As articulações políticas para as eleições ao Governo do Amazonas em 2026 já movimentam os bastidores, com pré-candidatos intensificando negociações para definir seus vices. Enquanto alguns nomes já foram anunciados, outros seguem em aberto, em meio a especulações, estratégias partidárias e movimentações de bastidor.
Omar Aziz já tem vice definida
O senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao governo, foi o primeiro a oficializar um nome para vice. Na última semana, ele anunciou em suas redes sociais a deputada estadual Alessandra Campelo (PSD) como companheira de chapa.

Alessandra se filiou recentemente ao PSD, partido presidido por Omar no Amazonas, movimento interpretado como parte da construção política para fortalecer a pré-candidatura e consolidar alianças dentro da legenda.
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David Almeida mantém indefinição após recuo sobre Shádia Fraxe
No grupo político do ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), o cenário segue indefinido. Nos bastidores, o nome da ex-secretária municipal de Saúde, Shádia Fraxe (Avante), chegou a ser ventilado como possível vice.

Shádia foi exonerada da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) em abril de 2026 para se desincompatibilizar e disputar as eleições. Em entrevista ao portal Fatos Marcantes, a possibilidade foi descartada pelo atual prefeito de Manaus, Renato Junior (Avante), aliado de David Almeida (Avante).
“Esses dias foi, nós montamos uma chapa de federal em que, por exemplo, a doutora Shádia está como candidata, pré-candidata a deputada federal, e já começa alguns burburinhos dizendo que ela pode ser a vice do Davi. O nosso combinado é ela ser candidata a deputada federal. E qualquer movimento contrário disso é, por ventura, conversas e boatos para tentar diminuir ou enfraquecer a nossa chapa de federal”, afirmou.
A declaração esfria, ao menos por ora, as especulações sobre o nome de Shádia na chapa majoritária.
Procurada, a assessoria de David Almeida (Avante) informou que ainda não há definição sobre o vice:
“Essa é uma definição que será feita no momento certo, dentro do calendário eleitoral, até o início de agosto. Agora o foco é consolidar o projeto e dialogar com a população e as lideranças do estado. O nome do vice será resultado desse processo. Neste momento, não há definição e todas as possibilidades seguem em aberto.”
Maria do Carmo tem nomes ventilados, mas decisão segue aberta
No campo da direita, a professora Maria do Carmo (PL) também ainda não definiu seu vice. A pré-candidata tem dois nomes mais citados nos bastidores: o vereador Sargento Salazar (PL) e o vereador Capitão Carpê (PL).
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Em resposta ao portal O Convergente, a assessoria da pré-candidata afirmou que o cenário segue indefinido:
“Não há vice definido. Muitos nomes estão sendo especulados e colocando-se à disposição. Mas é um cenário aberto que será definido em concordância pela pré-candidata e as diretorias nacional e estadual.”
O vereador Capitão Carpê (PL) comentou a possibilidade de compor a chapa:

“É natural que nesse momento o PL esteja avançando nas tratativas pra fechar a chapa do Governo do Amazonas e fico honrado de ter meu nome cogitado nesse sentido. No meu caso estou muito focado no meu mandato de vereador, continuando o trabalho de fiscalização, e na pré-campanha de deputado estadual. Porém a possibilidade de ser candidato a vice-governador não é uma ambição pessoal, mas uma possibilidade de contribuir com meu estado e com um projeto sólido de Amazonas que o PL vem desenhando. Estou preparado para servir ao meu estado em qualquer frente.”
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Roberto Cidade entra no jogo após mudança no cenário político
Outro nome que passou a integrar as articulações é o de Roberto Cidade (União). Ele assumiu o Governo do Amazonas de forma interina após as renúncias do ex-governador Wilson Lima (União) e do ex-vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas), o que alterou o cenário político no estado.

