O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou nesta terça-feira (5) que o Brasil não possui capacidade militar para enfrentar uma eventual invasão dos Estados Unidos e utilizou o cenário hipotético para defender a ampliação dos investimentos destinados às Forças Armadas.
A declaração foi feita durante a abertura de um evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre descarbonização do setor marítimo, ao abordar a necessidade de garantir maior previsibilidade orçamentária para a área de Defesa.
Ao responder a uma hipótese sobre um eventual conflito com os Estados Unidos, o ministro afirmou que a melhor alternativa seria evitar qualquer confronto, diante da disparidade entre as capacidades militares dos dois países.
“Me perguntaram se os Estados Unidos quisessem invadir o Brasil, o que é que eu faria. Temos que abrir o portão. O Brasil não tem equipamento para enfrentá-lo, nem tem dinheiro para consertar o portão”, declarou.
Durante o discurso, José Múcio destacou que o Brasil destina aproximadamente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) para a área de Defesa, percentual que, segundo ele, é inferior ao observado em diversos outros países. Para o ministro, essa limitação compromete o planejamento de longo prazo, a modernização dos equipamentos militares e o desenvolvimento de novas tecnologias.
Ele argumentou que o fortalecimento da Defesa Nacional não deve ser interpretado como incentivo a conflitos, mas como instrumento de proteção da soberania e de fortalecimento da capacidade de dissuasão do país.
“Investir em Defesa é como um plano de saúde. A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”, afirmou.
Segundo Múcio, a previsibilidade dos recursos é fundamental para que as Forças Armadas possam desenvolver projetos estratégicos e manter programas de modernização, reduzindo a dependência de investimentos pontuais e garantindo maior capacidade operacional.
As declarações ocorrem em um momento de debate sobre o financiamento da Defesa Nacional e de discussões sobre a necessidade de ampliar investimentos em tecnologia, indústria de defesa e equipamentos militares no Brasil.


