Eleições de meio de mandato podem mudar forças políticas no Congresso dos EUA

Midterms nos EUA colocam controle do Congresso em disputa e testam governo Trump

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Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3) para as eleições de meio de mandato, conhecidas como Midterms. O pleito definirá a composição da Câmara dos Representantes, a renovação de parte do Senado e a escolha de governadores em 36 estados. Embora não envolva a disputa pela Presidência, a votação é considerada um importante teste político para o governo de Donald Trump, que enfrenta índices baixos de aprovação e o desafio de manter a maioria republicana no Congresso.

Realizadas a cada quatro anos, na metade do mandato presidencial, as Midterms costumam registrar participação inferior à das eleições presidenciais. Ainda assim, a expectativa é de que mais de 100 milhões de pessoas votem neste ano, caso o comparecimento se aproxime do registrado em 2022. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório.

A dimensão da disputa também aparece nos gastos de campanha. Até 12 de outubro, as despesas com anúncios políticos veiculados já haviam alcançado US$ 3,8 bilhões, aproximadamente R$ 19 bilhões, segundo a AdImpact, empresa que monitora a publicidade eleitoral. Os maiores investimentos estavam concentrados em disputas acirradas para o Senado nos estados do Texas, Ohio e Michigan.

Outro destaque é a participação de grandes financiadores. O bilionário Elon Musk, proprietário da Tesla e aliado de Trump, destinou cerca de US$ 400 milhões, o equivalente a R$ 2,1 bilhões, em apoio a candidatos republicanos, conforme registros de financiamento de campanha.

Apesar da expectativa de mobilização, o comparecimento costuma ser menor do que nas eleições presidenciais. Em 2024, mais de 155 milhões de votos foram contabilizados na disputa pela Casa Branca.

Controle do Congresso está em jogo

A principal disputa das Midterms será pelo controle das duas casas legislativas. Atualmente, os republicanos possuem maioria na Câmara dos Representantes, com 218 cadeiras contra 214 dos democratas. Há ainda duas vagas em aberto e um parlamentar independente que costuma alinhar seus votos aos republicanos. Para assumir o comando da Casa, a oposição precisa conquistar um saldo líquido de quatro assentos.

No Senado, os republicanos também têm maioria, com 53 das 100 cadeiras. Os democratas precisam conquistar quatro vagas para alcançar o controle da Casa. Cerca de dez disputas são consideradas especialmente importantes para definir o resultado, entre elas as realizadas no Maine, Ohio, Carolina do Norte, Iowa e Geórgia.

Além do Congresso, a votação inclui eleições para governador em 36 dos 50 estados norte-americanos e disputas por vagas nos legislativos estaduais. De acordo com dados do Ballotpedia, os republicanos detêm atualmente cerca de 55% das cadeiras nesses órgãos, enquanto os democratas concentram 43,8%.

Resultado pode afetar a gestão de Trump

Embora o presidente não esteja na cédula, as Midterms costumam funcionar como uma avaliação do partido que ocupa a Casa Branca. Quando o eleitorado demonstra insatisfação com o governo, o resultado pode reduzir a força política do presidente e dificultar a aprovação de projetos no Congresso.

No cenário de 2026, Trump e os republicanos enfrentam o desafio de defender as maiorias conquistadas nas duas casas legislativas. Uma eventual vitória democrata na Câmara, por exemplo, permitiria à oposição assumir o comando das comissões e ampliar a fiscalização sobre ações do governo e de integrantes da administração.

Os resultados também podem influenciar os movimentos políticos de olho na eleição presidencial de 2028. O desempenho dos partidos e as pautas que mobilizarem o eleitorado poderão servir de referência para futuros candidatos e estratégias de campanha.

Pesquisas apontam desgaste do governo

A avaliação de Trump aparece entre os principais fatores que cercam a disputa. Pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 26 de outubro apontou aprovação de 32% ao presidente. No levantamento sobre a preferência partidária para o Congresso, os democratas tinham vantagem de 47% a 36% entre eleitores registrados. Entre os eleitores considerados propensos a votar, a diferença também favorecia a oposição, por 53% a 44%.

