Após 16 anos consecutivos no poder, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, reconheceu neste domingo (12) a derrota nas eleições nacionais para o opositor Peter Magyar. O resultado marca uma virada política significativa no país.
Em discurso a apoiadores, Orbán admitiu o revés: “O resultado da eleição é claro e doloroso”. Segundo Magyar, o próprio premiê telefonou para conceder a derrota. “Viktor Orbán acabou de me ligar e nos parabenizou pela nossa vitória”, afirmou.
Na capital Budapeste, o líder oposicionista comemorou o resultado e declarou: “Juntos, libertamos a Hungria e nos livramos do regime de Orbán”. Ele também disse que “o amor venceu hoje, porque o amor sempre vence”, e agradeceu aos eleitores por “não terem tido medo”.
Com 96,37% dos votos apurados, projeções indicam que o partido Tisza, fundado por Magyar, deve conquistar 138 cadeiras no Parlamento, contra 55 do Fidesz, legenda de Orbán. Caso confirmado, o resultado garante à oposição mais de dois terços das cadeiras, número suficiente para promover mudanças constitucionais.
Mesmo derrotado, Orbán tentou mobilizar sua base ao afirmar que o grupo precisa se reorganizar: “Não temos o peso de governar o país, então temos de reconstruir nossas comunidades”. Ele acrescentou: “Nós nunca desistimos, isso é algo que as pessoas sabem sobre nós: nunca desistimos. Os dias que virão serão para curar nossas feridas”.
A eleição também teve repercussão internacional. Orbán contou com o apoio de lideranças como Donald Trump e Vladimir Putin. Durante a campanha, Trump declarou: “Eu amo a Hungria e amo Viktor. Eu digo a vocês que ele é um homem fantástico”. E completou: “Sou um grande fã de Viktor e estou com ele até o fim”.
Após a confirmação do resultado, líderes europeus parabenizaram Magyar. A presidente da Comissão Europeia afirmou nas redes sociais: “O coração da Europa está batendo mais forte na Hungria esta noite. A Hungria escolheu a Europa. A Europa sempre escolheu a Hungria”.
Outros chefes de governo também se manifestaram, destacando o resultado como um marco para a democracia europeia e para o fortalecimento da União Europeia.
Quem é Peter Magyar

Peter Magyar, de 45 anos, é ex-integrante do Fidesz, partido de Orbán. Ele deixou a legenda em fevereiro de 2024, após denunciar práticas de corrupção e fundou o Tisza, partido que liderou a vitória eleitoral.
Advogado formado em Budapeste e ex-diplomata, Magyar construiu sua campanha com foco em temas internos, como saúde, educação e desenvolvimento regional. Nos últimos dois anos, percorreu o interior do país em busca de apoio popular.
Durante a campanha, também prometeu rever acordos com a Rússia e reposicionar a Hungria no cenário internacional, com maior aproximação da União Europeia e da Otan.
Apesar da vitória, sua trajetória política recente foi marcada por controvérsias, incluindo acusações pessoais feitas por sua ex-esposa, que ele nega.
Repercussão no Brasil
A derrota de Orbán também repercutiu no Brasil, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro mantém proximidade política com o líder húngaro. Em visita a Budapeste, em 2022, Bolsonaro chegou a afirmar: “Prezado Orbán, trato como irmão, dada a afinidade que temos na defesa dos nossos povos”.
A relação entre os dois continuou nos anos seguintes, inclusive com manifestações públicas de apoio de Orbán ao ex-presidente brasileiro.
*Com informações da BBC Brasil


