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sábado, fevereiro 24, 2024

Crise humanitária: Lula enfrenta revolta por não conter mortes de Ianomâmis

O Ministério da Saúde registrou 308 mortes na Terra Indígena Yanomami nos primeiros 11 meses de 2023. O dado mais recente vai até o dia 30 de novembro e não conta os casos de dezembro

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Mesmo tendo declarado situação de emergência aos povos originários, no território Yanomami no primeiro mês de mandato, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não conseguiu estabilizar a mortalidade dos indígenas da região em 2023.

No total, 308 óbitos foram documentados pelo Ministério da Saúde (MS) na Terra Indígena Yanomami até 30 de novembro de 2023. Comparativamente, em 2022, a pasta registrou um total de 343 mortes na mesma região.

Entre as 308 vítimas, a maioria é composta por crianças de 0 a 4 anos, totalizando 162 óbitos. Deste grupo, 104 eram bebês com até um ano, representando mais de um terço dos casos registrados.

A taxa de mortalidade infantil na Terra Indígena Yanomami é comparável às registradas nos países com os piores índices do mundo. Para ter uma ideia, em 2020, último ano com dados disponíveis, a taxa de óbitos de bebês com menos de um ano foi de 114,3 por mil nascidos vivos, aproximadamente dez vezes superior à taxa brasileira, que foi de 11,5.

O índice de mortalidade na região aumentou durante o segundo semestre de 2023. Até 23 de junho, conforme os dados go governo, 136 mortes foram registradas, com adicional de 172 ocorrências nos cinco meses subsequentes. Além disso, os casos de malária, gripe e doenças diarreicas também apresentaram crescimento na segunda metade de 2023.

Organizações de proteção aos indígenas observam falta de coordenação no governo brasileiro. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), que divulgou um relatório em agosto do ano passado abordando a persistência dos desafios na região, a expulsão dos garimpeiros no início de 2023 sequer foi acompanhada para estabilizar a situação.

O pesquisador do ISA, Estêvão Senra, afirmou que o território Yanomami está enfrentando um processo de destruição que se estende por várias décadas. Ele destacou que, embora seja claro que essa situação não será revertida em um ano, uma mobilização organizada poderia acelerar o processo. Senra expressou a opinião de que o governo subestimou o problema.

A persistência da crise levou o Ministério Público Federal e o Poder Judiciário a exercerem pressão sobre o governo. No final de dezembro, atendendo a uma solicitação do MPF, a Justiça Federal em Roraima determinou que o Executivo apresentasse um novo plano de combate ao garimpo na Terra Yanomami.

Leia mais: Bolsonaro não poupa críticas e dispara para Lula: ‘Posso ser horrível, mas o outro cara é péssimo’

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