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quarta-feira, junho 12, 2024

“Vão ter que engolir a mulherada”, diz pré-candidata Natália Demes no programa ‘Debate Político’

A pré-candidata a prefeita pelo PSOL foi a convidada da semana da nova temporada do programa Debate Político, apresentado pela CEO da empresa Érica Lima

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No primeiro programa “Debate Político” do mês de junho, O Convergente recebeu, nessa terça-feira (4), a pré-candidata à prefeita de Manaus pelo PSOL Natália Demes, que falou sobre suas ações como militante e o cenário político para o pleito. A nova temporada do programa foi apresentado pela CEO da empresa Érica Lima e exibido pela TV Rede Onda Digital, através do canal 8.2, e pelo canal do Youtube da Rede Onda Digital.

A advogada, ativista e agora pré-candidata a prefeita iniciou a entrevista falando sobre a paixão que sente por Manaus. Natural de Fortaleza, já morou na cidade em duas oportunidades.

“Manaus, acima de tudo, sinto uma conexão com a floresta. Por mais que tenhamos uma urbanização muita grande, o meu sentimento de morar nessa cidade está para morar de uma cidade que está dentro da floresta amazônica […] Voltei por vontade, sou apaixonada pela terra, pelo boi-bumbá, pela cultura, pela comida, pelas pessoas”, disse.

Violência obstétrica

Uma das pautas que é bastante defendida por Demes é a da violência obstétrica. De acordo com ela, a vivência enquanto gestante a fez perceber que era necessário levar essa luta para o meio jurídico.

“A minha vivência enquanto gestante já me colocou para me deparar com profissionais […], já entendendo como você estava, até no seu peso, a proposta era até violenta […]. Com o tempo, eu fui entendendo que certas abordagens eram uma violência”, comentou.

De acordo com ela, o aumento das denúncias de mulheres que sofreram violência obstétrica aumentou com a campanha de conscientização realizada. A advogada integra a ONG Humaniza Coletivo Feminista, que recebe denúncias e busca por justiça para mulheres e famílias vítimas desse tipo de violência.

“Temos visto aumentar as denúncias, muito por conta da conscientização. Um dos trabalhos da Humaniza é também com rodas, com gestantes, com educação popular, para que a violência obstétrica chegue a conhecimento […]. Na melhor das hipóteses eu vou ter uma mulher com seu filho me contando que ela sofreu violência obstétrica, o que já é pior, porque por vezes é a família vindo contando que ela morreu ou que o bebê morreu”, afirmou.

Carreira política

Segundo Natália Demes, o início da carreira política teve início recentemente, em 2020, quando se filiou no PSOL. Antes disso, ela já integrava movimentos ativistas e coordenava ações políticas de partidos, mas nunca havia se filiado em algum deles.

“Eu só me filiei ao PSOL até hoje, desde 2020 que eu sou filiada formalmente. A decisão de vir para um partido político e atuar como dirigente, por exemplo, vem em uma construção de uma política que você se identifica”, afirmou.

De acordo com ela, o PSOL em Manaus tem formado quadros para fortalecer a sigla, tanto no pleito, quanto na imagem do partido. “Estamos em um momento de formação de quadros, já tivemos alguns muito recordados […], temos quadros de professores, e o PSOL se funda com representantes da educação”, enfatizou.

Marcelo Amil

Antes de ser oficializada pré-candidata do partido, Demes protagonizou um conflito interno com Marcelo Amil, que também havia colocado o nome à disposição para o pleito. Como noticiou O Convergente, Amil apresentou ao diretório da executiva estadual do PSOL uma denúncia de irregularidades, tratando-se de uma representação em busca da apuração da conduta da dirigente partidária.

No Debate Político, Natália Demes afirmou que a ação de Marcelo Amil é considerada violência política.  “Temos muito debate para fazer, mas essa linha de atuação de buscar desqualificar uma figura, ainda mais da forma que ele fez com um teor calunioso e propagação de notícia falsa, é preocupante”, afirmou.

