139 candidatos, apenas oito eleitos: por que os mais votados podem ficar de fora da Câmara ?

8 vagas estão em disputas pelo Amazonas na Câmara dos Deputados nas eleições deste ano

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Na eleição para deputado federal, não basta estar entre os candidatos mais votados para garantir uma cadeira na Câmara dos Deputados. O desempenho do partido ou da federação também é determinante na distribuição das vagas.

Nesse cenário, 139 candidatos a deputado federal disputam as oito cadeiras destinadas ao Amazonas nas eleições deste ano. Além da disputa entre os nomes individualmente, partidos e federações montaram estratégias para conquistar o maior número possível de votos e ampliar as chances de eleger seus candidatos.

Isso acontece porque os deputados federais são eleitos pelo sistema proporcional, no qual a votação obtida pelo partido ou federação influencia diretamente a distribuição das cadeiras.

Apesar de ser utilizado nas eleições legislativas, o sistema ainda gera dúvidas entre os eleitores. Por isso, O Convergente conversou com especialistas para explicar como funciona a distribuição das oito vagas do Amazonas e quais chapas chegam mais competitivas à disputa.

Afinal, o que são os quocientes eleitoral e partidário?

Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Cleuto Oliveira, o quociente eleitoral é calculado a partir do número de votos válidos — nominais e de legenda — dividido pelo número de cadeiras disponíveis. No caso da disputa para deputado federal pelo Amazonas, são oito vagas.

Já o quociente partidário, segundo o especialista, é calculado a partir da divisão do número de votos válidos obtidos por cada partido ou federação pelo quociente eleitoral. Dessa forma, é possível determinar inicialmente quantas vagas cada legenda terá direito a ocupar.

Quem montou as chapas mais fortes?

Com experiência na análise de eleições no Amazonas, o analista político Fred Melo traçou um panorama sobre a disputa pelas cadeiras da Câmara dos Deputados no pleito deste ano.

Segundo ele, as chapas mais competitivas para deputado federal foram montadas, nesta ordem, pelo PL, Federação União Progressista, MDB, Republicanos, PSD e Avante.

PL

Na avaliação de Fred Melo, o principal puxador de votos do Partido Liberal deve ser o vereador e candidato a deputado federal Sargento Salazar.

Segundo o analista, a presença do candidato nas redes sociais, sua identificação com o eleitorado conservador e a proximidade com o bolsonarismo fazem dele um dos nomes com maior potencial eleitoral dentro da legenda.

Federação União Progressista

Na Federação União Progressista, Fred avalia que o deputado federal Fausto Junior, candidato à reeleição, pode aparecer como o principal puxador de votos por já exercer mandato e contar com uma estrutura eleitoral consolidada.

Outro nome que, segundo o analista, pode surpreender é o do ex-vice-governador do Amazonas Tadeu de Souza, que deixou o cargo para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

MDB

Fred Melo avalia que o MDB também montou uma chapa competitiva para as eleições deste ano.

Segundo ele, o deputado federal Adail Filho, candidato à reeleição, deve ser o principal puxador de votos da legenda, principalmente pelo mandato e pela capacidade de votação no interior do Amazonas.

Adail Filho deixou o Republicanos e se filiou ao MDB para disputar as eleições deste ano. O analista também destaca entre os nomes da sigla o candidato à reeleição Saullo Vianna.

Republicanos

No Republicanos, o deputado federal Amom Mandel aparece, segundo Fred, como um dos principais nomes da chapa. O analista destaca a forte presença digital do parlamentar e seu eleitorado próprio, especialmente em Manaus.

Fred também aponta o deputado federal Silas Câmara como outro nome competitivo da legenda por contar com uma estrutura política e religiosa consolidada.

PSD

No PSD, a avaliação é de que os deputados federais Sidney Leite e Átila Lins devem protagonizar uma disputa interna equilibrada.

Segundo o analista, os dois possuem mandato, experiência política, estrutura no interior e relações consolidadas com prefeitos e lideranças municipais.

Pelo desempenho eleitoral recente e pela amplitude de suas bases, Sidney Leite aparece, na avaliação de Fred, com uma pequena vantagem. Átila Lins, porém, possui uma das estruturas políticas mais tradicionais do Amazonas e também aparece competitivo na disputa.

Avante

Dra. Aryel Almeida aparece como uma das principais apostas do Avante. Segundo Fred Melo, além de integrar o grupo político de David Almeida, sua candidatura tende a receber atenção dentro da nominata.

O analista também destaca o nome de Coronel Menezes, que pode conquistar votos de uma parcela do eleitorado conservador.

Sete dos oito deputados tentam a reeleição

Dos oito deputados federais que atualmente representam o Amazonas, sete disputam a permanência na Câmara dos Deputados. A exceção é Capitão Alberto Neto (PL), que concorre ao Senado Federal.

Entre os candidatos à reeleição estão Amom Mandel e Silas Câmara, do Republicanos; Adail Filho e Saullo Vianna, do MDB; Átila Lins e Sidney Leite, do PSD; e Fausto Junior, da Federação União Progressista.

Segundo a projeção apresentada pelo analista político Fred Melo, todos entram na disputa com possibilidade de conquistar um novo mandato.

Por que um candidato com mais votos pode ficar de fora?

Ainda de acordo com Cleuto Oliveira, no sistema proporcional, nem sempre o candidato que recebe mais votos individualmente será eleito. O resultado também depende do desempenho de seu partido ou federação e do cumprimento das regras estabelecidas pela legislação eleitoral.

“É perfeitamente possível um candidato que tenha mais votos ficar de fora face a outros com menos votos. Isso acontece quando um partido não consegue atingir o quociente eleitoral e, como consequência, esses candidatos não terão direito a uma das vagas. E existem partidos que atingem o quociente em que há candidatos com votação inferior que serão eleitos”, ressaltou.

Na prática, isso significa que a votação individual é importante, mas não é o único fator considerado na eleição para deputado federal. Os votos conquistados pelo conjunto de candidatos da mesma legenda ou federação também entram no cálculo para a distribuição das cadeiras.

O que dizem os eleitores?

Como explicado pelo especialista, o desempenho coletivo das legendas influencia a distribuição das vagas. Para alguns eleitores, porém, a escolha do voto continua concentrada principalmente nas propostas individuais apresentadas pelos candidatos.

Daniele Mendonça afirmou que seu voto não é definido pela legenda ou pelo viés político-partidário, mas pelas propostas apresentadas durante a campanha.

“Eu escolho meus candidatos com base nas suas propostas e defesas. Por exemplo, uma vez votei em uma candidata que defendia a causa animal”, disse Daniele.

Já o designer Abraão Caetano afirmou que também leva em consideração as propostas apresentadas pelo candidato, e não apenas questões ideológicas ou as pautas defendidas pelas legendas.

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