O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) se emocionou e chorou durante um culto realizado na Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, no último domingo (9). A cerimônia, dedicada ao Dia dos Pais, também contou com a presença do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.
O registro foi feito durante a transmissão da celebração e também divulgado nas redes sociais de Flávio. Durante sua participação, o senador falou sobre a relação entre pais, filhos e avós e pediu que as famílias deixassem desentendimentos de lado.
“Aquela discussão que um filho tem com o pai, deixe de lado”, afirmou Flávio durante o culto, segundo o UOL.
A participação ocorreu em um momento particular para o senador. No Dia dos Pais, Flávio estava impedido de visitar Jair Bolsonaro por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio está impedido de visitar o pai por 90 dias
A restrição contra Flávio foi determinada por Moraes em julho e tem duração de 90 dias. A decisão foi tomada após o senador divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo pai, que cumpre prisão domiciliar.
O STF registra que Moraes suspendeu especificamente a autorização de visita de Flávio e determinou o envio de cópias da decisão e dos vídeos relacionados ao episódio ao procurador-geral Eleitoral. Posteriormente, também foram suspensas por 30 dias as visitas gerais a Jair Bolsonaro, com exceção de atendimentos médicos, fisioterapêuticos e de advogados.
No culto de domingo, Flávio não relacionou diretamente o momento em que chorou à decisão judicial que o impedia de encontrar o pai. A celebração, entretanto, ocorreu justamente no Dia dos Pais e teve como um dos temas a importância da convivência familiar.
Eduardo Cunha também participou do culto
Ao lado de Flávio estava Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados. O ex-parlamentar também participou da celebração comandada pela Igreja Mundial do Poder de Deus.
Segundo o UOL, Cunha pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Minas Gerais nas eleições deste ano. A presença dos dois ocorre em meio à movimentação de lideranças políticas junto ao eleitorado evangélico na campanha de 2026.
O culto foi realizado na Igreja Mundial do Poder de Deus, denominação liderada pelo apóstolo Valdemiro Santiago.
Polêmica envolvendo Valdemiro durante a pandemia
Valdemiro Santiago esteve envolvido em uma controvérsia durante a pandemia de Covid-19 depois que conteúdos publicados na internet associaram sementes de feijão distribuídas pela igreja à cura da doença.
Na época, o Ministério Público Federal chegou a questionar o conteúdo e o Ministério da Saúde alertou que não existia comprovação científica de que sementes ou seu plantio pudessem prevenir ou curar a Covid-19.
O caso teve, porém, um desfecho importante. Em 2022, após investigação, o Ministério Público de São Paulo pediu o arquivamento do inquérito criminal. Segundo relatório divulgado pelo UOL, uma perícia identificou edição fraudulenta em material usado para sustentar a acusação, e os investigadores disseram não ter encontrado elementos suficientes para afirmar que Valdemiro vendeu sementes prometendo a cura da doença.
Por esse motivo, a alegação de que o religioso “vendeu feijões mágicos para curar a Covid-19” não deve ser apresentada atualmente como fato sem a contextualização do resultado da investigação.
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