A paralisação da frota de ônibus de Manaus, que afetou milhares de passageiros nesta segunda-feira (20), pode ter sido motivada por interesses que vão além das reivindicações trabalhistas apresentadas oficialmente. Nos bastidores da política amazonense, interlocutores ligados ao setor do transporte e ao meio político avaliam que o movimento também teria servido para ampliar a pressão sobre o poder público em meio a disputas envolvendo empresários, lideranças sindicais e agentes políticos.
Embora o Sindicato dos Rodoviários sustente que a paralisação ocorreu em razão de atrasos salariais, a movimentação nos bastidores passou a chamar atenção após a presença de atores políticos diretamente ligados à direção sindical durante as manifestações públicas do movimento.
Presença de vereador amplia questionamentos
Um dos fatos que mais despertou atenção foi a participação do vereador Jaildo dos Rodoviários ao lado do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira — seu irmão — durante a coletiva realizada para tratar da paralisação.
A proximidade entre a direção sindical e uma liderança política alimentou interpretações de que o movimento poderia ter objetivos que extrapolam as reivindicações da categoria, especialmente diante do cenário político e das discussões envolvendo o sistema de transporte coletivo da capital.
Informação repercute nos bastidores
A avaliação ganhou força depois que a jornalista Any Margareth, diretora do portal Radar Amazônico, afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que a paralisação teria características de uma “manobra política”, combinada com uma estratégia de pressão exercida por empresários do transporte coletivo.
Segundo a jornalista, haveria uma convergência de interesses entre setores políticos, lideranças sindicais e empresários para pressionar o poder público durante as negociações envolvendo o sistema de transporte. Até o momento, porém, não há documentos ou manifestações oficiais que comprovem essa hipótese.
Sindicato mantém versão de atrasos salariais
Oficialmente, o Sindicato dos Rodoviários afirma que a paralisação foi motivada pelos recorrentes atrasos no pagamento dos salários dos trabalhadores.
De acordo com a entidade, diversas empresas do transporte coletivo não cumpriram os prazos estabelecidos para o pagamento da categoria, situação que levou os rodoviários a interromperem a circulação da frota.