A economia, especialmente o custo de vida e a alta dos preços, está entre os temas que podem influenciar o voto. A insatisfação com a situação econômica pode representar um obstáculo para os republicanos, assim como as divergências em torno das políticas migratórias do governo.

Também há sinais de maior entusiasmo entre eleitores democratas para participar da votação. Parte dos eleitores latinos que apoiou Trump em 2024 pode estar reconsiderando esse apoio, em meio à frustração com a economia e com medidas de controle da imigração.

Apesar dos indicadores favoráveis à oposição, uma vitória expressiva dos democratas não é considerada garantida. Os republicanos podem se beneficiar da capacidade de investimento em campanhas, da desconfiança de parte do eleitorado em relação aos democratas e das disputas internas envolvendo setores mais à esquerda do partido.

Histórico mostra perdas para partidos no poder

O histórico recente das eleições de meio de mandato demonstra como o resultado pode alterar a correlação de forças em Washington.

Em 2010, durante a Presidência do democrata Barack Obama, os republicanos conquistaram 63 cadeiras adicionais na Câmara dos Representantes. O resultado ocorreu em meio a dificuldades econômicas e à resistência de parte do eleitorado à reforma do sistema de saúde defendida pelo governo. Com a derrota, os democratas perderam o controle da Câmara, embora tenham mantido a maioria no Senado, apesar de perderem seis assentos.

Oito anos depois, em 2018, foi a vez de Donald Trump enfrentar uma derrota nas Midterms. Naquele ano, os democratas conquistaram um saldo positivo de 40 cadeiras na Câmara, retomando o controle da Casa. No Senado, porém, o partido perdeu duas vagas.

Quem pode comandar a Câmara?

Caso os democratas conquistem a maioria na Câmara dos Representantes, o deputado Hakeem Jeffries, de Nova York, atual líder da minoria, é apontado como possível nome para assumir a presidência da Casa. Se eleito, ele se tornaria o primeiro homem negro a ocupar o cargo.

Jeffries já declarou que os democratas pretendem ampliar a fiscalização sobre o governo Trump e investigar o que classifica como irregularidades na administração. Entre as prioridades legislativas anunciadas pelo partido estão medidas para reduzir os custos de saúde, alimentação, moradia e energia.

Se os republicanos mantiverem a maioria, o atual presidente da Câmara, Mike Johnson, poderá permanecer no posto, embora também possa enfrentar disputas internas pela liderança.

Entre as prioridades republicanas estão a continuidade da agenda econômica de Trump, com propostas de cortes de impostos, ampliação dos gastos com Defesa e mudanças em programas de proteção social, seguindo as diretrizes do pacote legislativo conhecido como One Big Beautiful Bill.

Disputas estaduais e questionamentos sobre o processo eleitoral

Além das corridas pelo Congresso, algumas disputas para a Câmara dos Representantes também estão no centro das atenções. Em Nova York, o republicano Mike Lawler tenta a reeleição em um distrito que teve maioria de votos para a democrata Kamala Harris na eleição presidencial de 2024. Na Pensilvânia e em Nova Jersey, os democratas também buscam conquistar cadeiras atualmente ocupadas por republicanos.

Outro ponto de atenção envolve a possibilidade de questionamentos sobre a condução do processo eleitoral. Desde a eleição de 2020, Trump tem colocado em dúvida a confiabilidade do sistema eleitoral norte-americano e alegado, sem apresentar provas, a existência de fraude generalizada.

Nos Estados Unidos, as eleições são organizadas e administradas pelos estados. Autoridades eleitorais e integrantes do Partido Democrata têm se preparado para possíveis disputas judiciais caso haja tentativas de interferência federal no processo.

Com a votação marcada para 3 de novembro, o resultado das Midterms deverá definir não apenas a composição do Congresso, mas também o espaço político que Trump terá para conduzir sua agenda até o fim do mandato.

*Com informações da CNN

Leia mais: Trump x Obama: duelo explode na reta final das eleições dos EUA e transforma campanha em batalha política

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