A mudança reposiciona Roberto Cidade no tabuleiro eleitoral. Na manhã desta quarta-feira (15), ele registrou sua chapa ao lado do ex-deputado Serafim Corrêa. Juntos, irão disputar a eleição tampão para o Governo do Amazonas, marcada para o dia 4 de maio.
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Se eleitos, permanecerão no mandato até 6 de janeiro de 2027. Caso vença a eleição indireta, o governador interino deve concorrer à reeleição. No entanto, ainda não há confirmação se manterá Serafim Corrêa como vice nessa nova disputa.
Especialistas analisam critérios legais e estratégias políticas
Para além das articulações de bastidor, especialistas ouvidos pelo portal O Convergente destacam que a escolha do vice envolve tanto critérios legais quanto estratégicos.
A advogada e especialista em direito eleitoral Denise Coêlho explica que, juridicamente, a escolha de um vice não é livre de exigências e precisa obedecer a uma série de requisitos previstos na legislação.

Segundo ela, o candidato deve atender às condições de elegibilidade, como nacionalidade brasileira, pleno exercício dos direitos políticos, alistamento eleitoral e filiação partidária. Além disso, há critérios específicos, como idade mínima de 30 anos para o cargo e a necessidade de domicílio eleitoral na circunscrição.
Denise também chama atenção para prazos importantes do calendário eleitoral, como o período de convenções partidárias, que ocorre entre 20 de julho e 5 de agosto, quando as chapas são oficialmente definidas.
Apesar da movimentação intensa nos bastidores, ela ressalta que a indefinição atual é comum e não representa irregularidade.
“Do ponto de vista jurídico, não há qualquer problema em ainda não haver definição de vice, porque as candidaturas só passam a existir formalmente após as convenções partidárias”, explica.
A especialista destaca ainda que a escolha do vice pode ter impacto direto na viabilidade da candidatura, não apenas no campo político, mas também jurídico.
“A viabilidade eleitoral das candidaturas é diretamente impactada pela escolha do vice, devido ao princípio da indivisibilidade da chapa. Ou seja, a eleição do titular implica automaticamente na eleição do vice. Por isso, qualquer problema jurídico envolvendo o vice pode comprometer toda a candidatura”, pontua.
Já o professor universitário, advogado e articulista político Helso Ribeiro avalia que o cenário atual é marcado por especulações e negociações intensas, típicas do período pré-eleitoral.

Segundo ele, apenas o grupo de Omar Aziz (PSD) apresenta, até o momento, um nome consolidado para vice, enquanto os demais seguem em fase de construção política.
“Muito bate-papo está sendo articulado nos bastidores. No caso do Omar Aziz, já existe uma pré-candidata a vice, que é a Alessandra Campelo. Nos demais casos, são muitos nomes sendo ventilados, mas ainda sem definição”, analisa.
Helson destaca que a escolha do vice é uma decisão estratégica que busca ampliar o alcance eleitoral da chapa.
Entre os fatores considerados, ele aponta o perfil do candidato, a capacidade de agregar votos, a representatividade social e até questões como gênero e posicionamento político.
“O que se espera de um vice é que ele some à candidatura, que agregue votos, simpatia e amplie o alcance do projeto. Muitas vezes, a escolha passa por equilibrar perfis ou atingir determinados nichos do eleitorado”, explica.
Ele também avalia que, no contexto do Amazonas, há uma tendência de priorizar nomes da capital, devido à concentração eleitoral.
Cenário segue aberto até convenções
Apesar das movimentações intensas, o cenário ainda pode mudar significativamente até as convenções partidárias, que ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto. É nesse período que partidos e federações irão oficializar candidaturas e possíveis alianças.
O portal O Convergente entrou em contato com a assessoria do prefeito Renato Junior para detalhar a declaração sobre Shádia Fraxe, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
O vereador Sargento Salazar (PL) também foi procurado, mas não respondeu até a publicação.
A assessoria de Roberto Cidade (União) foi acionada sobre possíveis definições de vice, mas também não houve retorno até o momento.
O espaço segue aberto para manifestações.
Matéria: Francisco Seixas | Revisão jurídica: Letícia Barbosa | Ilustração: Ranyere Frota


