O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (9) que não restam dúvidas de que houve uma tentativa de golpe de Estado no Brasil, culminando nos ataques de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderou ações para se manter no poder após a derrota nas urnas.
Moraes deu início ao seu voto no julgamento do núcleo central da trama golpista, que tem Bolsonaro entre os réus. O ministro destacou que a Corte já reconheceu a ocorrência da tentativa de golpe e que a análise atual se concentra em definir a participação dos acusados nos crimes.
Leia mais: Moraes: Anotações de Augusto Heleno eram roteiro inicial de golpe em favor de Bolsonaro
Ao citar o ex-presidente, Moraes o apontou como chefe dos chamados “atos executórios”, isto é, medidas que teriam sido adotadas para tentar viabilizar o golpe. “O líder do grupo criminoso deixa claro, de viva voz, de forma pública, que jamais aceitaria uma derrota nas urnas, uma derrota democrática nas eleições, que jamais cumpriria a vontade popular”, declarou.
Segundo o relator, esses atos começaram ainda em junho de 2021, mais de um ano antes das eleições, com ataques reiterados ao sistema eleitoral e às urnas eletrônicas, dentro de uma estratégia para fragilizar a democracia e justificar a permanência de Bolsonaro no poder.
“Não há nenhuma dúvida, em todas essas condenações e mais de 500 acordos de não persecução penal, de que houve tentativa de abolição ao Estado democrático de Direito, de que houve tentativa de golpe, de que houve organização criminosa”, concluiu Moraes.


