O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anuncia nesta segunda-feira (30), às 16h, em São Paulo, que será o pré-candidato do PSD à Presidência da República. Aos 76 anos, esta será a segunda tentativa de disputar o cargo, a primeira ocorreu em 1989, quando ficou em décimo lugar na eleição realizada após a redemocratização do país.
O anúncio deve encerrar um princípio de crise interna na legenda, que tradicionalmente evita divisões. A definição ocorre após uma disputa velada entre lideranças do partido e mudanças no cenário político nas últimas semanas.
Disputa interna e desistência de Ratinho Junior
A corrida interna do PSD ganhou novos contornos após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, na última quarta-feira (25). Ele era considerado o favorito do presidente da sigla, Gilberto Kassab, e liderava as pesquisas internas, ainda que com vantagem pequena.
Em janeiro, Kassab reuniu Caiado, Ratinho Junior e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, em um acordo: dois abririam mão da candidatura em favor daquele melhor posicionado nas pesquisas.
Ratinho Junior, porém, deixou a disputa por uma combinação de fatores, incluindo pressão familiar. Ao longo da semana, circularam diferentes versões sobre sua saída, como receio de derrota, possíveis impactos de investigações relacionadas ao chamado caso Master e estratégias políticas no Paraná, incluindo o cenário eleitoral envolvendo Sergio Moro.
Avanço de Caiado e resistência de Eduardo Leite
Com a saída do paranaense, Caiado passou a ser visto como o nome natural dentro do PSD, principalmente pela experiência política e pela forte ligação com o agronegócio no Centro-Oeste. Segundo o ex-senador Jorge Bornhausen, o governador goiano já era apontado como preferência do conselho político do partido.
Mesmo assim, Eduardo Leite tentou se manter na disputa e buscou se apresentar como uma alternativa de centro. O governador gaúcho recebeu apoio de economistas ligados ao antigo PSDB, partido pelo qual disputou a Presidência em 2022 sem sucesso.
Nos bastidores, parte da sigla avaliou que o movimento de Leite poderia ser estratégico para fortalecer sua posição política. Ainda assim, o PSD decidiu antecipar a definição antes do prazo final de 4 de abril, data limite para desincompatibilização de cargos públicos para quem pretende concorrer.
O futuro de Leite segue indefinido. Há a possibilidade de ele compor como vice na chapa de Caiado, embora tenha sinalizado resistência à ideia. No cenário estadual, o PSD deve lançar o deputado Frederico Antunes ao Senado pelo Rio Grande do Sul.
Desafio eleitoral e cenário polarizado
Caiado terá pela frente o desafio de viabilizar sua candidatura até a convenção partidária, prevista para o meio do ano. A estratégia de lançar um nome de centro pelo PSD perde força diante do perfil mais à direita do governador.
Sua trajetória política reforça esse posicionamento. Em 1989, foi candidato pela União Democrática Ruralista, de perfil conservador. Ao longo da carreira, foi deputado federal por dois mandatos, senador e, posteriormente, eleito governador de Goiás em 2018, sendo reeleito em 2022.
Nos últimos anos, Caiado se aproximou do bolsonarismo, o que pode dificultar a tentativa de ampliar seu eleitorado além desse campo político. Ele disputará espaço com Flávio Bolsonaro, apontado como candidato no mesmo espectro e já consolidado na corrida presidencial.


