As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3), ocorrem em meio a problemas pontuais em locais de votação, circulação de informações falsas e preocupações com possíveis intimidações de eleitores de origem imigrante. Embora a votação tenha começado sem grandes interrupções na maior parte do país, ocorrências técnicas, condições climáticas e a atuação de órgãos federais colocaram a segurança e o acesso às urnas no centro das discussões.
Um dos episódios registrados ocorreu na Carolina do Norte, onde quatro condados — Wilson, Hertford, Gates e Lenoir — apresentaram problemas técnicos na abertura dos locais de votação. Segundo informações divulgadas pela emissora ABC11, as falhas foram solucionadas, mas o Conselho Estadual de Eleições anunciou que discutiria a possibilidade de estender o horário de funcionamento das urnas para além das 19h30, horário previsto para o encerramento da votação no estado. Até a atualização consultada, não havia confirmação de uma decisão sobre a extensão.
Na Flórida, eleitores do condado de Broward enfrentaram um atraso de aproximadamente 20 minutos na abertura de algumas seções devido a uma falha em um novo recurso de segurança do sistema de votação. O problema foi resolvido às 7h20, segundo autoridades eleitorais locais. Além disso, fortes chuvas e alagamentos provocaram alterações de última hora em locais de votação de oito condados do estado.
Mensagens falsas circulam nas redes sociais
Outro desafio enfrentado pelas autoridades eleitorais é a disseminação de informações falsas sobre os procedimentos de votação. Uma verificação publicada pela Associated Press identificou conteúdos que alegavam, sem fundamento, que cédulas eleitorais da Califórnia teriam sido manipuladas e que eleitores de Nova York estariam recebendo documentos sem candidatos de determinados partidos.
Também circularam publicações afirmando que máquinas de votação estariam alterando os votos registrados pelos eleitores. Segundo autoridades eleitorais e especialistas ouvidos pela agência, os casos relatados estavam relacionados, em geral, a erros de utilização ou à necessidade de calibração das telas, sem evidências de um problema generalizado de alteração de votos.
As autoridades orientam os eleitores a consultar os canais oficiais dos órgãos eleitorais estaduais e locais para confirmar endereços, horários e regras de votação, evitando compartilhar mensagens sem comprovação.
Mensagens do ICE ampliam preocupação entre imigrantes
A atuação do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) também está no centro das preocupações durante o pleito. Nesta terça-feira, a agência publicou uma mensagem na rede social X afirmando que pessoas que votarem ilegalmente serão rastreadas, presas e processadas.
A publicação ocorreu em meio a questionamentos de organizações de direitos civis sobre a possibilidade de agentes federais atuarem nas proximidades dos locais de votação. O governo norte-americano, por sua vez, afirmou que agentes do ICE e do FBI não exerceriam funções de fiscalização eleitoral nas urnas.
A preocupação envolve especialmente cidadãos naturalizados e comunidades latinas, que podem temer abordagens relacionadas à situação migratória. A legislação federal proíbe que não cidadãos votem em eleições federais, mas cidadãos norte-americanos naturalizados têm direito ao voto. Organizações de defesa dos direitos civis alertam que mensagens sobre investigações migratórias e possíveis ações de agentes federais podem gerar receio entre eleitores legalmente habilitados.
Em reportagem publicada em 1º de novembro, a emissora pública WUSF informou que relatos sobre a presença de agentes migratórios próximos a locais de votação na Flórida provocaram apreensão. Em Tallahassee, veículos da Patrulha de Fronteira foram vistos nas proximidades de um ponto de votação antecipada. Após apuração, o supervisor eleitoral do condado de Leon informou que os agentes estavam no local para votar, e não para realizar uma operação.
Em Key Largo, também houve relato de uma ação de agentes mascarados nas proximidades de um local de votação, situação que foi investigada pela autoridade eleitoral do condado de Monroe. A reportagem destacou que, até aquele momento, não havia evidências de uma operação coordenada para intimidar eleitores nos locais de votação da Flórida.
Investigação sobre eleitores não cidadãos
A pressão sobre o tema migratório também aparece nas medidas adotadas pelo governo do presidente Donald Trump. De acordo com informações divulgadas pelo UOL com base em apuração da Reuters, autoridades federais solicitaram dados eleitorais de pelo menos 13 estados e enviaram mais de 100 intimações para obter registros de dezenas de milhares de pessoas, sob a justificativa de investigar possíveis votos de não cidadãos.
O Departamento de Justiça informou ter acusado pelo menos 147 pessoas de votar ilegalmente. Especialistas ouvidos pela Reuters, no entanto, afirmaram que os casos são raros e questionaram a dimensão das irregularidades investigadas. Organizações civis também manifestaram preocupação com o possível efeito dessas medidas sobre eleitores naturalizados e comunidades imigrantes.
As eleições de meio de mandato definem a composição da Câmara dos Representantes e parte do Senado, além de disputas estaduais e locais. O pleito deste ano ocorre sob atenção ampliada sobre a segurança do processo eleitoral, a circulação de desinformação e a garantia de que eleitores habilitados possam exercer o direito ao voto sem intimidação.
*Com informações da CNN
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