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domingo, fevereiro 25, 2024

Revelada a ligação entre Anderson Torres, Pajero monitorada pela Abin e Ramagem

Detalhes da operação "Operação Vigilância Aproximada", encaminhados à CGU, revelam que, em 2019, Torres conduzia o veículo Pajero Full, que foi alvo de monitoramento ilegal por parte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)

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Após o início da operação ‘Operação Vigilância Aproximada’, que passou a investigar o ex-diretor da Abin e atual deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), o que ‘ninguém sabia o que estava por debaixo dos panos’ vem sendo revelado. No desfecho da investigação surgiu outro nome ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). É um ex-ministro da Justiça e ex-secretário do Distrito Federal (DF), Anderson Torres.

Em 2019, Torres, na época, conduzia o veículo Pajero Full, que foi alvo de monitoramento ilegal por parte da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). A prática de espionagem foi uma determinação direta de Alexandre Ramagem, que ocupava o cargo de chefe da Abin naquele período.

Detalhes sobre a operação relacionada a Torres estão presentes nos 120 gigabytes de documentos recuperados pela Controladoria-Geral da União (CGU) no sistema da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Este conjunto de arquivos, englobando oito gigabytes de materiais impressos por agentes da agência, foi repassado pela CGU à Polícia Federal. Esses documentos desempenharam um papel crucial ao subsidiar a operação que teve Alexandre Ramagem como um dos alvos na quinta-feira (25).

Um dos documentos apresenta uma mensagem de WhatsApp atribuída a Ramagem, na qual ele instrui os agentes da Abin a investigarem a identidade do motorista da Pajero Full que esteve presente em um jantar na Residência Oficial da Presidência da Câmara, ocupada por Rodrigo Maia no primeiro ano do governo Bolsonaro. Outro arquivo, que contém os resultados da operação de espionagem, revela que o condutor do veículo era Torres.

Pessoas monitoradas ilegalelmente expressaram suspeitas de que o jantar oaconteceu em outubro de 2019, durante a rivalidade entre Bolsonaro e Luciano Bivar pela liderança do PSL. Naquele momento, representantes do partido dirigiram-se à residência de Maia para debater a viabilidade de uma fusão com o DEM.

Simultaneamente, estava ocorrendo uma disputa envolvendo a “guerra de listas” para determinar quem ocuparia a posição de líder do PSL na Câmara. Bolsonaro prevaleceu sobre os dissidentes e conseguiu nomear Eduardo Bolsonaro para o cargo.

Torres, próximo a Eduardo Bolsonaro e amigo do senador Flávio Bolsonaro, fazia parte de uma ala na Polícia Federal que divergia do grupo liderado por Ramagem na instituição. O ex-diretor da Abin tinha uma relação mais próxima com Carlos Bolsonaro.

Durante seu período como líder da Secretaria de Segurança do Distrito Federal, Torres foi crítico da administração de Sergio Moro no Ministério da Justiça. Ele demonstrou insatisfação com a transferência de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, para o presídio federal de Brasília, e lamentou a ausência de reuniões entre Moro e os secretários estaduais. Torres assumiu a liderança do ministério em abril de 2021, sucedendo André Mendonça, que foi para o STF, e durante um período de distanciamento de Moro em relação ao bolsonarismo.

A defesa de Torres, informou ao Metrópoles que “não possui conhecimento oficial desses fatos” e que, “se for necessário, se manifestará adequadamente nos autos”.

Leia mais: Aliado de Bolsonaro, ex-diretor da Abin é investigado por suposta espionagem

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