A escolha de Serafim Corrêa (PSB) para compor como vice a chapa de Roberto Cidade (União Brasil) na disputa pelo Governo do Amazonas adiciona à campanha um nome conhecido do eleitorado e com décadas de atuação na política local. A composição reúne dois perfis de gerações e trajetórias distintas e pode funcionar como uma estratégia para ampliar o alcance eleitoral da candidatura.
Serafim e Cidade já dividem atualmente o comando do Executivo estadual. Os dois foram eleitos governador e vice-governador, respectivamente, em maio deste ano, em eleição indireta realizada pela Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), após a vacância dos cargos. A chapa recebeu os 24 votos dos deputados estaduais.
A permanência da dupla para a eleição direta de outubro leva essa composição para um teste diferente: desta vez, caberá ao eleitor avaliar se a experiência de Serafim acrescenta força eleitoral à candidatura encabeçada por Cidade.
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Experiência e diferentes campos políticos
Aos 79 anos, Serafim acumula passagens pelos poderes Executivo e Legislativo. Economista e advogado, foi vereador de Manaus, prefeito da capital entre 2005 e 2009 e deputado estadual por dois mandatos, além de ter ocupado funções na administração pública. Filiado ao PSB há décadas, também construiu atuação em temas econômicos e relacionados à Zona Franca de Manaus.
Para o analista político Helso Ribeiro, esse histórico é um dos principais ativos que Serafim leva para a chapa. Na avaliação dele, a experiência administrativa e o posicionamento político do vice podem ajudar Cidade a dialogar com segmentos diferentes do eleitorado.
“Eu diria que o Serafim Corrêa foi secretário em algumas situações, foi prefeito, deputado estadual, vereador, enfim, e representa um partido que tem a vice-presidência da República, que é o PSB. Penso que ele representa um nicho importante de votos aqui em Manaus”, avaliou.
Segundo Ribeiro, a composição também reúne características distintas entre os dois candidatos.
“Vamos tirar a prova dos nove no dia 4 de outubro, mas acredito que é bom uma chapa dessa forma: você juntar alguém de perfil mais empresarial — como é o Roberto Cidade — com alguém mais da economia, servidor público de carreira, advogado. Eu vejo essa divergência como agrega e o Serafim nunca teve um discurso radical, sempre teve um discurso apaziguador”, afirmou.
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O vice pode decidir votos?
Apesar da experiência de Serafim, Helso pondera que, tradicionalmente, o candidato a governador concentra maior peso na decisão do eleitor. A situação pode ganhar contornos diferentes, porém, quando o vice possui trajetória política própria e alto grau de conhecimento público.
“Eu penso que a candidatura principal, e a que o eleitor mais se ajusta, é quem vai ser o titular. O vice conta bem menos, a não ser quando o vice já tem um conhecimento muito grande da população, como é o caso do Serafim Corrêa”, explicou.
Para o analista, a presença do ex-prefeito tende mais a acrescentar do que provocar perda de apoio. “São poucas as pessoas que votam numa chapa apenas por causa do vice. No caso do Serafim, eu acredito que ele agrega e pode dar alguns votos para a chapa”, completou.
A composição também amplia formalmente o arco partidário da candidatura. Enquanto Cidade está no União Brasil, Serafim pertence ao PSB e ocupa posição na direção estadual da legenda. A dimensão desse efeito nas urnas, contudo, só poderá ser medida ao longo da campanha e no resultado eleitoral.
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O que pensa o eleitor
Nas ruas, a escolha de Serafim provoca avaliações diferentes. Entre os entrevistados, a experiência política e o potencial de alcançar um eleitorado que acompanha há mais tempo a política amazonense aparecem como pontos recorrentes.
Para o produtor cultural João Costa, a escolha pode ser uma tentativa de Cidade de ampliar o diálogo com grupos que não necessariamente se identificariam inicialmente com sua candidatura. Ele avalia que a diferença de idade e de posicionamento político entre os dois pode ser utilizada eleitoralmente.
“Se ele escolheu o Serafim, é também isso que ele tá buscando, né? Esse eleitorado que tem mais tempo de vida, aquela galera mais antiga. […] E aí ter alguém mais velho junto com ele agrega esse público”, afirmou.
O servidor público André Félix também vê na trajetória do vice um fator capaz de fortalecer a candidatura.
“Acredito que a escolha do Serafim agrega muita experiência à chapa. Ele já foi prefeito de Manaus, deputado estadual, vereador e tem uma longa trajetória na política amazonense. Além disso, é um nome bastante conhecido, principalmente entre o eleitorado mais antigo, que acompanhou sua trajetória ao longo dos anos”, avaliou.

Para ele, esse histórico pode produzir reflexos eleitorais. “Acredito, sim, que toda essa experiência, somada à credibilidade que ele construiu ao longo da vida pública, pode se transformar em votos e fortalecer ainda mais a candidatura de Roberto Cidade.”
Nome conhecido para ampliar a chapa
O educador Eduardo Travessa segue avaliação semelhante e considera que a escolha busca aproveitar o capital eleitoral construído pelo ex-prefeito ao longo da carreira.
“Ele foi esperto em pegar um nome forte na política amazonense. Acredito que ele quer buscar os votos das pessoas que já depositaram a confiança no Serafim”, afirmou.
Para Ana Gomes, a percepção também é de que a escolha busca equilibrar diferentes características dentro da mesma chapa. Na avaliação dela, a trajetória política de Serafim é um dos principais elementos da composição.
“Acredito que essa escolha é principalmente pela bagagem do Serafim na política amazonense. Está muito ligada à imagem de uma candidatura de renovação aliada à segurança e à experiência do Serafim”, avaliou.
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A administradora Jenice Moreira, por sua vez, exemplifica como a escolha do vice pode interferir diretamente na avaliação de parte do eleitorado. Ela afirma que passou a considerar a candidatura de Cidade justamente pela presença de Serafim, embora ainda tenha dúvidas sobre o voto.
“Eu não tenho como dizer que não me impactou. Cogito seriamente em votar nele justamente pelo Serafim. Mas penso que a chapa não tem chances e estaria jogando meu voto, aí minha opção fica em outro candidato, disse.
As opiniões mostram que, embora o vice tradicionalmente tenha menor protagonismo eleitoral, a presença de um político com trajetória própria pode entrar nos cálculos de determinados eleitores.
Complemento ou fator decisivo?
A aposta da chapa está justamente nessa complementaridade. Cidade, aos 39 anos, chegou ao governo depois de comandar a Assembleia Legislativa e anteriormente ter exercido mandato de vereador em Manaus. Serafim, por outro lado, carrega décadas de experiência política, passagem pela Prefeitura de Manaus e atuação no Legislativo estadual.
A combinação permite à campanha apresentar uma chapa formada por gerações e experiências distintas, ao mesmo tempo em que incorpora o PSB à composição liderada pelo União Brasil.
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O peso efetivo dessa estratégia ainda dependerá da campanha, do conhecimento do eleitor sobre quem ocupa a vaga de vice e, principalmente, da capacidade da chapa de transformar a trajetória de Serafim em votos.
Como ressalta Helso Ribeiro, o candidato a governador continua sendo o principal elemento na escolha do eleitor, mas, no caso de um vice conhecido como Serafim, a segunda posição da chapa pode deixar de ser apenas uma composição formal e ganhar espaço na disputa eleitoral.
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