À frente do Governo do Amazonas há três meses, Roberto Cidade (União Brasil) iniciou uma campanha de reeleição marcada pela apresentação de medidas e propostas para diferentes áreas do Estado. Entre os principais desafios enfrentados pela gestão está a saúde pública, tema que tem sido alvo de cobranças recorrentes no Amazonas.
As dificuldades no setor não são exclusivas da atual administração. Em meio às demandas, o governador publicou, nesta sexta-feira (7), em suas redes sociais, o que chamou de “Top 5 saúde”, com cinco melhorias no sistema de saúde.
Na publicação, Cidade afirmou; “Assumi há apenas três meses, mas estou enfrentando problemas antigos, com muita responsabilidade, firmeza, diálogo e serenidade”, declarou.
As ações anunciadas pela gestão estão concentradas em áreas como regularização de pagamentos, realização de mutirões para reduzir a demanda por exames, consultas e cirurgias e obras de infraestrutura em unidades de saúde.
Além de buscar reduzir problemas relacionados ao atendimento, as medidas também passam a integrar a comunicação política de Cidade durante o período que antecede as eleições de 2026.

Para o professor e cientista político Helso Ribeiro, o período de três meses pode ser insuficiente para que a população consiga avaliar mudanças estruturais na área da saúde.
“O bom senso até indica que tem pouco espaço esses três meses para mudanças efetivas”, destaca o especialista.
Segundo Ribeiro, a avaliação sobre os resultados da gestão, no entanto, caberá aos eleitores amazonenses.
“a partir daí cabe ao eleitorado verificar se é para bater palmas ou para vaiar”, conclui.
Apesar do curto período, usuários do sistema público de saúde relatam mudanças no atendimento e na estrutura de algumas unidades.
Alyne Lima, de 38 anos, afirma que acompanhou algumas das medidas implementadas pela gestão de Roberto Cidade e avalia que houve avanços.
“Fui muito bem atendida recentemente em um SPA e senti que houve agilidade nas marcações de consultas. Antes a fila de espera era bem maior e a gente levava mais tempo para ver um especialista”, relatou.
Hector Lucas, de 25 anos, também acompanha a situação da saúde no Estado e destacou a realização dos mutirões.
“Em meu bairro houve carros da saúde, com profissionais atendendo em demanda aqueles que não podem se locomover de suas casas”, contou.
Ele também citou mudanças na estrutura de unidades de atendimento.
“Uma UPA que estava completamente sucateada há quase 20 anos perto de onde trabalho, está totalmente reformada e funcionando”, conta Hector.
Apesar de relatarem avanços no atendimento e na estrutura das unidades, Alyne e Hector também apontaram preocupações relacionadas aos profissionais da saúde, especialmente em relação aos salários e às condições de trabalho.
“percebi uma melhora na estrutura e também na piso salarial dos profissionais que tanto se doam para nos ajudar. Acredito que ainda deve haver reajustes salariais e a capacitação e treinamento de profissionais, para melhor atendimento e cuidado com o cidadão, além de novas tecnologias que facilitem o trabalho dos profissionais”, aponta Hector.
Com três meses de gestão, Roberto Cidade ainda terá pela frente o desafio de transformar as medidas anunciadas em resultados permanentes para a rede pública de saúde. Enquanto o governo destaca ações emergenciais e obras no setor, a avaliação sobre os efeitos dessas iniciativas dependerá da continuidade dos serviços, da redução das filas e das condições oferecidas aos profissionais. Esse cenário também deverá fazer parte do debate eleitoral ao longo dos próximos meses.


