O papel das mulheres na campanha eleitoral de 2026 no Amazonas sofreu uma expansão impossível de ignorar. Entre os candidatos ao Governo do Amazonas, a empresária e professora Maria do Carmo (PL) ganhou destaque por ser a primeira mulher a concorrer ao cargo máximo do Executivo no Estado. Já David Almeida escolheu Shadia Fraxe, ex-secretária municipal de Saúde e médica, para compor sua chapa como candidata a vice-governadora.
Mas, se a frase “por trás de todo grande homem há uma grande mulher” pode ser associada a este pleito, fica claro que o dito popular se encaixa bem nas campanhas de Roberto Cidade (União Brasil), David Almeida (Avante) e Omar Aziz (PSD). O que eles têm em comum? Suas esposas, que ganharam espaço tanto na discussão política quanto na campanha propriamente dita, surgindo como lideranças políticas no Estado.
Thaisa Cidade tem participado ativamente dos compromissos públicos ao lado do governador, que busca a reeleição. Além de ser vista em suas caminhadas pelos bairros de Manaus, Thaisa também vem encabeçando o movimento político “Mulheres com Cidade”, que trata de políticas públicas junto às eleitoras do Estado.

Um dos eventos do movimento, ocorrido no dia 20 de agosto, no bairro Educandos, reuniu nomes importantes, entre eles a empresária Thaisa Alves, esposa do deputado estadual e candidato à reeleição Mário César Filho (União Brasil), e a candidata a deputada federal Joana Darc (União Brasil).
Ao lado de David Almeida, temos Isabelle Almeida, que, junto com Shadia Fraxe, assumiu o movimento Avante Mulher, que tem como objetivo aproximar as eleitoras de debates políticos de interesse das mulheres, incentivando o público feminino não apenas a participar mais das discussões, mas também a se candidatar e ocupar mais espaços em locais como a Câmara Municipal de Manaus (CMM) e a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).

Atualmente, Shadia Fraxe é presidente estadual da ala feminina do Avante, enquanto Isabelle Almeida ficou à frente do diretório municipal da sigla.
Nejmi Aziz, por sua vez, tem desempenhado um papel mais nos bastidores, cuidando principalmente das redes sociais de Omar Aziz. Porém, vale lembrar o papel fundamental de Nejmi durante a gestão de Omar, entre 2010 e 2015.
A então primeira-dama esteve à frente do Projeto Jovem Cidadão, que oferecia cursos profissionalizantes nas escolas públicas do Amazonas em parceria com o Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam). Nejmi visitava pessoalmente as escolas onde o projeto havia sido implementado.

O professor e cientista político Helso Ribeiro aponta a carência de representatividade feminina na política amazonense atualmente. Segundo levantamento feito pelo O Convergente, das 41 cadeiras da Câmara Municipal de Manaus, apenas três são ocupadas por mulheres: Thaysa Lippy (PRD), Professora Jacqueline (União Brasil) e Yomara Lins (Podemos).
Já a Aleam possui o maior número de mulheres eleitas, embora sejam apenas seis entre os 24 parlamentares: Alessandra Campelo (PSD), Joana Darc (União Brasil), Mayra Dias (PSD), Débora Menezes (PL), Mayara Pinheiro (Republicanos) e Brena Dianná (União Brasil).
Na Câmara Federal, o Amazonas não possui atualmente nenhuma mulher eleita.
“O Brasil é o país com a menor quantidade de mulheres no Parlamento. Então, para compensar isso, faz parte da narrativa de boa parte dos políticos mostrar que eles estão cercados de mulheres, né? Que terão protagonismo”, explica Helso Ribeiro.

“Então, eu acredito que parte do eleitorado continua achando que isso mostra a força da família, né? Parte do eleitorado. A outra parte, uma parte, porque o eleitorado é heterogêneo. Então, uma outra parte sabe que isso é jogo de cena, mas sai bem na foto”, conclui o especialista.
A visão da eleitora
Essa movimentação não passou despercebida pelo olhar atento da eleitora amazonense, que, de modo geral, percebeu a presença dessas mulheres ocupando espaços de liderança. Mas a percepção sobre como isso pode impactar o eleitorado varia, como no caso da professora de música Lia Pimentel, de 35 anos, que acredita que, apesar da presença ativa dessas mulheres na campanha, elas ainda não conseguem influenciar a opinião pública.
“Elas estão ali com papel figurativo, servindo apenas de base para discursos familiares e não cumprindo papel social e político de fato frente às demandas reais da cidade. Algumas, inclusive, já têm histórico negativo pela forma como o relacionamento foi conduzido perante o olhar público”, reflete a professora.
Já a missóloga Priscila Batista, de 42 anos, acredita que a presença das futuras primeiras-damas pode ser positiva para os candidatos.
“A participação das esposas pode influenciar positivamente a imagem dos candidatos, principalmente por aproximá-los de pautas ligadas às mulheres e à participação feminina na política”, afirma.
A professora, turismóloga e cantora da banda R4, Leide Castro, de 30 anos, destacou a importância da representatividade que essas mulheres proporcionam no cenário político.
“Elas trazem consigo representações importantes para a sociedade, atuando como porta-vozes de mensagens que geram valor, como a humanização da imagem do candidato, deixando-o mais acessível, fazendo uma ponte com o eleitorado feminino e mostrando que as mulheres têm voz e empoderamento nesse quesito, que já foi tão problemático para as mulheres no passado.”
Embora reconheça a importância dessa representatividade, Leide declara que, ainda assim, esse não seria o fator decisivo para o seu voto.
“A representatividade feminina é apenas um dos fatores influenciadores. Para mim, são necessários muitos outros critérios para que eu possa definir meu voto”, refletiu.
A aposentada Luciete Gomes, de 67 anos, também vem acompanhando o movimento e acredita na influência das esposas ao longo deste pleito.
“Elas participam de ações, se aproximam do povo e, este ano, isso está bem mais forte. Inclusive, a esposa do Roberto está bem mais ativa nas redes sociais do que nunca”, declarou.
A bancária Larissa Melo, de 42 anos, acompanha o cenário desde a pré-campanha e viu com grande interesse o que chamou de “fenômeno”. Embora veja a movimentação com bons olhos, ela também tem suas ressalvas.
“A participação das esposas dos candidatos influencia, sim, a imagem deles, principalmente porque aproxima o político das pessoas de uma maneira mais pessoal. Quando elas participam de eventos, conversam com outras mulheres e assumem um papel mais ativo, deixam de ser apenas a esposa do candidato e passam a transmitir também a imagem de uma mulher que tem voz e participação dentro daquele grupo político”, declara.
Assim como Leide, Larissa também considera que essas aparições ainda não são suficientes para definir seu voto.
“Como eleitora, eu não acho que a participação da esposa seja suficiente para decidir meu voto. Para mim, ela pode melhorar a imagem do candidato, gerar identificação e até passar mais confiança, mas a decisão final depende muito mais da história do candidato, do que ele apresenta e, principalmente, do que já fez na prática”, declara.


