Sucessão no Amazonas pode colocar Roberto Cidade no centro da disputa pelo governo

Constituição prevê eleição indireta caso presidente da Aleam assuma governo na reta final do mandato

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Com o Amazonas sendo governado temporariamente, em cenários de vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador, a Constituição do Amazonas estabelece que o comando do Executivo estadual passa, de forma interina, ao presidente da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

Ao assumir o cargo, o presidente da Aleam passa a exercer plenamente as funções de governador, ainda que de forma temporária. Na prática, ele pode editar decretos, nomear auxiliares, conduzir políticas públicas e garantir o funcionamento da máquina estadual. Trata-se, porém, de uma gestão de transição, com foco na estabilidade institucional até a definição de um novo titular definitivo.

A Constituição prevê ainda que, caso a vacância ocorra nos últimos dois anos do mandato, a escolha do novo governador será feita por meio de eleição indireta. Nesse modelo, os deputados estaduais assumem o papel de eleitores e votam entre os candidatos habilitados, em um processo conduzido dentro da própria Aleam. O eleito assume o governo até o fim do mandato, sem a realização de voto popular.

Esse tipo de eleição costuma intensificar as movimentações de bastidores. Como o resultado depende diretamente da maioria parlamentar, alianças políticas, negociações partidárias e acordos internos ganham protagonismo. Nesse cenário, o presidente da Assembleia tende a largar em posição estratégica, por já manter diálogo direto com os parlamentares e influência sobre a dinâmica legislativa.

Caso seja escolhido em uma eventual eleição indireta, Roberto Cidade poderá, sim, disputar as eleições de 2026. A legislação eleitoral permite que quem assume o governo, ainda que de forma indireta, concorra posteriormente, seja à reeleição ou a outros cargos. No entanto, há um legislação que para disputar qualquer cargo eletivo, será necessário renunciar ao posto de governador até seis meses antes do pleito, conforme as regras de desincompatibilização.

O cenário, portanto, combina rito constitucional com forte componente político, em que a sucessão ao governo passa tanto pelas normas legais quanto pela capacidade de articulação nos bastidores da Assembleia.

Leia mais: Virada no poder: Roberto Cidade assume o comando do Amazonas após renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza

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