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quarta-feira, junho 12, 2024

Manicoré gasta R$ 380 mil com serviços funerários, mas população precisa recorrer à ‘vaquinha’ para enterrar seus mortos

Conforme moradores, quem precisou dos serviços até o momento não teve acesso e, muitas famílias, sem condições de sepultar seus familiares estão fazendo ‘vaquinhas’ entre amigos para garantir o mínimo de dignidade no momento de despedida

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A Prefeitura de Manicoré (a 332 quilômetros de Manaus) vai gastar R$ 380 mil para que uma empresa do município preste serviços funerários à população. E o que chama atenção, além do valor, é a data em que o contrato foi firmado e a falta de urnas funerárias para a população quando necessário.

Conforme o despacho de homologação, oriundo do pregão presencial nº 036/2021, a empresa Lilia Lina Farias de Oliveira, com nome de fantasia Funerária Girassol, o contrato foi firmado no dia 14 de maio, mas só foi publicado no Diário Oficial Associação Amazonense de Municípios (AAM) no dia 3 de agosto.

No despacho de homologação, a gestão do prefeito Lúcio Flávio do Rosário (PSD) justificou a contratação dos serviços como sendo para atender famílias ou indivíduos em situação temporária de vulnerabilidade social no município. O documento não descreve o tempo de vigência do contrato, nem como serão fornecidos os serviços.

Reclamação – Uma moradora de Manicoré, do bairro Manicorezinho, ouvida pelo Portal O Convergente, reclamou da contratação do serviço. Segundo ela, no início de julho deste ano o pai morreu em casa em decorrência de uma parada cardiorrespiratória e, quando a família foi procurar ajuda na Prefeitura de Manicoré com os serviços funerários, não teve qualquer tipo de apoio.

“Meu pai morreu em casa. Tentamos conseguir um caixão gratuito na prefeitura, mas sem sucesso. Tivemos que fazer uma ‘vaquinha’ e comprar um para poder enterrar nosso pai com dignidade. É triste você se ver nessa situação, ainda mais sabendo que o município teria condições de nos ajudar”, reclamou a moradora.

Contratos suspeitos – Outras licitações suspeitas praticadas pelo prefeito Lúcio Flávio do Rosário deixaram em alerta o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM). Um deles foi o contrato firmado pelo município com o objetivo de “contratar caminhões e máquinas para atender as necessidades da secretaria de obras”, pelo valor que excedia R$ 6,4 milhões, mas que até o momento não proporcionaram nenhum benefício na cidade, conforme os moradores.

Sem resposta – O Portal O Convergente entrou em contato com a Prefeitura de Manicoré por meio ligações para o número que consta no site oficial do órgão, por e-mail e, também, por meio de mensagens na página oficial da Prefeitura, para saber sobre a vigência do contrato e como a população pode ter acesso aos serviços funerários, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

Confira o despacho de homologação do contrato:

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Por Redação
Ilustração: Marcus Reis

 

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