Mesmo sem disputar cargo, Barack Obama entrou de vez na campanha para tentar frear Donald Trump. O presidente respondeu com ataques nas redes sociais e nos palanques, enquanto os Estados Unidos entram nos últimos dias de uma eleição que pode mudar o controle do Congresso.
A reta final das eleições legislativas dos Estados Unidos ganhou contornos de confronto entre dois presidentes.
De um lado, Donald Trump, atual presidente e principal cabo eleitoral dos republicanos. Do outro, Barack Obama, que voltou aos palanques para mobilizar o eleitorado democrata e passou a fazer algumas das críticas mais duras contra Trump desde o início do segundo mandato do republicano.
Nesta quarta-feira, 28 de outubro, os dois estiveram simultaneamente em campanha em Estados considerados importantes para a disputa. Trump foi a Ohio, enquanto Obama participou de um ato na Geórgia.
Apesar de nenhum dos dois estar concorrendo, a eleição de 3 de novembro de 2026 definirá o controle do Congresso americano e, consequentemente, a capacidade de Trump governar durante os dois anos finais de seu mandato. Estão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. (Reuters)
Obama volta ao ataque
Obama intensificou sua participação na campanha democrata nos últimos dias.
Em atos realizados em Ohio, Michigan e agora na Geórgia, o ex-presidente passou a atacar diretamente a administração Trump, levantando temas como custo de vida, tarifas comerciais, guerra com o Irã, comportamento presidencial e denúncias envolvendo conflitos entre interesses públicos e privados.
Em Michigan, Obama apresentou a eleição legislativa como uma espécie de “disjuntor” político, defendendo que uma vitória democrata serviria para impor maior fiscalização ao governo Trump.
Na quarta-feira, durante ato próximo a Atlanta em apoio ao senador democrata Jon Ossoff, Obama ampliou o discurso.
“Há um componente moral nas escolhas que enfrentamos agora”, afirmou o ex-presidente.
Obama argumentou que questões como respeito às instituições, comportamento dos governantes e responsabilidade pública também estão sendo submetidas ao julgamento das urnas conforme noticiou Reuters.
Até a decoração da Casa Branca entrou na guerra
Um dos episódios que mais repercutiram nas redes sociais começou depois que Obama ironizou as mudanças promovidas por Trump na Casa Branca.
Durante um comício em Cleveland, o democrata fez uma comparação entre a decoração dourada adotada pelo atual presidente e o estilo extravagante atribuído ao regime do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein.
A fala viralizou e Trump resolveu responder.
O presidente americano defendeu as reformas e afirmou que a Casa Branca precisava ser recuperada e preservada por representar um dos maiores símbolos dos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira, voltou ao assunto e afirmou que a residência presidencial está agora “mais bonita do que nunca”.
Obama, por sua vez, ironizou a dimensão que a discussão ganhou.
No novo ato na Geórgia, afirmou que o governo estaria dedicando energia à polêmica enquanto problemas econômicos continuam afetando a população americana.
“Essas não são pessoas sérias. Elas não têm soluções para problemas reais”, afirmou.
Trump usa as redes para atacar Obama
O confronto não ficou restrito aos palanques.
Na Truth Social, plataforma utilizada frequentemente pelo presidente americano, Trump chamou Obama de “presidente grosseiramente incompetente” depois das primeiras críticas do democrata.
O republicano também retomou o acordo nuclear negociado entre Estados Unidos e Irã durante o governo Obama e voltou a atacar candidatos democratas apoiados pelo ex-presidente segundo noticiado pela CNN Brasil.
A publicação evidencia uma estratégia já conhecida de Trump: responder diretamente aos adversários nas redes sociais e transformar críticas recebidas em novos temas de mobilização de sua base.
Obama, que possui uma das maiores audiências políticas do mundo nas plataformas digitais, também vem utilizando seus canais e os eventos de campanha para estimular participação eleitoral e reforçar a mensagem de que a eleição legislativa representa um julgamento sobre os rumos do governo.
O que realmente está em jogo?
Muito mais do que uma troca de provocações.
A eleição de meio de mandato pode alterar profundamente a relação de forças em Washington.
Os republicanos atualmente possuem vantagem de 53 a 47 no Senado, mas enfrentam disputas competitivas em diversos Estados. Na Câmara, análises independentes citadas pela Reuters apontam vantagem dos democratas na corrida pelo controle da Casa, enquanto o Senado permanece mais imprevisível conforme Reuters.
Cerca de 40 milhões de americanos já haviam votado antecipadamente até esta semana, segundo dados compilados pelo Election Lab da Universidade da Flórida citados pela Reuters.
O resultado poderá determinar se Trump continuará governando com apoio do Congresso ou passará a enfrentar uma oposição com maior capacidade de bloquear projetos, abrir investigações e intensificar a fiscalização sobre a Casa Branca.
Trump mobiliza sua base; Obama tenta provocar reação democrata
A estratégia dos dois também é diferente.
Trump realizou mais de 20 atos somente em outubro, segundo levantamento da Associated Press, concentrando parte de sua agenda em Estados onde possui forte apoio eleitoral.
Obama surge como principal personagem nacional utilizado pelos democratas para tentar aumentar a participação de eleitores progressistas, independentes e grupos que tradicionalmente compõem a base do partido.
A Reuters destaca que o ex-presidente permaneceu relativamente discreto durante grande parte da campanha, mas passou a fazer discursos muito mais contundentes justamente na semana decisiva.
Uma prévia de 2028?
O embate também possui outra leitura política.
Embora Obama não possa mais disputar a Presidência e Trump esteja em seu segundo mandato, os dois continuam funcionando como referências de campos políticos profundamente diferentes.
O confronto serve para mobilizar bases, testar discursos e identificar quais temas terão capacidade de sobreviver depois das eleições legislativas.
Mais do que Trump contra candidatos democratas, a reta final passou a apresentar ao eleitor americano uma comparação direta entre dois estilos de liderança, duas visões de governo e duas narrativas sobre o futuro dos Estados Unidos.
E, novamente, Barack Obama e Donald Trump estão no centro dessa disputa.
Eles não estão disputando a eleição, mas conseguiram virar os protagonistas dela. Trump e Obama transformaram a reta final nos Estados Unidos em um confronto direto e o resultado poderá mudar os próximos dois anos da Casa Branca.
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