Eleições 2026: pesquisadora e advogado alertam para propaganda antecipada, deepfakes e uso político de pesquisas

Em entrevista ao podcast Papo Político, o advogado Iuri Albuquerque e a pesquisadora Erica Aguiar analisaram as regras eleitorais, os riscos provocados pela inteligência artificial e os desafios para interpretar pesquisas de intenção de voto

Por

A proximidade do início oficial da campanha aumenta a atenção de partidos, candidatos e eleitores para as regras das eleições de 2026. Além dos limites impostos pela legislação eleitoral, o avanço da inteligência artificial e a circulação acelerada de informações nas redes sociais criam novos desafios para o processo democrático.

O assunto foi debatido em uma edição especial do podcast Papo Político, apresentado pela jornalista Liliane Araújo. O programa recebeu o advogado e mestre em Direito Constitucional Iuri Albuquerque e a pesquisadora Erica Aguiar, CEO do portal O Convergente.

Durante a entrevista, os especialistas abordaram a propaganda eleitoral antecipada, o uso de deepfakes, a divulgação de pesquisas de intenção de voto e a influência das emoções sobre as escolhas do eleitorado.

Pedido antecipado de voto pode gerar multa

Especialista em Direito Eleitoral, Iuri Albuquerque explicou que o pedido explícito de voto antes de 16 de agosto, quando começa oficialmente a propaganda eleitoral, configura uma irregularidade.

Embora a conduta não seja classificada como crime eleitoral, o responsável pode receber multa e ser obrigado a retirar imediatamente o conteúdo divulgado.

“Pedir voto antecipadamente não é crime eleitoral, é uma infração de propaganda. As multas variam de R$ 5 mil a R$ 25 mil, além da remoção imediata do conteúdo”, explicou Albuquerque.

Segundo o advogado, as convenções partidárias permitem maior liberdade para o debate interno e para a busca de apoio entre filiados. No entanto, a participação de pessoas sem vínculo partidário exige cautela, principalmente quando o evento ganha divulgação pública ou conteúdo nas redes sociais.

Albuquerque também avaliou que o grande número de regras pode dificultar a compreensão dos limites entre o pedido de apoio político, autorizado durante a pré-campanha, e o pedido direto de voto.

“O TSE hoje se depara com um excesso de regras que, na prática, visam controlar filigranas. O problema é que o pedido de apoio político é autorizado por lei, mas o Tribunal frequentemente pune o candidato antes do período permitido”, explicou Albuquerque.

Por isso, partidos e pré-candidatos precisam analisar cada publicação, discurso ou evento para reduzir o risco de ações por propaganda eleitoral antecipada.

Inteligência artificial amplia riscos eleitorais

Outro ponto central da entrevista foi o uso da inteligência artificial nas eleições de 2026. A tecnologia pode auxiliar na produção de conteúdos, mas também facilita a criação de vídeos, áudios e imagens falsos com aparência realista.

Conhecidos como deepfakes, esses materiais podem atribuir a candidatos declarações ou comportamentos que nunca ocorreram. Dessa forma, a tecnologia aumenta o potencial de desinformação e dificulta a identificação de conteúdos manipulados pelo eleitor.

“A resolução do TSE deste ano traz a equiparação do uso de deepfakes ao abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação social. O candidato que usar IA para ludibriar o eleitor está sujeito à cassação da chapa”, afirmou o advogado.

De acordo com Albuquerque, a gravidade da punição depende das circunstâncias, do alcance do conteúdo e dos impactos provocados sobre a disputa eleitoral.

“A legislação agora equipara o uso de deepfakes ao abuso de poder e ao uso indevido dos meios de comunicação social. Condutas graves podem levar, inclusive, à cassação do registro do candidato”.

Além das punições, o avanço dessas ferramentas amplia a responsabilidade das campanhas, das plataformas digitais e dos próprios eleitores. Antes de compartilhar uma publicação, o público precisa verificar a origem do material e buscar informações em fontes confiáveis.

Pesquisas mostram recortes do cenário

A pesquisadora Erica Aguiar destacou que as pesquisas eleitorais devem ser interpretadas como ferramentas técnicas de monitoramento. Segundo ela, cada levantamento apresenta um retrato do eleitorado em determinado momento, dentro de uma metodologia e de uma margem de erro.

“A pesquisa é um recorte de cenário. Institutos sérios utilizam metodologias rigorosas. O que vemos, muitas vezes, é a disputa política tentando usar o dado para manipular a opinião pública”, afirmou Aguiar.

A especialista ressaltou que a população deve observar informações como o instituto responsável, o tamanho da amostra, as cidades pesquisadas, o período das entrevistas e a metodologia utilizada.

No Amazonas, a realização dos levantamentos enfrenta dificuldades adicionais por causa da extensão territorial, das distâncias entre os municípios e das limitações de acesso a determinadas localidades.

“Fazer pesquisa no Amazonas é um desafio logístico imenso. A população precisa diferenciar institutos sérios, que utilizam metodologias rigorosas e face a face, de tentativas de manipulação de opinião”, afirmou Aguiar.

Por isso, um levantamento não deve ser analisado isoladamente nem tratado como resultado definitivo. Além disso, mudanças no cenário político, fatos novos e o desempenho das campanhas podem alterar as intenções de voto ao longo do processo eleitoral.

Emoção influencia decisão do eleitor

Erica Aguiar também analisou o peso da emoção na escolha dos candidatos. Segundo a pesquisadora, propostas e dados continuam relevantes, mas a identificação pessoal e o sentimento de pertencimento exercem forte influência sobre o voto.

“O eleitor quer sentir, ele quer rir e se emocionar. O marketing político que entende esse pertencimento tende a ter mais sucesso, mas o cansaço com o embate agressivo é notável este ano”.

 Nesse contexto, campanhas que conseguem apresentar mensagens simples, criar identificação e dialogar com a realidade cotidiana do eleitor podem ganhar espaço. Entretanto, a especialista observou sinais de desgaste diante de estratégias baseadas apenas em ataques e conflitos.

O cenário exige que candidatos encontrem equilíbrio entre a mobilização emocional, a apresentação de propostas e o respeito às regras eleitorais.

Campanha entra em nova fase

Com a definição das chapas e o avanço do calendário das eleições de 2026, partidos e candidatos concentram esforços nos registros de candidatura e na preparação das estratégias de comunicação.

A partir de 16 de agosto, a propaganda eleitoral passa a ser permitida nos formatos previstos pela legislação. Até lá, pré-candidatos devem evitar pedidos explícitos de voto e observar os limites estabelecidos pela Justiça Eleitoral.

Ao mesmo tempo, o uso da inteligência artificial, a circulação de conteúdos manipulados e a exploração política das pesquisas devem permanecer no centro do debate. Em um ambiente marcado pela velocidade das redes sociais, a fiscalização e a verificação das informações terão papel decisivo para a transparência do processo eleitoral.

📲 Quer receber as principais notícias direto no WhatsApp? Acesse o canal do O Convergente e acompanhe informação com agilidade, credibilidade e conexão com os fatos.

Fique ligado em nossas redes

Você também pode gostar

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

spot_img

Últimos Artigos

- Publicidade -