma importante estrutura industrial e uma posição estratégica em um mundo que procura cada vez mais soluções sustentáveis.

Temos também uma Zona Franca de Manaus cujo Polo Industrial movimentou aproximadamente R$ 227,7 bilhões em 2025 e mantém mais de 130 mil empregos diretos.

Esses números mostram a dimensão do que já construímos.

Mas possuir potencial e apresentar crescimento econômico não significam, automaticamente, alcançar o desenvolvimento.

O desenvolvimento acontece quando conseguimos transformar recursos em oportunidades, conhecimento em inovação, investimentos em empregos e crescimento econômico em qualidade de vida.

É justamente essa transformação que precisa orientar o trabalho dos economistas.

A Amazônia do futuro não pode ser construída apenas com discursos sobre suas riquezas.

Precisamos de planejamento.

Precisamos de ciência.

Precisamos de investimentos.

Precisamos de inovação.

Precisamos de sustentabilidade.

E precisamos de profissionais preparados para analisar escolhas, formular estratégias e transformar possibilidades em resultados.

Acredito que o economista é um agente essencial do desenvolvimento.

Porque desenvolver uma região não é simplesmente produzir mais riqueza.

É fazer com que essa riqueza se transforme em emprego, renda, oportunidades e qualidade de vida para as pessoas que nela vivem.

No dia 13 de agosto, portanto, mais do que comemorar nossa profissão, devemos renovar nosso compromisso com a sociedade.

Especialmente nós, economistas da Amazônia.

Ao mesmo tempo em que olhamos para o futuro, precisamos reconhecer a história construída pelos economistas que nos antecederam, valorizar aqueles que hoje conduzem nossas instituições, reconhecer a contribuição das mulheres economistas e incentivar os jovens que começam a escrever os próximos capítulos dessa trajetória.

Cada geração deixa sua contribuição.

Cada geração enfrenta seus próprios desafios.

E cada geração tem a obrigação de preparar o caminho para a próxima.

Temos diante de nós talvez uma das maiores missões econômicas deste século: demonstrar que é possível conciliar crescimento econômico, desenvolvimento social, inovação, industrialização e preservação ambiental.

O futuro da Amazônia não está pronto.

Ele será resultado das escolhas que fizermos hoje.

E fazer boas escolhas é, afinal, a essência da Economia.

Feliz Dia do Economista!

Prof. Doutorando Francisco de Assis Mourão Junior
Economista – CORECON-AM/RR 2204
Coordenador do Curso de Ciências Econômicas – Universidade Nilton Lins
Colunista do Portal Convergente

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🎓 @mouraoconsultoriaeconomica | @universidadeniltonlins

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