O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confirmou nesta terça-feira (11) que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro participará de uma gravação para o programa eleitoral de sua campanha à Presidência da República. Ao comentar a presença da madrasta, Flávio também fez elogios e a classificou como uma “pessoa qualificada”.
A confirmação, revelada pelo jornal O Globo, representa mais um movimento de aproximação entre os dois após uma crise que expôs divergências dentro da família Bolsonaro e provocou preocupação entre integrantes da campanha presidencial do PL.
Michelle é considerada um nome estratégico para Flávio principalmente por sua influência entre mulheres e eleitores evangélicos. Durante a crise, aliados do senador chegaram a avaliar que o afastamento da ex-primeira-dama poderia prejudicar justamente a tentativa da campanha de ampliar o desempenho nesses segmentos.
Crise expôs divisão entre Michelle e Flávio
O conflito se tornou público em junho, quando Michelle divulgou um vídeo relatando um desentendimento com Flávio em meio às articulações políticas do PL no Ceará.
A ex-primeira-dama afirmou ter sido tratada com desrespeito pelo enteado durante uma conversa por telefone. A divergência envolvia decisões da legenda no estado e a aproximação com o grupo político de Ciro Gomes. Flávio posteriormente negou ter tido intenção de ofendê-la e fez pedidos públicos de desculpas.
O episódio teve repercussão dentro da legenda. Em 30 de junho, Michelle anunciou que deixaria a presidência nacional do PL Mulher, função que exercia desde 2023. Na ocasião, informou que passaria a dedicar mais tempo aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e da filha.
Mesmo fora do comando formal do PL Mulher, Michelle manteve atuação política e passou a concentrar esforços em candidaturas femininas, lideranças religiosas e campanhas estaduais ligadas ao grupo conservador.
Pedido de desculpas abriu caminho para reconciliação
A relação começou a mudar publicamente em 23 de julho, quando Flávio publicou um novo pedido de desculpas à madrasta.
Michelle respondeu também por vídeo, aceitou as desculpas e indicou disposição para unir forças durante a eleição. A reaproximação foi articulada por dirigentes e aliados, entre eles o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, além da senadora Damares Alves e da governadora do Distrito Federal, Celina Leão.
Dois dias depois, Michelle participou por vídeo da convenção nacional do PL, realizada em 25 de julho, que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência. Na gravação exibida durante o evento, ela manifestou apoio à campanha e direcionou parte significativa da mensagem ao eleitorado feminino.
A participação no programa eleitoral agora amplia os sinais de que Michelle deverá desempenhar algum papel na estratégia presidencial do enteado, embora mantenha uma agenda política própria e atuação independente em campanhas consideradas prioritárias por seu grupo.
Michelle é peça importante na estratégia entre mulheres
A presença da ex-primeira-dama também tem peso eleitoral para a candidatura de Flávio.
Antes da reconciliação, levantamentos citados por integrantes da campanha mostravam dificuldades do senador entre as mulheres. Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada em junho apontava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 41% das intenções de voto entre eleitoras, enquanto Flávio aparecia com 24%.
Em meio ao desgaste, a campanha do senador passou a intensificar propostas específicas para esse público. Entre as iniciativas apresentadas estão medidas relacionadas ao combate à violência doméstica, autonomia financeira, empreendedorismo e economia do cuidado.
A entrada de Michelle no programa eleitoral ocorre, portanto, em uma área considerada estratégica para o candidato do PL: a busca por maior aproximação com o eleitorado feminino e conservador.
Propaganda na TV começa em 28 de agosto
A gravação acontece a pouco mais de duas semanas do início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão.
De acordo com o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a propaganda eleitoral de candidatos começa em 16 de agosto, enquanto o horário gratuito no rádio e na TV será veiculado entre 28 de agosto e 1º de outubro, no primeiro turno.
Com a participação de Michelle, a campanha de Flávio tenta transformar a reconciliação política em uma demonstração pública de unidade justamente na entrada da fase mais intensa da disputa presidencial.


