O vazamento do trailer de “Dark Horse”, filme inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, provocou forte repercussão nas redes sociais nos últimos dias. A produção, que ainda não teve estreia oficial anunciada no Brasil, chamou atenção não apenas pelo tom cinematográfico e pela dramatização da campanha presidencial de 2018, mas principalmente por um detalhe que virou alvo de debates: o trailer foi divulgado majoritariamente em inglês.
A prévia apresenta atores internacionais interpretando personagens ligados ao núcleo político e familiar de Bolsonaro, além de reproduzir frases conhecidas do ex-presidente traduzidas para o inglês, como “Brazil above everything, God above all”, adaptação do slogan “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”.
Nas redes sociais, usuários questionaram o motivo de um filme centrado em um ex-presidente brasileiro ter sido lançado inicialmente em inglês, levantando hipóteses sobre uma possível estratégia para atingir o mercado conservador internacional, especialmente nos Estados Unidos. Outros internautas apontaram que o formato aproxima o projeto de produções políticas norte-americanas com narrativa heroica e estética de suspense.
O longa ganhou ainda mais notoriedade por contar com o ator Jim Caviezel, conhecido mundialmente por interpretar Jesus Cristo no filme “A Paixão de Cristo”. Segundo reportagens publicadas pela imprensa nacional, a produção acompanha a ascensão política de Bolsonaro e inclui referências ao atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018.
Filme entra no centro de crise política envolvendo Flávio Bolsonaro
Além das discussões sobre o idioma do trailer e o tom da narrativa, “Dark Horse” também passou a ocupar espaço no centro de uma crise política envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o caso do Banco Master.
Nos últimos dias, vieram à tona informações sobre negociações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro. Reportagens publicadas por veículos nacionais e internacionais apontam que o senador teria buscado apoio financeiro milionário para viabilizar a produção cinematográfica.
A polêmica aumentou após a divulgação de áudios e mensagens que indicariam cobranças relacionadas ao repasse de recursos para o projeto audiovisual. Em meio à repercussão, Flávio Bolsonaro confirmou contatos com Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade e afirmou que as tratativas ocorreram dentro de um modelo de “patrocínio privado”.
O caso ganhou dimensão política porque Daniel Vorcaro é alvo de investigações relacionadas ao colapso do Banco Master e a suspeitas de fraudes financeiras. A oposição passou a pressionar pela abertura de investigações parlamentares para apurar possíveis conexões entre o banqueiro, o financiamento do filme e figuras públicas ligadas ao bolsonarismo.
Produção divide opiniões antes mesmo da estreia
Enquanto apoiadores de Bolsonaro enxergam “Dark Horse” como uma tentativa de retratar a visão conservadora sobre os acontecimentos políticos do país, críticos apontam que o filme pode funcionar como peça de propaganda política em ano pré-eleitoral.
Especialistas em comunicação política observam que o uso do inglês no trailer pode ter sido pensado para ampliar o alcance internacional do projeto e aproximar a imagem de Bolsonaro de movimentos conservadores globais ligados à direita norte-americana.
Mesmo sem lançamento oficial nos cinemas, o vazamento do trailer já transformou o filme em um dos assuntos políticos e culturais mais comentados da semana no Brasil.
📲 Quer receber as principais notícias direto no WhatsApp? Acesse o canal do O Convergente e acompanhe informação com agilidade, credibilidade e conexão com os fatos.