Após a repercussão, ela afirmou que entrou com um processo jurídico, além de um processo interno no PSOL, contra Marcelo Amil. “Foram acusações graves e infundadas, não teve um alcance […] Estávamos à disposição para explicar, mas essa insistência em achar que vai dar em qualquer coisa que seja, isso não vai acontecer e vão ter que engolir a mulherada que está vindo para abrir caminho para participação de mulheres na política e que não vão se intimidar com a violência política”, disse.

Partido dos Trabalhadores

Além de falar sobre a sua própria escolha como pré-candidata, Natália Demes também comentou sobre uma situação interna que ocorreu na definição do nome da pré-candidatura do PT, onde existia o nome de Anne Moura, porém, foi anunciado Marcelo Ramos como pré-candidato.

Questionada pela CEO da empresa sobre a opinião quanto à essa questão, Demes afirmou que teria agido da mesma forma que Anne Moura.

“Eu teria feito exatamente o que ela fez. Ela sustentou uma pré-candidatura legítima, de mulher e de esquerda, que estava ali desde 2022 trabalhando […]. Não foi porque ela quis, porque ela resistiu. Se meu partido me diz que é importante manter uma outra pré-candidatura que não é a minha, eu vou entender. Mas a forma como foi feito, em princípio, caracterizou violência política de gênero”, disse.

Jogo das Cartas

Ao participar do Jogo das Cartas, Natália Demes fez o primeiro comentário sobre a gestão do prefeito David Almeida (Avante), que também lançou a pré-candidatura para reeleição do cargo. De acordo com ela, a gestão de Almeida falha no que diz respeito à escuta e transparência.

“Como cidadã, vemos falhas na saúde, educação, estrutura da cidade, vimos poucas praças serem revitalizadas […]. Vemos que é uma organização que se preocupou muito em fazer pinturas, houve pouca escuta da sociedade civil […] Falta escuta, transparência com relação ao que está sendo feito de emergente, como mudanças climáticas […]. Essa falta de transparência e escuta ativa são uma das maiores críticas da Prefeitura de Manaus”, avaliou.

O deputado federal e pré-candidato Alberto Neto (PL) também recebeu avaliações da pré-candidata do PSOL. Em campos opostos de ideais, ela afirmou que Alberto Neto não representa as suas bandeiras e classificou a atuação dele na Câmara Federal com a nota zero.

“Ele não é só oposição contra a esquerda, ele é oposição ferrenha contra as minorias. O projeto que ele representa, vai contra um debate de inclusão e de representatividade […] Não conheço ele como pessoa, não é sobre isso, mas sobre a personalidade que ele tem trazido para o campo político […]. Por não ter nenhum compromisso com as pautas que eu carrego, eu vou dar zero”, disse.

Amom Mandel (Cidadania) foi o outro político comentado por Demes no Jogo das Cartas. Em avaliação à ele, a pré-candidata afirmou que não vê relevância nas pautas defendidas pelo também pré-candidato à prefeito.

“A chegada do Amom foi inesperada, mas não vejo relevância nas próprias pautas que ele traz. Ele crítica bastante, traz um olhar de fiscalização, mas não se posiciona em várias pautas necessárias […]. Vejo uma escada, como político, mas não vejo uma atuação, aproximação com movimento social, com pautas políticas, representa um projeto de direita, por mais que ele não diga ao certo em que campo está”, comentou.

O deputado estadual e pré-candidato a prefeito Roberto Cidade (UB) também recebeu comentários de Demes, que pontuou que o mesmo tem reformulado pautas antigas sustentadas pela direita.

“Ele vem reformulando essas pautas antigas, resolveu vir para o pleito da prefeitura apoiado pelo governador Wilson Lima, que é um governo que temos traumas da forma que foi conduzido durante a pandemia […]. Ao meu ver, é mais uma vez uma ocupação nesse espaço sem relevância”, disse.

Confira a entrevista completa:

Leia mais: “Essa retomada é uma nova fase”, diz Félix Valóis durante programa ‘Debate Político’

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Por Camila Duarte

Foto: Marcus Reis

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