Mapa político dos EUA muda e deixa Trump diante de Congresso democrata

Democratas assumem Congresso e prometem ampliar fiscalização sobre governo Trump

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A mudança no Congresso ocorre após uma série de vitórias expressivas dos democratas em estados que historicamente votam no Partido Republicano. No Kansas, os eleitores escolheram o primeiro senador democrata em quase um século. Na Carolina do Sul, estado vencido por Trump por uma diferença de quase 18 pontos percentuais em 2024, os democratas derrotaram a candidata republicana apoiada pelo presidente.

No Texas, considerado um dos principais redutos conservadores do país, o democrata James Talarico venceu a disputa pelo Senado contra o republicano Ken Paxton. O resultado encerrou uma sequência de 38 anos sem vitórias democratas para o Senado no estado. Na disputa pelo governo estadual, Gina Hinojosa derrotou o então governador Greg Abbott, que buscava um quarto mandato, e se tornou a primeira mulher latina a ocupar o cargo no Texas.

Governo dividido em Washington

Com a nova composição, os democratas terão condições de ampliar a fiscalização sobre o Executivo e dificultar a aprovação de propostas da administração Trump. A expectativa é que a maioria partidária utilize o poder legislativo para abrir investigações sobre integrantes do governo, familiares do presidente e aliados políticos.

No Senado, o controle democrata também permitirá barrar ou atrasar indicações feitas por Trump para cargos federais, inclusive eventuais nomeações para a Suprema Corte dos Estados Unidos, caso uma vaga seja aberta. A nova configuração representa uma mudança em relação aos últimos dois anos, período em que os republicanos controlaram o Congresso e ofereceram pouca resistência à agenda presidencial.

O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que o resultado representa uma transformação no cenário político norte-americano e uma demonstração de que os eleitores desejam mudanças.

“Há agora uma reformulação geracional do mapa do Senado que vai mudar os Estados Unidos”, declarou. “Os norte-americanos votaram pela mudança, e agora os democratas devem cumprir o prometido.”

Insatisfação com Trump

A votação foi influenciada por fatores econômicos e políticos, entre eles o aumento do custo de vida, a insatisfação com a condução do governo e a oposição à guerra contra o Irã. A insatisfação alcançou estados que haviam apoiado Trump na eleição presidencial de 2024, ampliando o alcance das vitórias democratas.

Impedido pela Constituição de disputar um terceiro mandato presidencial, Trump também passa a enfrentar um cenário de maior disputa interna pela sucessão republicana, com a aproximação da eleição presidencial de 2028.

Apesar das preocupações de setores democratas sobre uma possível contestação dos resultados, o presidente reconheceu a vitória dos adversários e os parabenizou em entrevista à Fox News. Trump também afirmou que pretende trabalhar com a oposição em temas como imigração, mas advertiu que poderá vetar projetos de lei que considerar inadequados.

Os novos parlamentares assumirão os cargos em janeiro de 2027. Até lá, a transição da composição do Congresso deverá definir as prioridades da oposição e os próximos embates entre o Legislativo e a Casa Branca.

*Com informações da Agência Brasil

Leia mais: Falhas, notícias falsas e tensão migratória marcam eleições de meio de mandato nos EUA

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