O avanço das obras do Complexo Azulão, no município de Silves, a 204 quilômetros de Manaus, foi destacado pelo vice-governador do Amazonas, Serafim Corrêa, durante visita técnica realizada às instalações do empreendimento nesta semana. Considerado um dos maiores projetos energéticos do país, o complexo reúne investimentos estimados em R$ 5,8 bilhões e deve ampliar a produção nacional de energia a partir do gás natural.
O projeto prevê a operação de três usinas termelétricas capazes de gerar energia suficiente para abastecer aproximadamente 3,7 milhões de residências brasileiras.
Durante a agenda, Serafim afirmou que o empreendimento representa um marco para o setor energético do Amazonas e reforça o papel estratégico do estado no cenário nacional.

“Estou aqui na condição de vice-governador, representando o governador Roberto Cidade, para demonstrar a nossa satisfação com esse empreendimento, que vai levar energia para todo Brasil. Essa produção é algo significativo, significa estabilidade para o sistema energético brasileiro”, declarou.
O vice-governador também relacionou o avanço do setor à abertura do mercado de gás natural no estado após a aprovação da chamada Lei do Gás.
“É uma alegria poder colher os frutos que foram plantados lá atrás com a quebra do monopólio do gás, algo tão significativo e importante para o povo do Amazonas”, acrescentou.
Estrutura reúne geração, tratamento de gás e controle remoto
Durante a visita, Serafim percorreu setores operacionais do complexo, incluindo a Unidade de Tratamento de Gás Natural (UTG), as turbinas responsáveis pela geração de energia e a caldeira de recuperação de vapor utilizada no sistema energético.
A comitiva também conheceu a Sala de Controle do empreendimento, responsável pelo monitoramento remoto de equipamentos, válvulas e máquinas instaladas na planta industrial.

Segundo a empresa, o sistema permite maior segurança operacional, além de mais agilidade no acompanhamento das atividades.
O diretor de operações da Eneva na regional Norte, Alcio Adler, destacou que a parceria com o Governo do Amazonas foi fundamental para a implantação do projeto em Silves.
“Nenhuma empresa consegue fazer um empreendimento dessa magnitude sem que a gente tenha uma segurança jurídica, social e regulatória. Só conseguimos montar toda essa infraestrutura graças a essa parceria com o Governo do Estado”, afirmou.
Ele também ressaltou o apoio estadual em áreas como licenciamento ambiental e regulamentação da exploração de gás natural.
Azulão I deve começar a operar em 2026
O Complexo Azulão é formado por dois grandes empreendimentos complementares: Azulão I e Azulão II.
A Usina Termelétrica Azulão I está em fase final de comissionamento — etapa voltada aos testes técnicos e operacionais antes do início das atividades comerciais. A previsão é que a operação tenha início em agosto de 2026.
Segundo o governo estadual, a entrada em funcionamento da unidade deve fortalecer a segurança energética da região Norte e contribuir para a estabilidade do sistema elétrico brasileiro.

Fotos: Mauro Neto/Secom / Bruno Leão / Vice-governadoria
Já a Azulão II representa a segunda etapa do empreendimento e terá foco na eficiência energética. A expectativa é reduzir o consumo específico de gás natural por unidade de energia gerada, aumentando o desempenho operacional do complexo.
A previsão é que essa segunda unidade entre em operação em julho de 2027.
Lei do Gás impulsionou novos investimentos no Amazonas
Desde a promulgação da Lei do Gás, em março de 2021, o Amazonas passou a adotar um novo marco regulatório voltado à abertura do mercado estadual para investimentos privados.
Com isso, projetos ligados à exploração e geração de energia a partir do gás natural passaram a ganhar espaço no interior do estado.
O Governo do Amazonas afirma que Silves se consolidou como sede do maior projeto onshore de gás natural do país e passou a ocupar posição estratégica no setor energético nacional.
Além dos impactos na geração de energia, o empreendimento também impulsionou novas oportunidades econômicas e profissionais para moradores da região.
Formação técnica e empreendedorismo no interior
Em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), o projeto também abriu espaço para qualificação profissional voltada à cadeia do gás natural.
Em agosto de 2025, foram formadas as primeiras turmas dos cursos técnicos criados para atender às demandas do setor energético no interior do estado.
Ao todo, 81 alunos concluíram capacitações nas áreas de Sistemas a Gás, Eletromecânica e Agropecuária. Os participantes receberam bolsa mensal de R$ 1.300 custeada pela Eneva.
Segundo o governo, pelo menos 27 formados já foram contratados pela empresa.
Além disso, o programa “Elas Empreendedoras”, desenvolvido pela Eneva, oferece capacitação para mulheres interessadas em abrir ou expandir negócios próprios nas comunidades impactadas pelo projeto energético.
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